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A leitura e a escrita do Português podem ser feitas por duas estratégias ou rotas: a lexical e a fonológica. Palavras com ortografia familiar tendem a ser lidas e escritas pela rota lexical. A leitura lexical se dá por de reconhecimento visual direto da forma ortográfica das palavras familiares. A escrita lexical se dá por de produção ensaiada direta da forma ortográfica das palavras familiares. Palavras familiares irregulares (com relações grafofonêmicas irregulares, como mouse, facebook) não podem ser lidas sem erro por decifragem grafema-fonema, ou escritas sem erro por cifragem fonema-grafema, logo, só podem ser corretamente lidas e escritas pela rota lexical, em que ocorre leitura por reconhecimento por familiaridade, e escrita por também familiaridade. Explicarei como calcular o grau de familiaridade ortográfica e, assim, modular o envolvimento e a eficácia da rota lexical para leitura e escrita de palavras familiares, especialmente as irregulares, que não podem ser bem lidas por decifragem nem bem escritas por cifragem. Palavras compostas de relações grafofonêmicas regulares (pata) podem ser lidas e escritas pela rota fonológica, sendo bem lidas por decifragem grafema-fonema e bem escritas por cifragem fonema-grafema. Isso independentemente da familiaridade ortográfica. Já as palavras sem qualquer familiaridade ortográfica (as palavras novas), bem como as pseudopalavras, não podem ser lidas nem escritas pela rota lexical só podem ser lidas e escritas pela rota fonológica. Como não têm qualquer familiaridade ortográfica, não podem ser reconhecidas por familiaridade, nem escritas por familiaridade. Tendo de ser lidas por decifragem e escritas por decifragem, é essencial que possamos explicar e demonstrar de modo claro, sistemático, e experimental, como mensurar o grau de dificuldade de decifrar qualquer palavra escrita do Português escrito, e de cifrar qualquer palavra do Português falado. Explicaremos como calcular o grau de regularidade grafema-fonema para a leitura (silenciosa ou em voz alta) de qualquer palavra escrita, bem como calcular o grau de regularidade fonema-grafema para a escrita (sob ditado ou na redação livre) de qualquer palavra ouvida e, assim, modular o envolvimento e a eficácia da rota fonológica para leitura e escrita. Mapeando todos os fones do Português falado e todos os grafemas do Português escrito, identificamos todas as formas de grafar cada um dos fonemas do Português falado, juntamente com suas respectivas incidências; e todas as formas de pronunciar cada um dos grafemas do Português escrito, juntamente com suas respectivas incidências. No universo das 300 relações unitárias entre grafema e fonema, identificamos o grau de prevalência de cada relação grafema-fonema. Quanto maior a prevalência de uma relação grafema-fonema, mais dominante ela é, e maior sua intrusividade e probabilidade de surgir nas paralexias. Quanto menor a prevalência de uma relação grafema-fonema, mais rara ou recessiva ela é, e logo maior sua vulnerabilidade à intrusão por uma relação dominante. Quanto maior a dominância média das relações grafema-fonema que compõem uma determinada palavra escrita a ser lida em voz alta, mais fácil é ler essa palavra em voz alta e, portanto, menor o risco de ocorrência de paralexias. Estas, no entanto, tenderão a ocorrer na decifragem das relações grafema-fonema recessivas. Quanto menor a dominância média das relações grafema-fonema que compõem uma determinada palavra escrita a ser lida em voz alta, mais difícil é ler essa palavra e, portanto, maior o risco de ocorrência de paralexias. Estas tenderão a ocorrer na decifragem das relações grafema-fonema recessivas, mas não nas dominantes. Com isso, descobrimos como mensurar precisamente o grau de dificuldade de leitura em voz alta de qualquer palavra escrita. Explicaremos precisamente todos esses mecanismos de escrita, com muitos exemplos. No universo das 300 relações unitárias entre fonema e grafema, identificamos o grau de prevalência de cada relação fonema-grafema. Quanto maior a prevalência de uma relação fonema-grafema, mais dominante ela é, e maior sua intrusividade e probabilidade de surgir nas paragrafias. Quanto menor a prevalência de uma relação fonema-grafema, mais rara ou recessiva ela é, e logo maior sua vulnerabilidade à intrusão por uma relação dominante. Quanto maior a dominância média das relações fonema-grafema que compõem uma determinada palavra ouvida a ser escrita sob ditado, mais fácil é escrever essa palavra e, portanto, menor o risco de ocorrência de paragrafias. Estas, no entanto, tenderão a ocorrer na cifragem das relações fonema-grafema recessivas. Quanto menor a dominância média das relações fonema-grafema que compõem uma determinada palavra ouvida a ser escrita sob ditado, mais difícil é escrever essa palavra e, portanto, maior o risco de ocorrência de paragrafias. Estas tenderão a ocorrer na cifragem das relações fonema-grafema recessivas, mas não nas dominantes. Com isso, descobrimos como mensurar precisamente o grau de dificuldade de escrita sob ditado de qualquer palavra ouvida. Vamos explicar precisamente todos esses mecanismos de escrita, com muitos exemplos. Ouvintes videntes recebem a fala por audição e visão, e sua percepção é fusão do input auditivo com o visual, como demonstra o efeito McGurk. Ouvintes cegos recebem a fala por audição apenas. Para esses ouvintes cegos, empreendemos o mapeamento das relações entre as unidades da fala ouvida (fonemas) e as unidades de escrita (grafemas). Videntes surdos recebem a fala por visão apenas, por meio de leitura orofacial visual. Para esses videntes surdos, empreendemos o mapeamento das relações entre as unidades da fala vista (optolalemas) e as unidades de escrita (grafemas). Com isso, descobrimos como mensurar precisamente o grau de dificuldade de escrita sob ditado de qualquer palavra lida orofacialmente por visão. Vamos explicar precisamente todos esses mecanismos de escrita, com muitos exemplos. Surdocegos recebem a fala por tato apenas, por meio de leitura orofacial tátil. Para esses surdocegos, empreendemos o mapeamento das relações entre as unidades da fala tateada (hapsilalemas) e as unidades de escrita (grafemas). Com isso, descobrimos como mensurar precisamente o grau de dificuldade de escrita sob ditado de qualquer palavra lida orofacialmente por tato. Vamos explicar precisamente todos esses mecanismos de escrita, com muitos exemplos.
O VIII SIMPÓSIO MUNDIAL DE ESTUDOS DA LÍNGUA PORTUGUESA (SIMELP) é um evento consolidado, constituído por diversos simpósios, conferências, mesas-redondas e minicursos que pretendem funcionar como espaço para agregar pesquisas e discussões entre professores, pesquisadores, estudantes e profissionais interessados em áreas como Linguística, Literatura, Cultura, Tradução, Educação. O evento também se destina a profissionais de outras áreas para quem a língua portuguesa representa um ponto de interesse ou de partida para inovações tecnológicas na área do ensino e/ou de outras áreas. Em sua Edição Especial Híbrida, em 2022, a VIII edição do SIMELP destacará Angola e contará com a participação de representantes de todos os Continentes. A presença de importantes profissionais de todas as partes do mundo e a atmosfera de partilhamento trazem um impulso ainda maior para o ensino, a divulgação e a pesquisa da língua portuguesa, levando-a a confirmar e sedimentar a sua importância no cenário mundial. Entre os dias 04 a 07 de outubro do ano de 2022, o VIII SIMELP ocorrerá no formato online, cuja organização reflete uma parceria entre universidades do mundo todo nas quais a língua portuguesa é tomada como objeto de ensino e/ou de investigação e com variadas formas de difusão cultural. É com grande satisfação que convidamos a todos para participarem do VIII SIMELP. Temos a certeza de que, à semelhança de edições anteriores, o evento será bastante produtivo e irá contribuir substancialmente para o enriquecimento das pesquisas, discussões e projetos no âmbito da língua portuguesa.