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Um dos muitos tentáculos do patriarcado é a maternidade compulsória, que faz com que mesmo mulheres que nunca desejaram ou que não se encontram no exercício de maternar sejam atingidas pela imposição de ser mãe. Porém mulheres racializadas têm seus corpos mercantilizados de tal forma que mesmo quando é de seu desejo ser mãe são impedidas. Seja por um Estado que sem amparar essas mulheres retira compulsorianente bebês de suas mães por vulnerabilidade social, seja por processos de laqueaduras coercitivas, ou pela morte em massa de jovens negros nas periferiaa brasileiras. A pergunta que fica é: afinal, quem pode ser mãe? A rua para muitas dessas mulheres passa a constituir como amparo para suas maternidades. Por isso, a aposta dessa mesa é pensar em construções e redes coletivas para romper com um modelo de maternidade que desconsidera as diferentes singularidades, as classes sociais e os recortes raciais e étnicos de diversas mulheres.
Ao nos perguntarmos sobre a rua e convidar a comunidade alcançada por nós sobre como seria se ela fosse nossa, queremos mais do que evocar imaginações e suposições que vão além do limite da dura realidade na qual estamos submersos. Queremos convidar todes a pensar a rua como o ponto de encontro para as travessias e peregrinações que ainda temos que enfrentar. O convite para a rua é um convite de organização de nossas lutas, é uma tímida, mas importante faísca para organizar essa revolta que há muito temos guardado dentro de nós. Dessa forma, enquanto estudantes enxergamos este momento e espaço que foi construído através de muita luta como uma resposta ética e política da nossa geração para o presente momento. Por isso, para o 2º Encontro Online de Saúde, Educação e Direitos Humanos, construímos eixos direcionadores para tentar pensar em conjunto: "E se essa rua fosse nossa?”.