ACOMPANHAMENTO DE ALUNOS COM SELETIVIDADE ALIMENTAR NO MUNICÍPIO DE PETRÓPOLIS/RJ

Publicado em 19/02/2025 - ISSN: 2675-8563

Título do Trabalho
ACOMPANHAMENTO DE ALUNOS COM SELETIVIDADE ALIMENTAR NO MUNICÍPIO DE PETRÓPOLIS/RJ
Autores
  • Yasmin Rodrigues
  • Joana da Silva Costa
Modalidade
PRÁTICAS EDUCATIVAS INOVADORAS - atividades e produtos de caráter pedagógico, que NÃO são fruto de pesquisa científica ou de atividade de extensão, mas exploram novas possibilidades de aplicação do conhecimento científico através de atividades educativas no âmbito dora ensino em sala de aula ou fora dela, que são inspiradas pelo espírito científico-investigativo sobre a realidade.
Área temática
CUIDADO E HUMANIZAÇÃO EM SAÚDE - Cuidado em saúde transcende a realização de técnicas e aspectos físicos, contempla a compreensão do conceito ampliado de saúde, e envolve uma interação afetiva que respeita, acolhe e considera a diversidade da existência humana. Nesse contexto, a humanização significa dialogar com a singularidade de cada pessoa, reconhecendo suas crenças e valores, compartilhando assim um ambiente de cuidado implicado com a realidade, com as políticas públicas e com a necessidade dos coletivos que vivem nos territórios.
Data de Publicação
19/02/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/scunifasefmp2024/948509-acompanhamento-de-alunos-com-seletividade-alimentar-no-municipio-de-petropolisrj
ISSN
2675-8563
Palavras-Chave
Seletividade Alimentar, Transtorno do Espectro Autista, Estudantes
Resumo
A seletividade alimentar na infância pode ser caracterizada por desinteresse pelo alimento, perda de apetite e recusa alimentar persistente a determinados alimentos ou grupos alimentares. Tais comportamentos podem dificultar a diversificação da dieta, ocasionando o consumo insuficiente de nutrientes importantes para o desenvolvimento físico e intelectual. A recusa de alimentos é um comportamento comum na infância, principalmente na faixa etária entre 2 a 6 anos de idade. As causas ainda não estão bem definidas, mas alguns estudos apontam que existem fatores desencadeadores tais como: introdução alimentar tardia de alimentos mastigáveis, influência parental, experiências desagradáveis com a alimentação como episódio de vômitos e engasgos, presença de alergias ou intolerâncias alimentares, entre outros. Problemas com a alimentação também podem ser observados em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), dificultando novas experiências com alimentos, devido a hábitos alimentares repetitivos, hipersensibilidade sensorial e padrões alimentares incomuns. Estudos apontam que os distúrbios alimentares afetam cerca de 25% das crianças neurotípicas e em crianças neuroatípicas esse número aumenta para 51% até 89%. Este trabalho teve como objetivo orientar as famílias dos alunos com dificuldade em se alimentar, a fim de que a criança permaneça em tempo integral dentro do espaço escolar. O momento da matrícula do aluno é a porta de entrada para identificação de alergia ou intolerância alimentar, transtorno do neurodesenvolvimento ou outras condições que possam interferir na aceitação alimentar. Ao iniciar as aulas professores, educadores e cozinheiros são capazes de observar o comportamento dos alunos durante as refeições, pontuando a gestora qual criança necessita de um acompanhamento mais de perto. Desta forma, a escola entra em contato com a Gerência de Alimentação Escolar (GAE), informando sobre a dificuldade alimentar do aluno. Os casos são analisados e a reunião é agendada com a família a fim de entender a rotina alimentar em casa, quais são os alimentos aceitos, formas de preparação/apresentação, como é o momento da refeição, etc. A partir desse momento são realizadas orientações com o intuito de estruturar a rotina alimentar no domicílio de forma semelhante ao que é feito no espaço escolar, respeitando os horários, os alimentos que estão disponíveis no cardápio e evitar o uso de telas durante as refeições. Além disso, são realizadas outras orientações mais específicas a depender do caso. Por exemplo: enviar de casa para a unidade escolar utensílios que a criança está acostumada a utilizar para se alimentar (pratos, talheres e copos), não substituir as refeições por alimentos que a criança possui preferência (guloseimas, biscoitos), evitar ofertar petiscos entre as refeições, manter a comunicação estreita entre a família e a equipe gestora sobre a forma de montagem do prato (por exemplo, feijão por cima ou por baixo, etc.) entre outras. No caso dos alunos que possuem laudo com diagnóstico de TEA é verificado se a criança realiza acompanhamento com terapias e, no caso de não aceitar nenhuma refeição na escola, é liberado levar alimento de casa, em consonância com a Lei nº 8.846/2024, após esgotadas todas as estratégias para que o aluno aceite a alimentação produzida dentro do espaço escolar. Se a criança não é acompanhada por nenhum profissional da saúde ou se necessitar de um acompanhamento que ainda não faz é solicitado auxílio às nutricionistas do Núcleo Ampliado de Saúde da Família (NASF) para um acompanhamento clínico individualizado. Além disso, também existe uma parceria entre as nutricionistas da GAE e do Grupo Amigos dos Autistas de Petrópolis. O aluno que possui o diagnóstico de TEA e não realiza terapias e/ou está na fila de espera para atendimento nesta instituição, é comunicado às nutricionistas para que a criança possa ser atendida da melhor maneira possível. Após as reuniões ocorre um monitoramento via telefone ou e-mail com um intervalo entre 30 e 40 dias. O processo ensino-aprendizagem ocorre através das orientações que são colocadas no momento da conversa, onde muitas vezes há participação das pessoas que estão diretamente ligadas ao aluno. Durante o ano de 2024 (fevereiro a agosto) foram beneficiadas 43 famílias através dessas reuniões sendo 20 a respeito de alunos com TEA e 23 sobre alunos com dificuldades alimentares sem transtornos associados. As reuniões ocorrem de forma individual ou coletiva, a depender do caso. Do total de reuniões realizadas obtivemos respostas positivas em 23% dos casos. Foi considerado resposta positiva os alunos que passaram a se alimentar na unidade escolar, permanecendo no período integral. Nos Centros de Educação Infantil do município de Petrópolis, as crianças permanecem em período integral durante 10 horas por dia, recebendo 70% das necessidades nutricionais diárias, quando aceita todas as 5 refeições oferecidas, conforme preconizado pela Resolução nº 06/2020. Em alguns casos de dificuldades alimentares o aluno não aceita nenhum alimento oferecido dentro do espaço escolar, impossibilitando a sua permanência em período integral, devido aos prejuízos que podem ocorrer a curto prazo (hipoglicemia e queda de pressão) e longo prazo (deficiência de vitaminas e minerais). Conclui-se que a seletividade alimentar é um comportamento que exige um acompanhamento multiprofissional, por ser um comportamento de múltiplas causas. Conquistar resultados positivos não é fácil, visto que para melhorar os hábitos e a rotina alimentar, depende de uma gama de fatores, principalmente da compreensão dos familiares a respeito dos riscos de curto e longo prazo que a má alimentação pode acarretar. Sendo assim, é importante uma rede de apoio bem estruturada com a participação ativa da família, escola e profissionais de saúde. Consideramos que o acolhimento oferecido a essas famílias é de suma importância para o avanço dessas crianças.
Título do Evento
XXX Semana Científica UNIFASE/FMP
Cidade do Evento
Petrópolis
Título dos Anais do Evento
Anais da Semana Científica
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

RODRIGUES, Yasmin; COSTA, Joana da Silva. ACOMPANHAMENTO DE ALUNOS COM SELETIVIDADE ALIMENTAR NO MUNICÍPIO DE PETRÓPOLIS/RJ.. In: Anais da Semana Científica. Anais...Petrópolis(RJ) UNIFASE/FMP, 2024. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/SCUNIFASEFMP2024/948509-ACOMPANHAMENTO-DE-ALUNOS-COM-SELETIVIDADE-ALIMENTAR-NO-MUNICIPIO-DE-PETROPOLISRJ. Acesso em: 31/08/2025

Trabalho

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