TESSITURAS E REFLEXÕES EPISTEMOLÓGICAS NA CULTURA DIGITAL: UMA CRÍTICA DECOLONIAL SOBRE A FORMAÇÃO DE PROFESSORES/AS PARA A EAD

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2129-6

Título do Trabalho
TESSITURAS E REFLEXÕES EPISTEMOLÓGICAS NA CULTURA DIGITAL: UMA CRÍTICA DECOLONIAL SOBRE A FORMAÇÃO DE PROFESSORES/AS PARA A EAD
Autores
  • LUANA RIBEIRO PINTO ARAUJO
  • Regis Glauciane Santos de Souza
Modalidade
Trabalhos acadêmicos
Área temática
Eixo 10: Tecnologias digitais nas novas configurações do trabalho e da formação de professores
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xiv-seminario-internacional-rede-estrado/1248238-tessituras-e-reflexoes-epistemologicas-na-cultura-digital--uma-critica-decolonial-sobre-a-formacao-de-professore
ISBN
978-65-272-2129-6
Palavras-Chave
Formação de professoras/es. Educação a distância. Decolonialidade. Cultura digital.
Resumo
A Educação a Distância (EAD), potencializada pelas tecnologias digitais e pela demanda por flexibilização dos processos formativos, se insere em um contexto de expansão e mudanças na educação contemporânea. Contudo, seu crescimento ocorre em meio a tensões e contradições, sobretudo no que se refere à formação de professoras/es. Este trabalho, ancorado em leituras do componente curricular Estudos Avançados em Educação e Contemporaneidade (PPGEduC/UNEB), propõe uma análise crítica e decolonial das configurações do trabalho docente na EAD, problematizando os impactos da cultura digital sobre práticas pedagógicas formativas, epistemologias e tecnologias envolvidas. Isso, porque, a inserção das tecnologias digitais no campo educacional não é neutra. Se por um lado ampliam acessos e fomentam inovações pedagógicas, por outro, podem reforçar lógicas coloniais e hegemônicas de produção do conhecimento. Autoras/es como Catherine Walsh, Enrique Téllez Fabiani, Angelo Dantas de Oliveira e Bernardete Gatti sustentam a necessidade de tensionar os fundamentos da formação docente diante da colonialidade presente nos discursos institucionais, nas práticas pedagógicas e nas arquiteturas tecnológicas que moldam a EAD. Assim, não basta discutir o uso instrumental das ferramentas, é preciso problematizar seus sentidos políticos, simbólicos e afetivos na organização do trabalho docente e na constituição de saberes. A partir desse referencial, defende-se a urgência de uma EAD pluriversal, situada e comprometida com a justiça social, que valorize saberes locais, linguagens diversas e epistemologias insurgentes. Uma EAD que enfrenta o racismo institucional e a discriminação de gênero e correlatas nas práticas pedagógicas formativas e, consequentemente, a colonialidade do ser, saber e poder que hierarquizam existências. A formação docente nesse cenário não pode restringir-se à operacionalização de plataformas ou à reprodução de conteúdos previamente definidos. É necessário promover deslocamentos epistemológicos que convoquem à escuta de narrativas silenciadas, à valorização das experiências corporificadas e à construção de metodologias que respeitem trajetórias, territórios e subjetividades nos espaços virtuais de aprendizagem. O trabalho docente na EAD, atravessado pela cultura digital, reorganiza-se em meio a exigências de produtividade, flexibilidade e performatividade, acentuando precariedades e invisibilizando o papel formativo da/o professora/or. Nesse contexto, a cultura digital opera como campo de disputas, onde coexistem forças de dominação e possibilidades de resistência. Por isso, a formação crítica exige um projeto político-pedagógico que se oponha ao tecnicismo reprodutivista e à lógica neoliberal dominante nas políticas educacionais. A tessitura apresentada demonstra que a EAD pode ser tanto instrumento de reprodução de desigualdades quanto espaço de práticas contra-hegemônicas. O ponto de inflexão está no projeto político formativo: ou se reafirmam modelos coloniais baseados em suposta neutralidade, meritocracia e invisibilização de saberes subalternizados; ou se trilham caminhos educativos que reconheçam a multiplicidade de vozes e experiências. Tal percurso exige coragem institucional, formação continuada crítica e compromisso ético-político de docentes dispostas/os a romper com zonas de conforto, desnaturalizar privilégios e enfrentar estruturas de opressão. Adotar uma abordagem decolonial na formação docente para a EAD também implica compreender a linguagem como potência formadora. Ela pode aprisionar ou libertar, reproduzir exclusões ou ampliar horizontes. Com efeito, repensar os modos de comunicar, ensinar e aprender nos ambientes digitais é essencial para que esses espaços acolham a diversidade de sujeitos. Isso demanda ações concretas sobre currículo, metodologias de ensino, recursos didáticos pedagógicos, avaliação e composição das equipes pedagógicas, garantindo representatividade e inclusão. Nesse horizonte, a formação docente na EAD, tendo como meio, a cultura digital e orientada por uma perspectiva decolonial, pode constituir-se em prática de insurgência pedagógica. Cada docente que ousa escutar narrativas antes marginalizadas, cada currículo que incorpora referências múltiplas e cada plataforma que promove diálogo em vez de mera entrega de conteúdos, representam atos políticos de ruptura. Educar, neste contexto, é posicionar-se eticamente, escolhendo a justiça social, o reconhecimento intersubjetivo e a pluralidade. Assim, semear “mundos outros possíveis” na EAD exige mais que boas intenções ou inovações técnicas: requer decisões políticas conscientes. A formação docente deve comprometer-se com a valorização da diversidade, com a afirmação de saberes comunitários e com a construção de práticas mais humanas, críticas e transformadoras. A tecnologia, nesse cenário, deixa de ser mero instrumento e passa a constituir meio de reexistência e emancipação.
Título do Evento
XIV SEMINÁRIO INTERNACIONAL DA REDE ESTRADO
Cidade do Evento
Salvador
Título dos Anais do Evento
Anais Rede Estrado
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

ARAUJO, LUANA RIBEIRO PINTO; SOUZA, Regis Glauciane Santos de. TESSITURAS E REFLEXÕES EPISTEMOLÓGICAS NA CULTURA DIGITAL: UMA CRÍTICA DECOLONIAL SOBRE A FORMAÇÃO DE PROFESSORES/AS PARA A EAD.. In: Anais Rede Estrado. Anais...Salvador(BA) UNEB, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xiv-seminario-internacional-rede-estrado/1248238-TESSITURAS-E-REFLEXOES-EPISTEMOLOGICAS-NA-CULTURA-DIGITAL--UMA-CRITICA-DECOLONIAL-SOBRE-A-FORMACAO-DE-PROFESSORE. Acesso em: 10/02/2026

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