TROMBOCITOSE ESSENCIAL COMO FATOR PRECIPITANTE DE ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO: UM RELATO DE CASO

Publicado em 19/02/2025 - ISSN: 2675-8563

Título do Trabalho
TROMBOCITOSE ESSENCIAL COMO FATOR PRECIPITANTE DE ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO: UM RELATO DE CASO
Autores
  • Julia Gentil
  • Ana Carolina Espinosa
  • Bernardo Fernandes Coutinho
  • Amanda Bicudo Bruno Nogueira
Modalidade
RELATOS DE CASO - casos raros, nunca ou pouco descritos na literatura, assim como situações que incluam formas inovadoras de diagnóstico e/ou tratamento.
Área temática
CUIDADO E HUMANIZAÇÃO EM SAÚDE - Cuidado em saúde transcende a realização de técnicas e aspectos físicos, contempla a compreensão do conceito ampliado de saúde, e envolve uma interação afetiva que respeita, acolhe e considera a diversidade da existência humana. Nesse contexto, a humanização significa dialogar com a singularidade de cada pessoa, reconhecendo suas crenças e valores, compartilhando assim um ambiente de cuidado implicado com a realidade, com as políticas públicas e com a necessidade dos coletivos que vivem nos territórios.
Data de Publicação
19/02/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/scunifasefmp2024/949416-trombocitose-essencial-como-fator-precipitante-de-acidente-vascular-encefalico--um-relato-de-caso
ISSN
2675-8563
Palavras-Chave
trombocitose essencial, plaquetas, acidente vascular encefálico
Resumo
Introdução: A trombocitose essencial (TE) é uma doença hematológica manifestada a partir da reprodução clonal exacerbada de células do sangue, especialmente os megacariócitos, caracterizando-se como uma neoplasia mieloproliferativa crônica (NMC). Sabe-se que essa condição está associada a mutações genéticas do gene Janus Kinase 2 (JAK2), sendo o diagnóstico de maior prevalência em mulheres de idade avançada. Os pacientes com TE apresentam maior susceptibilidade a eventos hemorrágicos e trombóticos, podendo se apresentar com hematomas, cefaleias, vertigem, síncope, e também com eventos de maior gravidade como acidente vascular encefálico (AVE). O presente caso relata um quadro clínico com apresentação potencialmente grave, um AVE por estado de hipercoagulabilidade em um paciente masculino idoso, o que é infrequente nessa patologia, tornando o caso atípico e interessante para ser relatado em literatura. Relato de caso: P. R., 73 anos, masculino, branco, ex-tabagista e abstêmio há 10 anos, hipertenso, dislipidêmico e diabético em tratamento irregular dessas comorbidades, procurou atendimento médico em unidade de pronto atendimento (UPA) no dia 20/07 apresentando quadro súbito de paresia em membro superior esquerdo associado a cefaleia de moderada intensidade. A tomografia computadorizada (TC) de crânio realizada no mesmo dia do início dos sintomas, excluía diagnóstico de possível AVE hemorrágico ou presença de lesões sólidas intraparenquimatosas. A TC de controle, realizada 48 horas após o 1º exame, evidenciou insultos isquêmicos subagudos difusos em lobo parietal e occipital, no hemisfério direito. Ainda na UPA, nos exames laboratoriais, foi evidenciada trombocitose (928mil), hipercalemia, aumento de enzimas hepáticas, hipoalbuminemia, hipomagnesemia e elevação de uréia e creatinina. A ressonância magnética de crânio feita no dia 23/07 evidenciou injúria isquêmica recente, com resíduos hemáticos. No dia 29/07 foi encaminhado para hospital de referência para investigação hematológica. Permaneceu sob vigilância clínica, assintomático. No dia 03/08 evoluiu com novo episódio de paresia súbita em MSE com recuperação espontânea após algumas horas. No dia 05/08 o hemograma apresentava 980 mil plaquetas, sendo solicitado o teste da mutação do gene JAK2. O paciente permaneceu internado até o dia 09/08 com aumento da trombocitose, 1.700.000 de plaquetas, sem novos eventos isquêmicos, com condições de alta hospitalar. No dia 18/08 o aspirado de medula óssea mostrou hipercelularidade, com 70% de tecido hematopoiético; setor megacariocítico hipercelular com células grandes multi lobadas, algumas gigantes formando grupamentos desorganizados, sugerindo trombocitose essencial. Discussão:A TE é o tipo mais comum de NMC e sua incidência aumentando com a idade, tendo 50-60 anos e sexo feminino como perfil comum de acometimento. Entretanto o relato se trata de um homem, com idade mais avançada, apresentando eventos trombóticos, que se manifestaram em forma de AVE isquêmico, o que corrobora com a literatura descrita, sendo esse evento clínico comumente a primeira apresentação da TE. Entretanto, essa patologia é um diagnóstico de exclusão. Por isso, na avaliação inicial deve-se confirmar o resultado de trombocitose por meio de análise de lâmina de sangue periférico, se confirmada, prosseguir para exclusão de condições secundárias. Além disso se faz necessário avaliar os critérios diagnósticos desta patologia, que são subdivididos em critérios maiores e menores, sendo eles: contagem de plaquetas maior que 450.000; medula óssea com hiperplasia megacariocítica, revelando megacariócitos maduros, hiperlobulados e agrupados; além da obrigatoriedade da presença de uma das seguintes mutações genéticas: JAK2/CALR/MPL, a exclusão de outras causas sistêmicas capazes de elevar plaquetas, e ainda, o único critério menor: a existência de outro marcador clonal presente ou a ausência de evidência de trombocitose reacional. É possível fechar o diagnóstico com a presença dos 4 critérios maiores, ou com 3 critérios maiores associados ao critério menor. O paciente do caso descrito apresentava os 3 critérios maiores e o menor, com isso, diagnóstico confirmado. Contudo, após determinação da etiologia dos AVEs, tendo em vista um paciente idoso, com múltiplas comorbidades associadas, com alto risco cardiovascular, é mandatório realizar a estratificação de risco, através de escores específicos, para estimar a probabilidade de novos episódios de trombose, e assim determinar o tratamento. Os parâmetros analisados para estratificar essa patologia são: idade maior que 60 anos, histórico de trombose, presença de mutação JAK2, e fatores que conferem alto risco cardiovascular. Dessa forma, o paciente do presente relato se enquadra como sendo de risco intermediário, principalmente no que tange a ocorrência de eventos cardiovasculares fatais, uma vez que apresenta comorbidades importantes como fatores de risco e, ainda, a associação com a TE. Conclusão: A TE é uma NMC sem cura, mas que apresenta uma boa resposta ao tratamento medicamentoso profilático. Nesse sentido, vale ressaltar a sua apresentação como uma doença silenciosa, com o diagnóstico muitas vezes dificultado, em sua grande maioria baseado em achados laboratoriais ou relacionado com a ocorrência de episódios de eventos trombóticos, os quais podem ser recorrentes. Visando prolongar a sobrevida e prevenir a ocorrência de eventos fatais, o diagnóstico precoce, é de extrema importância para o início do tratamento, tem como finalidade prevenção de eventos trombóticos com uso de ácido acetilsalicílico e um agente citorredutor, sendo a Hidroxiureia a primeira escolha farmacológica. Ademais, o acompanhamento hematológico também se mostra necessário, uma vez que a TE pode evoluir com transformação leucêmica. Vale ressaltar ainda que o controle adequado das comorbidades base do paciente são imprescindíveis e são sobretudo os fatores predisponentes para eventos fatais, como o AVE.
Título do Evento
XXX Semana Científica UNIFASE/FMP
Cidade do Evento
Petrópolis
Título dos Anais do Evento
Anais da Semana Científica
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

GENTIL, Julia et al.. TROMBOCITOSE ESSENCIAL COMO FATOR PRECIPITANTE DE ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO: UM RELATO DE CASO.. In: Anais da Semana Científica. Anais...Petrópolis(RJ) UNIFASE/FMP, 2024. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/SCUNIFASEFMP2024/949416-TROMBOCITOSE-ESSENCIAL-COMO-FATOR-PRECIPITANTE-DE-ACIDENTE-VASCULAR-ENCEFALICO--UM-RELATO-DE-CASO. Acesso em: 31/08/2025

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