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A presença de elementos bantos no português falado em Angola constitui uma das características peculiares dessa variedade. O objetivo desta comunicação consiste em analisar o processo de criação de hibridismos lexicais, formados pelos prefixos nominais ka-(ca-) / ki-(qui-) do Kimbundu e palavras portuguesas, destacando os seus constituintes morfológicos e os aspetos semântico-pragmáticos. Essas palavras apresentam elementos de duas línguas diferentes, dando lugar a uma nova unidade lexical, dotada de um novo significado também (e.g., "caponteira", ‘primeiras porções de aguardente’ (Miguel 2019); "quitia", ‘ mulher grosseirona’ (Chavagne 2005)). O tipo de hibridismos aqui em análise tem sido já objeto de estudos em alguns trabalhos anteriores, cuja abordagem se tem centrado mais seu valor semântico (gradativo), associado aos prefixos ka- e ki- (Chavagne 2005; Figueiredo 2010; Santos 2015; Santos & Silva 2016), enquanto formativos dos graus diminutivo e aumentativo, quer na língua de origem quer na língua de acolhimento. Constitui novidade, neste trabalho, numa perspectiva de interface “léxico-morfologia”, a análise da estrutura interna dessas palavras, marcada pelos traços das duas línguas em interação, como é típico em unidades dessa natureza (e.g., ca-PONTEIR-a ? caponteira; qui-TI-a ? quitia). Este tipo de palavras, definido como “criações híbridas”, em Haugen (1950b), é produto do contacto linguístico (Mota 1996; Winford 2005), e enquadra-se globalmente no conjunto de empréstimos lexicais bantos no português de Angola (Miguel 2019). Nesse âmbito, a hibridação afigura-se como um dos processos de criação de novas palavras bastante produtivo, no contacto entre as línguas africanas e o português (Mbangale 2005; Sengo 2010). Privilegiando uma análise descritiva dos factos linguísticos, assente na pesquisa bibliográfica de literatura especializada e num pequeno corpus, constituído por um conjunto de unidades lexicais em questão, admito, nesta abordagem, que o PA conta com dois novos prefixos, um aspeto de grande novidade para a gramática do português. Estes elementos, despojados dos seus traços morfológicos originais, apresentam comportamento semelhante ao dos afixos modificadores do português. Assim, os hibridismos estudados, apesar de se restringirem aos contextos informais, mas com alguma tendência para o domínio formal, participam, portanto, no enriquecimento do léxico do português, refletindo os aspetos específicos da angolanidade. A presença de elementos bantos no português falado em Angola constitui uma das características peculiares dessa variedade. O objetivo desta comunicação consiste em analisar o processo de criação de hibridismos lexicais, formados pelos prefixos nominais ka-(ca-) / ki-(qui-) do Kimbundu e palavras portuguesas, destacando os seus constituintes morfológicos e os aspetos semântico-pragmáticos. Essas palavras apresentam elementos de duas línguas diferentes, dando lugar a uma nova unidade lexical, dotada de um novo significado também (e.g., "caponteira", ‘primeiras porções de aguardente’ (Miguel 2019); "quitia", ‘ mulher grosseirona’ (Chavagne 2005)). O tipo de hibridismos aqui em análise tem sido já objeto de estudos em alguns trabalhos anteriores, cuja abordagem se tem centrado mais seu valor semântico (gradativo), associado aos prefixos ka- e ki- (Chavagne 2005; Figueiredo 2010; Santos 2015; Santos & Silva 2016), enquanto formativos dos graus diminutivo e aumentativo, quer na língua de origem quer na língua de acolhimento. Constitui novidade, neste trabalho, numa perspectiva de interface “léxico-morfologia”, a análise da estrutura interna dessas palavras, marcada pelos traços das duas línguas em interação, como é típico em unidades dessa natureza (e.g., ca-PONTEIR-a ? caponteira; qui-TI-a ? quitia). Este tipo de palavras, definido como “criações híbridas”, em Haugen (1950b), é produto do contacto linguístico (Mota 1996; Winford 2005), e enquadra-se globalmente no conjunto de empréstimos lexicais bantos no português de Angola (Miguel 2019). Nesse âmbito, a hibridação afigura-se como um dos processos de criação de novas palavras bastante produtivo, no contacto entre as línguas africanas e o português (Mbangale 2005; Sengo 2010). Privilegiando uma análise descritiva dos factos linguísticos, assente na pesquisa bibliográfica de literatura especializada e num pequeno corpus, constituído por um conjunto de unidades lexicais em questão, admito, nesta abordagem, que o PA conta com dois novos prefixos, um aspeto de grande novidade para a gramática do português. Estes elementos, despojados dos seus traços morfológicos originais, apresentam comportamento semelhante ao dos afixos modificadores do português. Assim, os hibridismos estudados, apesar de se restringirem aos contextos informais, mas com alguma tendência para o domínio formal, participam, portanto, no enriquecimento do léxico do português, refletindo os aspetos específicos da angolanidade.
O VIII SIMPÓSIO MUNDIAL DE ESTUDOS DA LÍNGUA PORTUGUESA (SIMELP) é um evento consolidado, constituído por diversos simpósios, conferências, mesas-redondas e minicursos que pretendem funcionar como espaço para agregar pesquisas e discussões entre professores, pesquisadores, estudantes e profissionais interessados em áreas como Linguística, Literatura, Cultura, Tradução, Educação. O evento também se destina a profissionais de outras áreas para quem a língua portuguesa representa um ponto de interesse ou de partida para inovações tecnológicas na área do ensino e/ou de outras áreas. Em sua Edição Especial Híbrida, em 2022, a VIII edição do SIMELP destacará Angola e contará com a participação de representantes de todos os Continentes. A presença de importantes profissionais de todas as partes do mundo e a atmosfera de partilhamento trazem um impulso ainda maior para o ensino, a divulgação e a pesquisa da língua portuguesa, levando-a a confirmar e sedimentar a sua importância no cenário mundial. Entre os dias 04 a 07 de outubro do ano de 2022, o VIII SIMELP ocorrerá no formato online, cuja organização reflete uma parceria entre universidades do mundo todo nas quais a língua portuguesa é tomada como objeto de ensino e/ou de investigação e com variadas formas de difusão cultural. É com grande satisfação que convidamos a todos para participarem do VIII SIMELP. Temos a certeza de que, à semelhança de edições anteriores, o evento será bastante produtivo e irá contribuir substancialmente para o enriquecimento das pesquisas, discussões e projetos no âmbito da língua portuguesa.