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Assim como o mito da democracia racial por muitos anos dificultou, e ainda dificulta, as discussões de raça no Brasil, há ainda um certo mito que paira, principalmente em uma grande parte dos setores mais progressistas, de que nos últimos anos a “democracia” que está em perigo é uma democracia que abarca todas as estruturas sociais em nosso país. Não se pode negar que os ideais fascistas avançaram massivamente, tomando proporção inclusive em camadas mais populares, mas também não podemos esquecer que a “democracia” que hoje está ameaçada nunca existiu para uma grande parte da população brasileira. Essa falsa ideia de democracia que existe para o preto e o pobre brasileiro impede, na maioria das vezes, que possamos nomear as violências nas quais mais da metade da população tem vivenciado dia após dia. Do navio negreiro ao camburão, as políticas de morte têm sido a herança que forçadamente nos restou da colonização, e que se solidificou e se fez integrante do tecido social de forma muito bem estruturada para que violências como o racismo se tornem crimes perfeitos, pois sempre haverão aqueles que irão negar sua existência.
Ao nos perguntarmos sobre a rua e convidar a comunidade alcançada por nós sobre como seria se ela fosse nossa, queremos mais do que evocar imaginações e suposições que vão além do limite da dura realidade na qual estamos submersos. Queremos convidar todes a pensar a rua como o ponto de encontro para as travessias e peregrinações que ainda temos que enfrentar. O convite para a rua é um convite de organização de nossas lutas, é uma tímida, mas importante faísca para organizar essa revolta que há muito temos guardado dentro de nós. Dessa forma, enquanto estudantes enxergamos este momento e espaço que foi construído através de muita luta como uma resposta ética e política da nossa geração para o presente momento. Por isso, para o 2º Encontro Online de Saúde, Educação e Direitos Humanos, construímos eixos direcionadores para tentar pensar em conjunto: "E se essa rua fosse nossa?”.