O FEMININO E O CUIDADO — REFLEXÕES SOB PRISMA EXTENSIONISTA DURANTE FORMAÇÃO EM SAÚDE

Publicado em 19/02/2025 - ISSN: 2675-8563

Título do Trabalho
O FEMININO E O CUIDADO — REFLEXÕES SOB PRISMA EXTENSIONISTA DURANTE FORMAÇÃO EM SAÚDE
Autores
  • Ana Carolina de Oliveira Rodrigues
  • Gleicielly Zopelaro Braga
Modalidade
PRÁTICAS EXTENSIONISTAS - ações educativas, sociais, assistenciais ou de caráter artístico-cultural resultantes das trocas e compartilhamento de conhecimentos e experiências a partir do envolvimento entre comunidade, estudantes e professores, com uma perspectiva transformadora e formadora/reveladora de saberes.
Área temática
CUIDADO E HUMANIZAÇÃO EM SAÚDE - Cuidado em saúde transcende a realização de técnicas e aspectos físicos, contempla a compreensão do conceito ampliado de saúde, e envolve uma interação afetiva que respeita, acolhe e considera a diversidade da existência humana. Nesse contexto, a humanização significa dialogar com a singularidade de cada pessoa, reconhecendo suas crenças e valores, compartilhando assim um ambiente de cuidado implicado com a realidade, com as políticas públicas e com a necessidade dos coletivos que vivem nos territórios.
Data de Publicação
19/02/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/scunifasefmp2024/948930-o-feminino-e-o-cuidado--reflexoes-sob-prisma-extensionista-durante-formacao-em-saude
ISSN
2675-8563
Palavras-Chave
Mulheres, Divisão do trabalho baseada no gênero, Cuidado, Extensão comunitária, Formação acadêmica
Resumo
Nesse estudo, refletimos e dialogamos sobre a identidade feminina e seu papel na divisão do trabalho no que tange o ato do cuidado, viabilizada por prática extensionista ao longo da formação acadêmica no curso de Medicina. Aqui tecemos sobre os encontros e afetos partilhados no território de atuação do Projeto de Extensão universitária Vale do Carangola, em Petrópolis — local onde fomos provocadas a sentipensar (nossa metodologia de trabalho) atravessamentos a partir da experiência vivida. O presente trabalho propõe refletir a associação da identidade feminina com os papéis e funções do cuidado, a partir do conceito de “trabalho reprodutivo” e de experiência com práticas extensionistas; e apontar a extensão praticada (crítica, comprometida, sentipensante) como promotora de valorização do cuidado e pensamento crítico ao longo da formação do profissional de saúde, para mudança de paradigma durante sua futura atuação. O funcionamento do projeto se dá através do conceito de “prática teoria prática”, de Paulo Freire, ou ainda práxis. Caminhando pelo Vale do Carangola, bairro que é campo do nosso Projeto de Extensão, dialogamos com as moradoras e os moradores, com os equipamentos (Centro de referência de assistência social, Unidade de Saúde da Família, escolas) e as lideranças comunitárias. A partir da escuta ativa, responsabilidade e afeto, estabelecemos vínculos ao longo dos anos. Nessa troca, construímos ações práticas de acordo com o que se apresenta no cotidiano, com intuito de emancipação dos moradores. Outro ponto do projeto é a constante reflexão teórica, com estudo de referenciais que embasam nossa movimentação e ajudam a elucidar conflitos que surgem com a prática — além de promover a autocrítica e a troca de experiência entre extensionistas. Durante a experiência no projeto de extensão, se mostrou notável o maior envolvimento de pessoas que se identificam enquanto gênero feminino em todas as suas esferas de funcionamento — discentes extensionistas, professoras da universidade e das escolas do bairro, lideranças comunitárias (e suas filhas, também lideranças), funcionárias da unidade de saúde e da assistência social. Catadoras de material reciclável. Costureiras. Mães — e amigas e parentes de mães que também se tornavam mães com elas. Moradoras engajadas com a comunidade… mulheres envolvidas nas ações que ocorriam. Pela atuação delas (e nossa) se tratar de funções e ações voltadas para o campo do cuidado, tal percepção da prevalência feminina gerou inquietude e questionamentos. Essa experiência do feminino em espaços de cuidado pode ser observada em outros âmbitos durante a formação, que não a extensão — nas casas e nas estruturas familiares e comunitárias, nos serviços de saúde, no corpo discente universitário. E a partir das reflexões “prática teoria prática”, foi jogada luz sobre essa questão — que é uma expressão da divisão sexual do trabalho. É descrito como “trabalho reprodutivo” todo o trabalho necessário para garantir a reprodução e a sobrevivência da espécie humana, que envolve não apenas a saúde, limpeza e preparo de alimentos por exemplo, mas também companhia, escuta e acolhimento — ou seja, o cuidado. Dentro da visão normatizadora capitalista, essas atribuições são compreendidas como “não-trabalho” e ficam a cargo de categorias oprimidas da sociedade — as mulheres, muitas vezes racializadas. Sendo assim, o feminino encontra lugar na extensão crítica porque ela atua de maneira afetuosa e acolhedora, e valoriza esse processo de cuidar — que de maneira correlata é subjugado frente aos outros pilares da academia, por não se enquadrar na lógica hegemônica de “produtividade”. Pelo prisma apresentado, se entende que o cuidar é fundamental na formação de vínculo, na valorização dos indivíduos e enfim, no fomento de autonomia e protagonismo de quem é cuidado. A potência feminista e feminina faz parte do escopo da extensão aqui apresentada (comprometida, crítica, sentipensante) — com ela se desenha um caminho para valorizar o papel do cuidar e também quem cuida, para trazer o afeto como atributo essencial na formação acadêmica da medicina. Vale pontuar como a divisão do trabalho por gênero imposta é construída pelo meio social, sendo assim possível então desvelá-la, desfazê-la, por meio de experiência outra — para então reconstruir o olhar e a prática efetivamente cuidadosos. Nesse processo de ação-reflexão-ação, trabalha-se em defesa de um posicionamento acadêmico crítico, comprometido e transparente — o que contribui para o desenvolvimento de profissionais da saúde não descolados da realidade, com repertório sociocultural em constante movimento, capazes de romper com o paradigma que se apresenta durante sua atuação.
Título do Evento
XXX Semana Científica UNIFASE/FMP
Cidade do Evento
Petrópolis
Título dos Anais do Evento
Anais da Semana Científica
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

RODRIGUES, Ana Carolina de Oliveira; BRAGA, Gleicielly Zopelaro. O FEMININO E O CUIDADO — REFLEXÕES SOB PRISMA EXTENSIONISTA DURANTE FORMAÇÃO EM SAÚDE.. In: Anais da Semana Científica. Anais...Petrópolis(RJ) UNIFASE/FMP, 2024. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/SCUNIFASEFMP2024/948930-O-FEMININO-E-O-CUIDADO--REFLEXOES-SOB-PRISMA-EXTENSIONISTA-DURANTE-FORMACAO-EM-SAUDE. Acesso em: 31/08/2025

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