O TIROCÍNIO DOCENTE COMO EXPERIÊNCIA FORMATIVA ANTIRRACISTA: O DIÁLOGO ENTRE A PÓS-GRADUAÇÃO E A GRADUAÇÃO

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2129-6

Título do Trabalho
O TIROCÍNIO DOCENTE COMO EXPERIÊNCIA FORMATIVA ANTIRRACISTA: O DIÁLOGO ENTRE A PÓS-GRADUAÇÃO E A GRADUAÇÃO
Autores
  • Stefanny Martins Lopes de Araújo
  • ERICA SAMILY SILVA TEIXEIRA BOA SORTE
  • Dinalva De Jesus Santana Macêdo
Modalidade
Relatos de experiência
Área temática
Eixo 7: Formação e trabalho de professores em perspectivas feministas, interseccional, de gênero e raça
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xiv-seminario-internacional-rede-estrado/1236698-o-tirocinio-docente-como-experiencia-formativa-antirracista--o-dialogo-entre-a-pos-graduacao-e-a-graduacao
ISBN
978-65-272-2129-6
Palavras-Chave
Tirocínio Docente; Educação antirracista; Formação Docente; Decolonialidade.
Resumo
O presente artigo tem como objetivo refletir sobre o tirocínio docente como um espaço de formação crítica, intercultural e antirracista, a partir da experiência vivida por duas mestrandas do Programa de Pós-Graduação em Educação e Formação Docente (PPGEDuF/UNEB), no componente curricular de História e Cultura Afro-brasileira e Indígena, no curso de Pedagogia da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) – Campus XII. A atividade formativa ocorreu entre março e julho de 2025, sob a supervisão de uma professora doutora, a experiência possibilitou a articulação entre teoria e prática e o fortalecimento de uma formação comprometida com a decolonialidade e a justiça social. O tirocínio docente, previsto na formação para o ensino superior, se configurou como um espaço fecundo de aprendizagem, reflexão e construção coletiva, voltado à transformação das práticas pedagógicas e à valorização das identidades étnico-raciais. As atividades realizadas incluíram observação de aulas, planejamento, leitura e discussão de textos, além da condução de momentos teóricos e práticos. Inicialmente, as mestrandas observaram as aulas e escutaram as expectativas dos(as) estudantes, favorecendo uma aproximação dialógica e a criação de um ambiente colaborativo entre mestrandas, licenciandos(as) e professora supervisora. A construção coletiva foi um eixo central da experiência, consolidando um espaço de trocas que estimulou a criticidade e a sensibilidade diante das questões étnico-raciais. Em uma das aulas, os(as) estudantes foram convidados(as) a compartilhar suas percepções sobre a África. As respostas revelaram um olhar mais positivo, associado à ancestralidade e resistência, mas ainda atravessado por estereótipos, resultado de uma escolarização historicamente marcada pela colonialidade do ser, do saber e do poder (Quijano, 2005). Os seminários temáticos realizados pelos(as) estudantes ampliaram o debate sobre temas como racismo, branquitude, educação escolar quilombola e indígena, educação antirracista e ensino das relações étnico-raciais. As discussões contribuíram para o reconhecimento da diversidade e para o enfrentamento do racismo nas práticas educativas. As leituras das obras O perigo de uma história única, de Chimamanda Adichie (2019), e Como ser um educador antirracista, de Bárbara Carine Pinheiro (2023), propiciaram a elaboração de resumos, apresentações e materiais pedagógicos, estimulando o questionamento das narrativas eurocêntricas e o engajamento dos(as) estudantes na construção de práticas emancipatórias. Entre as atividades conduzidas pelas mestrandas, destacou-se uma aula sobre mulheres negras latino-americanas e caribenhas, iniciada com o questionamento: “Que mulher negra marcou sua trajetória?”. As respostas trouxeram tanto figuras familiares quanto intelectuais, como bell hooks e Nilma Lino Gomes, demonstrando como as experiências pessoais e coletivas se entrelaçam no processo formativo. Esse momento evidenciou o potencial do componente curricular para fortalecer identidades étnico-raciais e promover o combate às opressões de gênero, raça e classe. Os resultados dessa experiência formativa apontam para a importância do tirocínio docente como espaço de transgressão e de descolonização dos currículos das licenciaturas, especialmente o de Pedagogia, em direção a uma educação comprometida com a justiça curricular, cognitiva e social (Gomes, 2017). O tirocínio, mais do que um requisito acadêmico, revelou-se um espaço de escuta ativa, de diálogo e de (re)construção de saberes, que contribuiu para o fortalecimento do compromisso das mestrandas e dos(as) estudantes com uma educação antirracista, decolonial e transformadora. Em síntese, o tirocínio docente proporcionou uma vivência significativa de formação compartilhada, reafirmando o papel da universidade como espaço de resistência e produção de saberes outros. A experiência reafirma a urgência de formar educadores e educadoras sensíveis à diversidade, comprometidos(as) com a justiça racial e com a construção de práticas pedagógicas emancipadoras, em consonância com os princípios das epistemologias do Sul.
Título do Evento
XIV SEMINÁRIO INTERNACIONAL DA REDE ESTRADO
Cidade do Evento
Salvador
Título dos Anais do Evento
Anais Rede Estrado
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

ARAÚJO, Stefanny Martins Lopes de; SORTE, ERICA SAMILY SILVA TEIXEIRA BOA; MACÊDO, Dinalva De Jesus Santana . O TIROCÍNIO DOCENTE COMO EXPERIÊNCIA FORMATIVA ANTIRRACISTA: O DIÁLOGO ENTRE A PÓS-GRADUAÇÃO E A GRADUAÇÃO.. In: Anais Rede Estrado. Anais...Salvador(BA) UNEB, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xiv-seminario-internacional-rede-estrado/1236698-O-TIROCINIO-DOCENTE-COMO-EXPERIENCIA-FORMATIVA-ANTIRRACISTA--O-DIALOGO-ENTRE-A-POS-GRADUACAO-E-A-GRADUACAO. Acesso em: 15/03/2026

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