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No Brasil as mulheres tiveram sua sexualidade e seus corpos vigiados, controlados e discutidos; isso desde a música, a dança até a moda. Isso se agrava quando trazido para realidades mais marginalizadas, como as mulheres do rap e do funk. Para além disso, esses espaços são ainda muito masculinizados e essas mulheres que se inserem nesses espaços são alvo ou de objetificação ou são consideradas menos competentes. A proposta aqui é construir um debate sobre a entrada de mulheres na cena do rap e do funk e, também, o porquê de músicas femininas que tem a sexualidade como pauta são tratadas como algo alarmante ou algo que devesse ser censurado dentro do próprio cenário, ao ponto que homens cantando músicas sexualizando mulheres são tidas como normais. Além de pensar como o ideal de sexualidade cristão fora desses espaços condena esse tipo de expressão artística, como a nossa sociedade tem a necessidade de esconder a sexualidade da cultura. Sendo assim, propomos discutir sobre como essa tentativa de controle da cultura popular é ancorada num projeto de nação.
Ao nos perguntarmos sobre a rua e convidar a comunidade alcançada por nós sobre como seria se ela fosse nossa, queremos mais do que evocar imaginações e suposições que vão além do limite da dura realidade na qual estamos submersos. Queremos convidar todes a pensar a rua como o ponto de encontro para as travessias e peregrinações que ainda temos que enfrentar. O convite para a rua é um convite de organização de nossas lutas, é uma tímida, mas importante faísca para organizar essa revolta que há muito temos guardado dentro de nós. Dessa forma, enquanto estudantes enxergamos este momento e espaço que foi construído através de muita luta como uma resposta ética e política da nossa geração para o presente momento. Por isso, para o 2º Encontro Online de Saúde, Educação e Direitos Humanos, construímos eixos direcionadores para tentar pensar em conjunto: "E se essa rua fosse nossa?”.