ARTRITE SÉPTICA NO PERÍODO NEONATAL - RELATO DE CASO

Publicado em 19/02/2025 - ISSN: 2675-8563

Título do Trabalho
ARTRITE SÉPTICA NO PERÍODO NEONATAL - RELATO DE CASO
Autores
  • Julia Gentil
  • Ana Beatriz de Andrade Lovatte
  • Fernanda Diniz Coelho
  • Felipe Moliterno
  • NATHALIA VEIGA MOLITERNO
  • Alvaro José Martins de Oliveira Veiga
  • Eneida Quadrio De Oliveira Veiga
Modalidade
RELATOS DE CASO - casos raros, nunca ou pouco descritos na literatura, assim como situações que incluam formas inovadoras de diagnóstico e/ou tratamento.
Área temática
CUIDADO E HUMANIZAÇÃO EM SAÚDE - Cuidado em saúde transcende a realização de técnicas e aspectos físicos, contempla a compreensão do conceito ampliado de saúde, e envolve uma interação afetiva que respeita, acolhe e considera a diversidade da existência humana. Nesse contexto, a humanização significa dialogar com a singularidade de cada pessoa, reconhecendo suas crenças e valores, compartilhando assim um ambiente de cuidado implicado com a realidade, com as políticas públicas e com a necessidade dos coletivos que vivem nos territórios.
Data de Publicação
19/02/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/scunifasefmp2024/949434-artrite-septica-no-periodo-neonatal---relato-de-caso
ISSN
2675-8563
Palavras-Chave
Artrite séptica, articulação, recém nascido
Resumo
Introdução: A artrite séptica neonatal é uma infecção da membrana sinovial que ocorre por penetração via hematogênica ou por contiguidade, sendo considerada uma emergência médica. Em lactentes, a patologia se apresenta majoritariamente como sepse ou apenas febre com foco infeccioso desconhecido. No relato a seguir, paciente apresenta sinais clínicos incomuns para a faixa etária, tornando essa narrativa importante para abranger a sintomatologia possível em neonatos e possibilitar diagnósticos precoces. A artrite séptica está relacionada ao ambiente hospitalar, devendo-se atentar aos seus fatores de risco, como presença de infecções cutâneas ou cateteres e outras invasões. Vale ressaltar que a condição apresenta maior prevalência em crianças menores de 2 anos e do sexo masculino, e tem como agente etiológico principal o Staphylococcus aureus (S. aureus), sendo o mais prevalente na faixa neonatal intra hospitalar, compatível com o caso descrito. Relato de caso: Recém nascido (RN) sexo feminino, a termo, de parto cesáreo por iteratividade e descolamento prematuro de membranas ovalares, sem necessidade de reanimação na sala de parto. Evoluiu com desconforto respiratório precoce, cianose periférica, sendo indicada internação em unidade de terapia intensiva (UTI). No quarto dia de vida, RN apresentou hiperemia em deltóide esquerdo e lesão pustulosa não supurativa, associada a edema e calor local em região de tentativa de punção venosa periférica. Solicitado rastreio infeccioso, o qual foi negativo. Após 4 dias de evolução, paciente apresentou dor à mobilização, postura antálgica e um episódio de 38,7°C, sendo solicitados novos exames, entre eles, hemocultura e iniciada investigação por meio de ultrassonografia (USG) de deltóide esquerdo, tendo como resultado, em laudo, pequena área hipoecóica, correspondente a coleção purulenta, não sendo necessária a drenagem desse pequeno abscesso. Hemocultura evidenciou S. aureus positivo com antibiograma demonstrando S. aureus resistente à meticilina (MRSA). Sendo iniciado tratamento com vancomicina e cefepime endovenosos, com duração de 21 dias. Hemogramas seriados tiveram como resultado a contagem de leucócitos totais de 13.630, além de proteína C reativa (PCR) e velocidade de hemossedimentação (VHS) elevados. Além da antibioticoterapia, a investigação por imagem do foco infeccioso deu-se sequência com exame de ressonância nuclear magnética (RNM), que possibilitou visualização de derrame articular glenoumeral associado a espessamento capsular, com diagnóstico presuntivo de artrite séptica, sendo corroborado por alterações laboratoriais e quadro clínico compatível. Foi realizada drenagem cirúrgica do espaço articular infectado, sem intercorrências. Ao fim do tratamento, a paciente evoluiu com regressão completa da sintomatologia e segue em acompanhamento com pediatra, ortopedista e fisioterapeuta, além de vigilância clínica semestral. Discussão: A artrite séptica é um quadro infeccioso de baixa incidência, porém com desfechos graves, como osteomielite, alterações do crescimento do membro afetado, necrose avascular e luxação articular quando não diagnosticada e tratada a tempo. Este estudo contribui para a compreensão da manifestação clínica da doença no período neonatal, orientação quanto aos métodos diagnósticos de escolha e manejo terapêutico adequado. Com isso, busca-se um melhor prognóstico aos pacientes acometidos além de corroborar com estudos e referências na área. Além disso, por ter como fator de risco intervenções realizadas frequentemente em ambiente hospitalar, se faz necessário enfatizar a importância da implementação e fiscalização de protocolos de assepsia. Dessa forma, se faz necessário avaliar a indicação para tal conduta, a fim de evitar exposições desnecessárias ao paciente devido ao risco aumentado de infecção nosocomial. O tratamento escolhido para o paciente do caso relatado foi a abordagem cirúrgica ortopédica associada a Vancomicina e Cefepime, a qual está pautada na literatura, que também recomenda o tratamento multidisciplinar e antibioticoterapia de escolha individualizada, guiada por hemocultura ou, quando disponível, artrocentese com cultura do líquido sinovial. Conforme descrito pela Sociedade Brasileira de Pediatria, não sendo possível a realização da artrocentese com análise do material, padrão ouro para diagnóstico, a maneira alternativa de fazer-lo são parâmetros clínicos presuntivos dessa patologia, sendo esses: febre > 38,5ºC, dor com limitação de movimento passivos, limitações de apoio e deambulação, VHS > 40mm/1ª hora e leucócitos > 12000/mm³. Quando presentes os quatro parâmetros citados, como no caso descrito, há 99,6% de probabilidade do diagnóstico preciso dessa patologia. Conclusão: Este relato de caso ressalta a relevância do diagnóstico precoce e do manejo adequado da artrite séptica em neonatos, devido ao risco de desfechos adversos graves, com elevada morbidade e por ser um quadro de baixa incidência. Além disso, destaca-se o papel fundamental da assepsia adequada antes de procedimentos invasivos e durante sua manutenção, visto que esses se tornam foco primário para infecção do patógeno S. aureus prevalente em ambiente hospitalar. O diagnóstico com os métodos apropriados, associado ao tratamento com antibioticoterapia adequada pode levar à resolução completa do quadro clínico, sem repercussões futuras. Profissionais de saúde devem estar cientes dos sinais clínicos, complicações potenciais, métodos de diagnóstico e opções de tratamento disponíveis para garantir um melhor prognóstico aos pacientes afetados por essa doença.
Título do Evento
XXX Semana Científica UNIFASE/FMP
Cidade do Evento
Petrópolis
Título dos Anais do Evento
Anais da Semana Científica
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

GENTIL, Julia et al.. ARTRITE SÉPTICA NO PERÍODO NEONATAL - RELATO DE CASO.. In: Anais da Semana Científica. Anais...Petrópolis(RJ) UNIFASE/FMP, 2024. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/SCUNIFASEFMP2024/949434-ARTRITE-SEPTICA-NO-PERIODO-NEONATAL---RELATO-DE-CASO. Acesso em: 31/08/2025

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