“POSSO LEVAR MEU PIÃO?”: A “REVOLTA DOS INOCENTES” NO INÍCIO DO SÉCULO XX E O DIREITO AO BRINCAR

Publicado em 13/07/2025 - ISBN: 978-65-272-1594-3

Título do Trabalho
“POSSO LEVAR MEU PIÃO?”: A “REVOLTA DOS INOCENTES” NO INÍCIO DO SÉCULO XX E O DIREITO AO BRINCAR
Autores
  • Ana Karyne Loureiro Furley
  • Hiran Pinel
  • José Raimundo Rodrigues
  • Raniê Ralph Gaburro Teixeira
Modalidade
RESUMO SIMPLES (PROPOSTA DE COMUNICAÇÃO ORAL)
Área temática
EIXO 3 RESPONSABILIDADE SOCIAL DO PROFISSIONAL NA LUDICIDADE
Data de Publicação
13/07/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iii-simposio-internacional-da-abbri/1089033-posso-levar-meu-piao---a-revolta-dos-inocentes--no-inicio-do-seculo-xx--e-o-direito-ao-brincar
ISBN
978-65-272-1594-3
Palavras-Chave
Brinquedo. Brinquedista. Direitos de Brincar.
Resumo
Resumo: A partir da obra cinematográfica O Orfanato e desde uma abordagem fenomenológica, procura-se refletir sobre o direito do brincar enquanto disparador de transformações legislativas. Parte-se de algumas cenas de um filme inspirado em fatos reais, na Revolta dos Inocentes, ocorrida em 1911 num internato do interior da França, para delas se constituir um debruçar sobre a relevância do brincar e do profissional que atua nos espaços do brincar. O filme provoca-nos a rever como historicamente crianças e adolescentes eram tratados enquanto adultos em miniatura e tinham seus direitos negados, incidindo diretamente no sentido de suas vidas. A trama do filme O Orfanato retrata um episódio fundante da legislação que passou a proteger a infância. A decisão do tribunal de Avallon, em julho de 1911, que condenou os gestores de Les Vermiraux por violência coletiva contra crianças (trabalho forçado, abusos resultando em morte, estupro, prostituição) foi decisiva para a fundamentação da lei 22 de julho de 1912 que estabeleceu a criação dos Tribunais de Menores. Justamente, essa legislação dá início a uma outra perspectiva naquilo que se refere ao cuidado com crianças e adolescentes. As cenas que tomamos por referência são aquelas associadas a um brinquedo também conhecido em território brasileiro: o pião. No filme, o brinquedo tem, inicialmente, a potência de assegurar ao pequeno Gaston um sentimento de esperança e pertença ao mundo. O filme traz uma cena impactante quando retrata o momento em que o menino Gaston, após ser deixado na instituição por sua mãe, depara-se com as condições violentas da instituição. Gaston é conduzido por um funcionário para trocar de roupas e guardar seus pertences. O funcionário oferece um casaco a Gaston e este, imediatamente, reage questionando que o traje está surrado e com furos. Orientado a não reclamar, o menino vai assumindo aquelas roupas como a própria forma ultrajante, violenta, destruidora da dignidade da criança. A vida dentro da instituição era a dos ultrajados, dos esfarrapados, dos miseráveis, dos tidos como peso para uma sociedade moralizante e excludente. Nesse contexto, de onde surge uma esperança para Gaston? O menino, diante do rompimento com o laço materno, que sequer pode dar um beijo de despedida, dadas as orientações da gestora de que deveriam evitar despedidas, é uma criança que experimenta a solidão. Gaston vira-se para o funcionário e faz um pedido: “Posso levar meu pião?”. Na singeleza da cena que traz um brinquedo comum a tantas gerações e, atualmente, plasticizado nas bleybleides, impulsiona-nos a recordar os crimes cometidos no passado, atentar para os riscos das violências em nosso tempo presente e lutar para que o brincar jamais seja abandonado. Brincamos por que nesse ato ocioso se dá a frutuosidade e fecundidade da vida. O filme é um disparador sobre a necessária vigilância acerca dos direitos das crianças e adolescentes, particularmente, aquele do brincar e da importância de pessoas comprometidas com o direito à infância, nesse caso, brinquedistas, tão recentemente assumidos por nossa sociedade. Depois, é o pião um denunciador do crime e prova que impulsiona uma luta por condenar aqueles profissionais que maltratavam os menores. A revolta dos inocentes continua como apelo ao brincar à medida que no filme percebemos o quanto aquelas crianças e adolescentes eram impossibilitadas de vivenciar essa experiência transformadora e salutar. Conclui-se que o brincar é uma experiência essencial à infância e pode ser uma das vozes dessa faixa etária equivocadamente tão pouco ouvida.
Título do Evento
III SIMPÓSIO INTERNACIONAL DA ABBRI - O BRINCAR EM DIFERENTES CONTEXTOS: FORMAÇÃO E ATUAÇÃO PROFISSIONAL
Título dos Anais do Evento
III Simpósio Internacional da ABBri: o brincar em diferentes contextos - formação e atuação profissional
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

FURLEY, Ana Karyne Loureiro et al.. “POSSO LEVAR MEU PIÃO?”: A “REVOLTA DOS INOCENTES” NO INÍCIO DO SÉCULO XX E O DIREITO AO BRINCAR.. In: III Simpósio Internacional da ABBri: o brincar em diferentes contextos - formação e atuação profissional. Anais...Sao Paulo(SP) ABBri, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/III-SIMPOSIO-INTERNACIONAL-DA-ABBRI/1089033-POSSO-LEVAR-MEU-PIAO---A-REVOLTA-DOS-INOCENTES--NO-INICIO-DO-SECULO-XX--E-O-DIREITO-AO-BRINCAR. Acesso em: 31/08/2025

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