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Tradicionalmente, os inventários de autorrelato e os métodos projetivos têm sido associados, respectivamente, a avaliações explícitas (controlada, consciente) e implícitas (automáticas, inconscientes) de construtos psicológicos, como a personalidade, por exemplo. Mais recentemente, novas técnicas têm buscado extrair informações automáticas e inconscientes (subjetivas) a partir de respostas controladas e conscientes dadas a testes de autorrelato e de desempenho. Nesta conferência são apresentados vários exemplos de informações subjetivas que podem ser captadas a partir de testes objetivos para avaliação de habilidades relacionadas à inteligência emocional. Prof. Dr. Fabiano Koich Miguel (Universidade Federal de São Carlos) - Aspectos projetivos em testes não-projetivos Os instrumentos para avaliação da personalidade costumam ser divididos em dois tipos principais: inventários de autorrelato e métodos projetivos. Nas últimas décadas, pesquisas vêm demonstrando a possibilidade de uma terceira forma de avaliação, que são os testes implícitos. Nesta modalidade, a pessoa desempenha uma tarefa e a maneira como aborda a atividade pode estar relacionada com características da sua personalidade. Embora essa descrição possa se assemelhar aos métodos projetivos, a diferença encontra-se no fato de que os testes implícitos têm um objetivo principal e explícito que não é avaliação da personalidade, sendo comumente avaliação cognitiva. Serão apresentados os resultados de alguns estudos com instrumentos desenvolvidos nesta modalidade implícita. Nomeadamente serão apresentadas pesquisas com o Teste Informatizado de Emoções Primárias (PEP; tarefa que apresenta vídeo de pessoas expressando emoções e o objetivo principal é a percepção emocional), o Teste de Organização de Histórias Emocionais (TOHE; tarefa que apresenta figuras embaralhadas de personagens em situações emocionais que devem ser organizadas em uma sequência lógica) e o Teste de Velocidade Emocional (VE; tarefa que apresenta palavras que devem ser classificadas em positivas ou negativas o mais rápido possível). Embora os três instrumentos avaliem primariamente aspectos cognitivos, associações com traços de personalidade foram encontradas da seguinte maneira: no caso do PEP, com distorções na percepção emocional (por exemplo, perceber raiva onde não existe associou-se a agressividade); no caso do TOHE, com a presença de emoções disfóricas, humilhantes ou agressivas na organização das histórias; no caso do VE, com a frequência de atribuições positivas ou negativas dependendo da palavra. Considerando-se uma definição mais ampla de projeção como a manifestação de aspectos significativos da personalidade na maneira como a pessoa interage com o mundo, compreende-se que certas modalidades de testes psicológicos podem ser capazes de captar aspectos projetivos ainda que não tenham sido originalmente desenvolvidos para esta finalidade. Prof. Dr. José Maurício Haas Bueno (Universidade Federal de Pernambuco) - Sistema de Avaliação de Estados Afetivos por Componentes Emocionais Estados afetivos podem ser descritos por meio de componentes emocionais, como a valência, o arousal, a potência e a imprevisibilidade. A valência está principalmente relacionada à sensação agradável ou desagradável produzida por um estado afetivo. O arousal está relacionado à intensidade das reações fisiológicas que caracterizam o estado emocional. A potência se relaciona à sensação de ter energia e motivação para lidar ou enfrentar a situação ou com a sensação de fraqueza (desmotivação) e tendência de fuga à situação. Finalmente, a imprevisibilidade é o componente relacionado ao quanto o evento é surpreendente e demanda atenção ou comum e corriqueiro, podendo passar desapercebido. Essas variáveis podem ser usadas de forma mais situacional, em intervenções em que se deseja explorar como as pessoas experimentaram emocionalmente um determinado evento ou partes de um evento. Um exemplo disso é o medidor de humor (mood-meter), uma ferramenta proposta exatamente para essa finalidade na Abordagem RULER de desenvolvimento das habilidades socioemocionais, especialmente da inteligência emocional. Mas essas variáveis também podem ser empregadas em instrumentos de avaliação psicológica que pretendem avaliar como as pessoas experienciam situações complexas e duradouras (como uma pandemia, por exemplo) ou habilidades como a percepção de emoções, por exemplo, relacionada à inteligência emocional. Nesse caso, geralmente, são obtidos fatores relacionados aos componentes emocionais, embora alguns desses componentes possa aparecer indiferenciados em alguns casos. Exemplos dessas duas formas de utilização do Sistema de Avaliação de Estados Afetivos por Componentes Emocionais são apresentados e discutidos.
X Congresso da Associação Brasileira de Rorschach e Métodos Projetivos: Desafios Contemporâneos dos Métodos Projetivos