CORPO, VIDA-EDUCAÇÃO E A TESE COMO PROCESSO INFINITO: ENTRE A SUBMISSÃO E A INSUBORDINAÇÃO NA ESCRITA ACADÊMICA

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2129-6

Título do Trabalho
CORPO, VIDA-EDUCAÇÃO E A TESE COMO PROCESSO INFINITO: ENTRE A SUBMISSÃO E A INSUBORDINAÇÃO NA ESCRITA ACADÊMICA
Autores
  • Marcela Botelho Brasil
  • Livia Alessandra Fialho da Costa
Modalidade
Trabalhos acadêmicos
Área temática
Eixo 9: Culturas, artes e educação na formação e no trabalho dos professores
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xiv-seminario-internacional-rede-estrado/1246662-corpo-vida-educac%3fa~o-e-a-tese-como-processo-infinito--entre-a-submissa~o-e-a-insubordinac%3fa~o-na-escrita-acade
ISBN
978-65-272-2129-6
Palavras-Chave
corpo; vida-educação; tese infinita; escrita decolonial.
Resumo
A pesquisa propõe uma reflexão crítica e poética sobre a escrita acadêmica, tomando o corpo como categoria central de estudo e criação epistemológica. A Tese Infinita nasce como um gesto de insubordinação ao modelo tradicional de produção científica, questionando a linearidade, a rigidez estrutural e a normatividade linguística que sustentam a colonialidade do saber. Ancorada nas epistemologias do Sul e em práticas de pesquisa encarnadas, a autora reivindica uma escrita viva, performática e aberta, que reconhece a vida como campo de educação — uma vida-educação — e o corpo como território epistêmico, político e estético. Assim, o texto se constitui como um espaço de resistência e criação, no qual o saber acadêmico se entrelaça às memórias corporais, afetivas e ancestrais, desafiando fronteiras entre arte, ciência e espiritualidade. O trabalho insere-se na Linha de Pesquisa 1: Processos Civilizatórios: Educação, Memória e Pluralidade Cultural, do Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade da Universidade do Estado da Bahia (PPGEduC/UNEB) e dialoga com perspectivas decoloniais (Walsh, Dussel, Krenak, hooks, Martins, Rufino) que defendem a desobediência epistemológica e o reconhecimento de saberes produzidos fora dos cânones eurocêntricos. Nesse sentido, a autora propõe a noção de corpos-autoria — expressão que ressalta corpos {e histórias de vida} totalmente implicados em suas produções, corpos com poder de criação de enunciações próprias e de práticas de saber. A escrita se torna, portanto, gesto de presença, expressão e criação, rompendo com o paradigma cartesiano e com a linguagem que historicamente legitima apenas determinadas vozes. O conceito de vida-educação, que se fortaleceu após o encontro com a obra de Jessé Campos (2024), atravessa toda a tese como eixo ontológico e político, afirmando que educar é viver, e viver é um processo contínuo de aprendizagem e resistência. Corpo é ancestralidade e memória, compreendido como arquivo vivo que guarda saberes intergeracionais e histórias de resistência. Encontros com mestres e mestras da dança afrobaiana — como Rosangela Silvestre, Mestre King e Zebrinha — e com agentes da fotografia negra, como Lázaro Roberto e José Carlos Ferreira dos Santos Filho, responsáveis pelo Arquivo Afro Fotográfico Zumví, ampliam o campo da pesquisa ao reconhecer a produção artística e cultural como forma legítima de conhecimento e como pedagogia viva da imagem, do gesto e da luz. A proposta rompe deliberadamente com o formato acadêmico convencional de introdução, metodologia, resultados e conclusão, assumindo uma escrita espiralar, em constante devir, numa metodologia que contempla a livre fruição do pensamento crítico, inspirada em experiências corporais e artísticas, que acolhe repetições, silêncios, desvios e errâncias como parte do processo criativo. Novos termos como corpo-vivência, corpo-memória e corpos-autoria emergem como neologismos políticos, instaurando uma linguagem inclusiva e não dicotômica. Nesse fluxo, surge também a denúncia da paralisia corporal acadêmica — metáfora para o imobilismo produzido pelas regras da escrita científica — e o convite para uma epistemologia da liberdade, na qual o pensamento se move como corpos dançantes. Os encontros com pensadores e artistas indígenas, como Justino Tuyuka e Rosijane Tukano, intensificam a crítica à supremacia da palavra escrita, reafirmando a potência das imagens e oralidades como formas autônomas de produção de saber. A visualidade, a performance e o corpo tornam-se linguagens epistemológicas, revelando a necessidade de uma ciência que abrace o sensível, o político e o espiritual. Desse modo, o trabalho não apenas discute Corpo e Vida-Educação, mas encarna essas dimensões, operando como texto-performance e arte-pesquisa. Ainda nesta gira, a Tese Infinita propõe a coexistência do trabalho acadêmico com outros formatos de conhecimento, neste caso, inspirado nas artes cênicas e intitulado uma Tese-Espetáculo, que transpõe os limites do texto e incorpora a dança como modo de expressão do conhecimento. A pesquisa se confunde com a vida e se recusa a concluir-se; inaugura, em vez disso, uma temporalidade espiralar, inspirada na sabedoria griô de Nêgo Bispo: “começo, meio e começo”. A escrita torna-se um ato de insurgência e de celebração dos corpos plurais, afirmando que todo saber é movimento e que toda educação é, antes de tudo, corpo em criação.
Título do Evento
XIV SEMINÁRIO INTERNACIONAL DA REDE ESTRADO
Cidade do Evento
Salvador
Título dos Anais do Evento
Anais Rede Estrado
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BRASIL, Marcela Botelho; COSTA, Livia Alessandra Fialho da. CORPO, VIDA-EDUCAÇÃO E A TESE COMO PROCESSO INFINITO: ENTRE A SUBMISSÃO E A INSUBORDINAÇÃO NA ESCRITA ACADÊMICA.. In: Anais Rede Estrado. Anais...Salvador(BA) UNEB, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xiv-seminario-internacional-rede-estrado/1246662-CORPO-VIDA-EDUCAC%3fA~O-E-A-TESE-COMO-PROCESSO-INFINITO--ENTRE-A-SUBMISSA~O-E-A-INSUBORDINAC%3fA~O-NA-ESCRITA-ACADE. Acesso em: 13/03/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes