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É fato que o racismo, além de ser um elemento estrutural, é antes de tudo um elemento estruturante para a constituição da sociedade brasileira, visto que o Brasil foi construído a partir de moldes colonialistas e consequentemente escravocratas. Dentro desta perspectiva, o conceito de “laicidade” presente em tese na atual constituição, na prática se mostra falho e encobre o racismo religioso disseminado pelo estado. Em um cenário no qual a hegemonia epistemológica é dominada pelos que possuem uma mentalidade ultra conservadora/cristã, tudo o que foge do que é tido como padrão acaba sendo condenado, negligenciado e estigmatizado. Isso faz com que preconceitos religiosos sejam propagados em nome da fé, dando asas à necropolítica que alcança, em sua maioria, os não-brancos e pobres. E a morte não é apenas a do corpo, os dogmatismos atravessados por lentes racistas matam também subjetividades de povos inteiros, fazendo com que grande parte destas populações rejeitem a própria identidade e se desvencilhem de sua conexão ancestral. Diante desta realidade, é necessário trilhar caminhos que respeitem a pluriversalidade dos seres. Deste modo, indo contra discursos genocidas e, acima de tudo, fazendo do respeito uma ética de vida.
Ao nos perguntarmos sobre a rua e convidar a comunidade alcançada por nós sobre como seria se ela fosse nossa, queremos mais do que evocar imaginações e suposições que vão além do limite da dura realidade na qual estamos submersos. Queremos convidar todes a pensar a rua como o ponto de encontro para as travessias e peregrinações que ainda temos que enfrentar. O convite para a rua é um convite de organização de nossas lutas, é uma tímida, mas importante faísca para organizar essa revolta que há muito temos guardado dentro de nós. Dessa forma, enquanto estudantes enxergamos este momento e espaço que foi construído através de muita luta como uma resposta ética e política da nossa geração para o presente momento. Por isso, para o 2º Encontro Online de Saúde, Educação e Direitos Humanos, construímos eixos direcionadores para tentar pensar em conjunto: "E se essa rua fosse nossa?”.