PORTUGUÊS
A Associação Ibero-americana de Filosofia Política (AIFP) surgiu a partir do trabalho realizado, desde o início da década de 1990, por um grupo de pesquisadores espanhóis e mexicanos. Desde o início da década de 2000 a AIFP ultrapassou seu contexto original e integrou em suas fileiras inúmeros professoras/es e pesquisadoras/es de filosofia política e disciplinas afins de países como Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Chile, Peru, Uruguai, Portugal e Venezuela, além, é claro, da Espanha e do México. Hoje o evento é seguramente o maior simpósio regular da Ibero-América na área de filosofia política.
Esta 19ª edição do evento reunirá pesquisadoras e pesquisadores ibero-americanos de renomadas universidades da Ibero-América. O simpósio é organizado em mesas que funcionam como grupos de trabalho em que se acolhem pesquisadoras e pesquisadores diversos que não precisam estar formalmente vinculados à Associação Ibero-americana de Filosofia Política (AIFP). Nesses espaços, que estruturam o Simpósio, sempre foram acolhidos amplamente estudantes de pós-graduação que apresentam suas comunicações junto a pesquisadoras/es mais experientes. É apenas a terceira vez que o evento ocorre no Brasil (Unisinos, 2005; UFJF, 2013), cuja participação na AIFP, maior associação ibero-americana da área, certamente pode ser ampliada.
Assim, além de discutir problemas
relevantes de teoria política contemporânea em torno do tema geral "Crise das
democracias, crise ecológica e novos autoritarismos", o evento busca ampliar o
engajamento de pesquisadores brasileiros na AIFP e ampliar a inserção
internacional orgânica de pesquisadoras e pesquisadores brasileiras/os na
América Latina e na Península Ibérica. Estimamos acolher mais de 200
apresentações de trabalho no âmbito das mesas de discussão, além de
conferências e mesas redondas.
ESPAÑOL
La Asociación Iberoamericana de Filosofía Política (AIFP) surgió a partir del trabajo realizado, desde principios de la década de 1990, por un grupo de investigadores españoles y mexicanos. Desde principios de la década de 2000, la AIFP ha superado su contexto original e integrado en sus filas a numerosos profesores y profesoras, así como a investigadores e investigadoras de filosofía política y disciplinas afines de países como Argentina, Brasil, Colombia, Costa Rica, Chile, Perú, Uruguay, Portugal y Venezuela, además, por supuesto, de España y México. Hoy en día, el evento es sin duda el mayor simposio que se celebra regularmente en Iberoamérica en el ámbito de la filosofía política.
Esta 19.ª edición del evento reunirá a investigadoras e investigadores iberoamericanos de prestigiosas universidades de Iberoamérica. El simposio se organiza en mesas que funcionan como grupos de trabajo en los que se acoge a diversos investigadores e investigadoras que no necesitan estar vinculados formalmente a la Asociación Iberoamericana de Filosofía Política (AIFP). En estos espacios, que estructuran el Simposio, siempre se ha dado una amplia acogida a estudiantes de posgrado que presentan sus comunicaciones junto a investigadores e investigadoras más experimentados. Es solo la tercera vez que el evento se celebra en Brasil (Unisinos, 2005; UFJF, 2013), cuya participación en la AIFP, la mayor asociación iberoamericana del área, sin duda puede ampliarse.
Así, además de debatir cuestiones relevantes de la teoría política contemporánea en torno al tema general «Crisis de las democracias, crisis ecológica y nuevos autoritarismos», el evento busca ampliar la participación de los investigadores brasileños en la AIFP y potenciar la inserción internacional orgánica de los investigadores y las investigadoras brasileños en América Latina y en la Península Ibérica. Estimamos recibir más de 200 ponencias en el marco de las mesas de debate, además de conferencias y mesas redondas.
XIX
SIMPÓSIO DA ASSOCIAÇÃO IBERO-AMERICANA DE
FILOSOFIA
POLÍTICA (AIFP)
Crise
das democracias, crise ecológica e novos autoritarismos
Sede: Universidade Federal de Goiás
Local: Pirenópolis, Goiás, Brasil
Data: De 28 a 30 de outubro de 2026
Instituições colaboradoras
Universidade de Brasília
Universidade do Vale do Rio do
Sinos
Universidade Estadual de Goiás
Comitê
científico
Adriano Correia (UFG), Adriana
Delbó (UFG), Alejandro Sahuí (UACAM/México), Álvaro Aragón Rivera
(UACM-México), Ana Carolina Turquino Turatto (UniCesumar), Carlos Patiño (UNAL,
Colombia), Castor Mari Martín Bartolomé Ruiz (Unisinos), Cícero Araújo (USP),
Concepción Delgado Parra (UACM, México), Fernando Longás (UVa, España),
Francisco Colom (CSIC, España), Guillermo Vega (UNNE), Helena Esser dos Reis
(UFG), Isabel Wences (UCM, Espanha), Jesús Rodríguez (UAM-I, México), Marcela
Uchôa (Univ. Coimbra, Portugal), Márcia Rosane Junges (Unisinos), Maria Cecília
Pedreira de Almeida (UnB), Maria Cristina Müller (UEL), Nicole Darat (UAI,
Chile), Renato Moscateli (UFG), Roberta Damasceno (UFPE), Rubem Barboza Filho
(UFJF), William Costa (UECE).
Comitê
executivo
Adriano
Correia (UFG), Alejandro Sahuí (UACAM/México), Castor Mari Martín Bartolomé
Ruiz (Unisinos) e Maria Cecília Pedreira de Almeida (UnB).
Apoio
institucional
Coordenação
de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
Fundação
de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG)
Conselho
Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
Idiomas
do evento
Espanhol
e português
Calendário
•
Início das inscrições e recebimento de resumos: a partir de 31 de
março
de 2026
•
Encerramento do recebimento de resumos: 15 de junho de 2026
•
Notificação das propostas aceitas: 13 de julho de 2026
•
Publicação do programa preliminar: 10 de agosto de 2026
• Publicação
do programa final: 31 de agosto de 2026
Normas
para apresentação de propostas
• A proposta deve apresentar
título e resumo com extensão entre 300 e 500 palavras;
• O resumo deve ser apresentado
em fonte Times new roman, tamanho 12, com espaçamento 1,5 entre linhas;
• Abaixo do título deve constar o nome do/da pesquisador/a,
nível de formação, instituição de vínculo e indicação da mesa temática para a
qual está sendo feita a submissão.
• As comunicações contarão com 30 minutos na programação,
sendo 20 minutos para apresentação e 10 minutos para discussão
Estrutura
do evento
• Conferências
• Apresentação de comunicações nos dez eixos temáticos, em sessões
paralelas com 04 comunicadores por mesa.
• Apresentação de livros
Dados de contato
Endereço eletrônico do evento: simposioaifpbrasil@gmail.com
Página do evento e para submissões de trabalho: https://www.even3.com.br/xix-simposio-internacional-da-associacao-iberoamericana-de-filosofia-politica-aifp-707634
Página da Associação Iberoamericana de Filosofia Política: https://www.asociacionifp.org/
MESAS TEMÁTICAS
(Todas as mesas aceitarão propostas tanto em português quanto em espanhol)
Mesa 1 - Retorno del neofascismo y crisis de la democracia liberal
Coordenação:
Concepción Delgado Parra (UACM, México) e Álvaro Aragón
Rivera (UACM-México)
El panorama
político mundial evidencia el surgimiento de un nuevo fascismo construido sobre
una estructura que amenaza los pilares fundamentales de la democracia liberal:
el pluralismo, el estado de derecho y la separación de poderes. Se trata de un
fascismo neoliberal, extremo en su ideología, en el que se fusiona un
ultracapitalismo desregulado con una política de odio identitario y represión
de la diferencia. Una estrategia dirigida a generar un Estado gestionado como
una empresa organizada por un CEO soberano, donde la ciudadanía queda reducida
a una relación contractual de cliente-proveedor, cuyo objetivo es eliminar
cualquier límite al capital (soberanía de los estados, derechos, etcétera),
utilizando el nacionalismo y apelando a un “chivo expiatorio” para eliminar
todo aquello que constituya un freno para el capitalismo socio-tecno-digital.
A diferencia del
fascismo clásico, quienes hoy impulsan esta ideología operan bajo una fachada
democrática utilizando la violencia discursiva para atacar sistemáticamente los
principios de la democracia liberal, normalizando la erosión de las normas y situando
a la democracia como un obstáculo para conseguir la eficacia y el orden. Se
presentan como los auténticos defensores de la “democracia popular”, de la
“voluntad mayoritaria”, declarando que existe una estructura tripartita conformada
por una élite corrupta y una clase baja parasitaria a las que acusan de robar
lo que pertenece a quienes están atrapados en el medio: “el pueblo bueno”,
representado por los ultraderechistas.
Ante este desafío,
el eje temático que aquí se presenta propone debatir en torno a las siguientes
preguntas: ¿Qué tipo de argumentos se debaten en la afirmación de que el
neofascismo constituye un síntoma de los límites del liberalismo o una
patología de la democracia? ¿Cuáles son las instituciones que hoy resultan
fundamentales para proteger a la democracia de su erosión interna? ¿Mediante
qué procedimientos los nuevos fascismos se apropian de la concepción de
libertad, igualdad y comunidad transgrediendo sus fundamentos normativos? ¿Qué
horizonte se vislumbra para enfrentar la crisis que vive la democracia liberal?
¿Cuál es el papel de la ciudadanía en este contexto?
Mesa 2 - A fragilidade da
política face às novas formas de imperialismo: o colapso das democracias e a
devastação do mundo comum
Coordenação: Maria Cecília Pedreira de Almeida (Universidade
de Brasília – UnB-Brasil), Maria Cristina Müller (Universidade Estadual de
Londrina – UEL-Brasil) e Ana Carolina Turquino Turatto (UniCesumar - Londrina-Brasil)
A
mesa propõe um espaço crítico para investigar as crises contemporâneas que
ameaçam os fundamentos da vida política e do espaço público compartilhado.
Interessa-nos refletir sobre como dinâmicas renovadas de imperialismo — não
mais apenas territorial, mas também econômico, tecnológico e cultural — corroem
as instituições democráticas, aceleram processos autoritários e dissolvem os
laços que sustentam o “mundo comum”, nos termos arendtianos. Nesse contexto,
renova-se a interrogação pelo sentido da política em tempos de desagregação
institucional, polarização extrema e esvaziamento da esfera pública, em que a
ação coletiva e o debate racional cedem terreno a formas de dominação sutis ou
abertamente coercitivas.
Esperam-se
contribuições que, dialogando com pensadores como Hannah Arendt, Giorgio
Agamben, Michel Foucault, Walter Benjamin e Carl Schmitt, entre outros,
explorem as relações entre autoritarismo, extremismos emergentes e a
reconfiguração do poder no século XXI. A abordagem pode integrar a dimensão
econômica, uma vez que as desigualdades estruturais, o capitalismo
financeirizado e as novas lógicas de exploração global intensificam a
vulnerabilidade das democracias. Serão igualmente bem-vindas pesquisas que
abordem as várias leituras sobre os estados de exceção e a biopolítica
(Agamben, Foucault), a banalidade do mal e a perda do espaço público (Arendt),
ou a distinção amigo-inimigo e a soberania em contextos de crise (Schmitt),
sempre em conexão com as atuais manifestações de imperialismo e o esfacelamento
do comum.
A
intenção é que, além do diagnóstico crítico, o debate esboce caminhos de
resistência, reelaboração do político ou reconstrução de um mundo comum frente
a essas forças devastadoras. A mesa acolherá também investigações que, a partir
de outros referenciais teóricos, dialoguem produtivamente com o tema, desde que
articulem de modo consistente as relações entre poder, economia, democracia e
os novos rostos do imperialismo. O objetivo é fomentar um debate plural e
rigoroso, capaz de iluminar os desafios do presente e recolocar a pergunta
sobre o que é, afinal, a política, sobretudo em tempos de fragilidade extrema.
Mesa 3 - Reflexões
republicanas sobre a ideia de crise democrática
Coordenação: Renato Moscateli (Universidade Federal de Goiás – UFG-Brasil)
e Helena Esser dos Reis (Universidade
Federal de Goiás – UFG-Brasil)
A
tradição republicana de pensamento político possui raízes que se estendem até a
Roma Antiga, tendo sido posteriormente renovada na Renascença pelos humanistas
cívicos italianos e, com ainda maior destaque, nas obras de Nicolau Maquiavel.
Desde então, já encontrou diversas outras reformulações e ressonâncias, tanto
no interior da Filosofia Política quanto na organização dos regimes
republicanos surgidos nos últimos quinhentos anos. Embora se trate, em ambos os
casos, de fenômenos complexos, dois elementos que certamente possuem
centralidade neles são, por um lado, a discussão acerca da limitação do(s)
poder(es) e da representação política e, por outro, o significado da igualdade
e da liberdade do cidadão, as quais se colocam como o alicerce de uma forma de
vida política que dignifica a participação cívica nos assuntos públicos como
caminho para evitar a dominação sobre os indivíduos ou a coletividade, assim
como para estimular a preocupação conjunta dos membros da sociedade com aquilo
que constitui seu bem comum.
A
tradição democrática, por sua vez, também tem origens que remontam à
Antiguidade, na polis ateniense que se tornou modelo para outras cidades da
época. Todavia, ela ganhou uma relevância inédita especialmente a partir das
últimas décadas do século XVIII, quando os acontecimentos das Revoluções
Americana e Francesa trouxeram um interesse renovado pela democracia como
alternativa política aos regimes monárquicos por elas combatidos. Partindo do
pressuposto de uma igualdade natural entre as pessoas, a democracia começa a
ser entendida a partir de dois elementos: a igualdade e a liberdade. Sem
dúvidas, isso colocou desafios importantes aos envolvidos nos processos de
construção e compreensão das democracias modernas para povos muito maiores e de
composição mais variada em comparação com a polis de outrora. Se o tema da
liberdade se mostra caro aos defensores da democracia, o da igualdade talvez
tenha sido foco de suas atenções com ainda maior evidência, sendo tomado como
uma baliza para a luta por direitos que não se restrinjam ao âmbito da
participação política, mas avança para o enfrentamento das injustiças sociais,
da exploração econômica, da discriminação de raça ou de gênero, entre outros
problemas. Ainda no contexto moderno, a democracia inspira certo temor aos
intelectuais e políticos da época, seja em vista da força excessiva do povo
(tirania da maioria), como em vista de uma possível tutela das massas por uma
elite esclarecida (Governo tutelar), resultando nos muitos esforços
interpretativos que têm na obra de Alexis de Tocqueville uma fonte de enorme
valia, e remete a uma série de possibilidades de entendimento do fenômeno
democrático contemporâneo.
Com
o objetivo de conjugar as ricas heranças intelectuais dessas duas tradições
políticas, a proposta da mesa é incentivar reflexões republicanas que enfoquem
a ideia de crise democrática tão proclamada no cenário atual, no sentido de
problematizá-la em suas múltiplas dimensões: em que bases esse diagnóstico se
sustenta? Quais riscos tal crise traz para a liberdade e a igualdade na
participação política de cidadãos e cidadãs, no exercício do pensamento e da
expressão, na preservação de condições dignas de existência, no combate aos
preconceitos em relação às diferenças e à pluralidade das formas de vida, na
luta contra os esforços de privatização do que deveria ser de interesse
público? A crise democrática é apenas uma conjuntura deletéria ou, de certa maneira,
algo inerente a um modo de convivência política que, como salienta Claude
Lefort, deve ser marcado pelas incertezas da indeterminação, da abertura de
significados em disputa, enfim, um lugar vazio do poder que jamais pode ser
preenchido em definitivo?
Mesa 4 - Nuevos modos de
(re)producción y ocultamiento de las desigualdades en el ocaso de las
democracias contemporáneas
Coordenação:
Fernando Longás (U. de
Valladolid, España) e Nicole Darat (U. Adolfo Ibáñez, Chile)
La desigualdad ha sido considerada,
desde las primeras reflexiones que surgieron en el campo del pensamiento ético
y político moderno, como un desafío a superar. En una búsqueda de nuevas formas
de legitimación de las relaciones de poder en un mundo ya secularizado, se
trataba de enfrentar las supuestas injusticias que ciertas diferencias,
consideradas otrora naturales, habían constituido el tejido social, económico y
político de occidente. Las nuevas teorías políticas y jurídicas centradas en la
idea del contrato social, la voluntad general, el estado jurídico y los
derechos subjetivos pusieron de relieve, junto a la libertad, el valor de la
igualdad como horizonte imprescindible en la constitución del mundo moderno.
Desde entonces, y no obstante los
múltiples fracasos de los esfuerzos por consolidar la igualdad como valor real,
los discursos y las políticas igualitarias han venido gozando de una cada vez
más incuestionable valía retórica, y han constituido el eje argumental en torno
al que se ha perseguido la extensión de los derechos y de la ciudadanía plena,
hacia diversos sectores sociales y colectivos (léase, mujeres, minorías
sexo-genéricas pobres, personas racializadas, discapacitadas, enfermas, etc.).
Lo anterior no puede sino hacernos sospechar que ese discurso dominante en la
literatura filosófica, política y jurídica de la modernidad que aboga por la
igualdad como ideal, no haya servido
más que como “pantalla ideológica” (Ricoeur) que encubre u oculta el modo cómo
la desigualdad ha configurado una praxis productiva sobre la que se ha erigido,
y hoy sostiene, el desarrollo de un modo de dominación que reconocemos bajo el
concepto de capitalismo avanzado. Bajo este discurso en pro de la igualdad, es
decir, bajo el imperio de esta “pantalla ideológica”, la verdadera fuerza
productiva de la desigualdad que determina nuestra praxis social se ha hecho
incontestable e imposible de transformar y hoy, junto con re-producir y
ocultar desigualdades ha permitido la emergencia de otras nuevas, que se
intersectan produciendo nuevas formas de dominación. Ante esto, no es casual
que el discurso crítico de los mismos grupos subalternizados, se dirija en
contra del discurso de los derechos y sus promesas incumplidas, por un lado, y
sus requisitos de asimilación, por otro.
La presente mesa os convoca a presentar
comunicaciones orientadas a develar este proceso, a rastrear su genealogía, a
ponerlo bajo la luz de nuevas formas de pensar filosófica y políticamente, y a
idear formas de praxis que remuevan y subviertan los modos tradicionales bajo
los que nos hemos representado hasta ahora nuestros permanentemente frustrados
anhelos de igualdad en las democracias actuales.
Mesa 5 - Os
populismos autoritários, o amedrontamento das democracias e novas formas de
imperialismo: a fabricação do inimigo como estratégia política e a guerra como
dispositivo de governo
Coordenação: Castor Mari Martín Bartolomé
Ruiz (Unisinos), Guillermo Vega (UNNE) e Márcia Rosane Junges (Unisinos)
Vivemos um momento de profunda erosão democrática
e recomposição geopolítica. Em nosso horizonte, testemunhamos a ascensão de
populismos autoritários que, em continentes diversos, instrumentalizam o medo e
a polarização. A estratégia é conhecida, mas ressurge com força inédita: a
fabricação sistemática de um inimigo – interno ou externo – como cimento para
projetos de poder.
Na América Latina, observamos o crescimento
das novas direitas, que capitalizam o descontentamento social, prometendo ordem
e segurança enquanto desmontam instituições. Da Argentina ao Chile, do Brasil à
Venezuela, sob roupagens distintas, vemos padrões que desafiam a convivência
democrática.
No plano internacional, a conjuntura é de
recrudescimento autoritário: a instabilidade política nos EUA, os conflitos
brutais como em Gaza, Ucrânia e Sudão, o rearmamento europeu, a ameaça dos EUA
de ocupar Groenlândia pela força, o ataque recente dos EUA à soberania da
Venezuela, as crises regionais, tudo sinaliza a decomposição do sistema legal
mundial pós-1945. A guerra, mais do que um evento extremo, torna-se um
dispositivo de governo, um meio de consolidar domínio e desviar atenções. Nas
relações internacionais, também a exceção tornou-se a regra ao prevalecer a
força de um poder soberano como nova norma de direito internacional.
Por trás desses fenômenos, percebemos o
fortalecimento de novas formas de imperialismo e poder colonialista, que operam
através de dependência econômica, guerras híbridas e controle informacional. O
ordenamento multilateral definha, deixando um vazio perigoso.
Nesta mesa, nos propomos a desmontar essas
engrenagens e refletirmos criticamente acerca delas. Como o "inimigo"
é construído retoricamente? De que maneira o autoritarismo seduz sociedades
democráticas assustadas? Qual o papel dos discursos de ódio e da desinformação?
Como a guerra está sendo utilizada como dispositivo de policiamento e governo?
Essas são algumas das reflexões possíveis no contexto do XIX Simpósio da AIFP.
Convidamos todos e todas a refletirem
conosco sobre esses labirintos do século XXI. O desafio é colossal: compreender
para resistir, e resistir para reinventar um horizonte de justiça e soberania
popular.
Mesa
6 - Filosofía política de la ciudad: los debates necesarios
Coordenação:
Francisco Colom (CSIC, España), Jesús Rodríguez (UAM-I,
México) e Carlos Patiño (UNAL, Colombia)
En la actualidad, la mayoría
de la humanidad vive en ciudades. Sin embargo, si se compara con el interés por
el Estado nacional, los derechos individuales o la justicia global, la
filosofía ha prestado relativamente poca atención a la ciudad como espacio
político. Lo cierto es que las ciudades constituyen una unidad relevante de
justicia porque la organización de su espacio está indisolublemente ligada a
las desigualdades sociales. Abordar esta cuestión normativamente requiere una
concepción de las relaciones sociales y de la vida en las ciudades más sensible
al espacio de lo que ha sido el caso en la filosofía política dominante. Esta
Sección invita a presentar ponencias que traten sobre toda una serie de
problemas urbanos: vivienda y habitabilidad, exclusión, segregación,
gobernabilidad de las metrópolis y megalópolis, transición energética urbana,
gentrificación y turistificación, espacio urbano y memoria, lo público y los
comunes urbanos etc.
Mesa 7- Utopías del cuidado: vulnerabilidades, interdependencias y
esperanza
Coordenação:
Isabel Wences (Universidad Complutense de Madrid) e Alejandro Sahuí
(Universidad Autónoma de Campeche - México)
La filosofía política contemporánea se enfrenta al
agotamiento de los modelos basados en el individualismo posesivo y el mito de
la racionalidad ilimitada. Ante la crisis ecosocial, la precarización de los
vínculos sociales y la erosión de las instituciones políticas este eje invita a
reflexionar sobre las diversas vulnerabilidades humanas y
planetarias, no como contingencias, sino como categorías básicas para
repensar el orden público. Nuestra intuición es que este enfoque hace posible
transitar de una política basada en el cálculo egoísta hacia una política de la
interdependencia.
Mediante el cruce entre el pensamiento
político utópico y las éticas-políticas del cuidado,
se pretende rehabilitar la imaginación política como una herramienta crítica.
Por un lado, se adopta la idea de utopías realistas como horizontes de futuros
posibles donde la vida -en su dimensión biológica y relacional- sea el eje de
la organización social. Por otro lado, se integran las políticas del cuidado y
la reciprocidad como principios de justicia que exigen una transformación
radical de la política.
El eje propone un diálogo interdisciplinar sobre
cómo habitar la fragilidad del mundo sin renunciar a la democracia, la
comunalidad y la esperanza. Se convoca a trabajos que exploren la
sostenibilidad de la vida desde la reciprocidad, la justicia intergeneracional,
la ecología política y el diseño de instituciones que asuman la responsabilidad
compartida como fundamento de un futuro habitable.
Entre las cuestiones que nos ocupan están algunas
como las siguientes: ¿cómo se puede pensar la vulnerabilidad como categoría
política? ¿qué modelos de ciudadanía cabe articular a través de las ideas de
reciprocidad, responsabilidad compartida e interdependencias? ¿cómo la política
puede contribuir a reconfigurar la organización del trabajo, el tiempo y los
recursos para la sostenibilidad de la vida como valor público primordial? ¿cómo
integrar las diversas fragilidades en el diseño de instituciones políticas?
¿qué tipo de estructuras públicas podemos imaginar que sostengan los cuidados y
la responsabilidad planetaria? ¿cómo el feminismo crítico ha impulsado el
cambio de paradigma en el pensamiento político?
Mesa 8 - Crise
mundial e crise do futuro
Coordenação: Cícero Araújo (USP-BR) e Rubem Barboza
Filho (UFJF-BR)
Tornou-se moeda
comum o diagnóstico de que vivemos hoje uma crise mundial, para alguns autores
uma “permacrise” ou “policrise” – uma megacrise endêmica, que atinge todas as
dimensões da vida e todas as regiões do planeta. Estaríamos a perder a relativa
estabilidade geopolítica construída após a II Guerra, a assistir a emergência
de Estados e movimentos autoritários e antidemocráticos como resposta aos
dilemas econômicos e políticos trazidos pela globalização e a financeirização
do capital, a sofrer as mudanças climáticas sem enfrentá-las com decisão e
eficácia, a experimentar avanços tecnológicos perturbadores e assustadores,
tudo isso corroendo os nossos modos usuais de resolução de problemas e dilemas.
O resultado disso é ainda uma crise da “temporalidade” – ou historicidade -
moderna, que mobilizava o tempo – e o futuro – como possibilidade ontológica à
disposição criativa dos humanos.
O objetivo deste
grupo de trabalho é o de refletir, do ponto de vista da teoria política e
social, da metodologia e da história, o conceito de crise e suas implicações
concretas, alargando a nossa capacidade reflexiva e prática sobre o que vem
acontecendo. Trata-se de uma crise no interior da “modernidade” ou uma crise
epocal, que anuncia confusamente um tempo distinto em nossa história? Se
vivemos uma crise da modernidade, podemos contar com os nossos recursos
epistemológicos e políticos, hoje disponíveis, para entendê-la e enfrentá-la?
Se se trata de uma crise epocal, como devemos passar a entender o que está a
acontecer e o próprio conceito de crise, agora referido ao desconhecido? Em
ambos os casos, como o conceito de crise pode nos levar à ação e com que
objetivo? Também em ambos os casos, como o conceito de crise poderia (ou não)
renovar nosso pensamento e expectativas a respeito do futuro?
Mesa 9 - Centenário
de Michel Foucault: governo, tecnologias de controle e subjetividades
autoritárias
Coordenação: William Costa (Universidade
Estadual do Ceará – UECE – Brasil) e Roberta Damasceno (Universidade Federal de
Pernambuco – UFPE – Brasil)
Em 2026, Michel Foucault completaria 100
anos. Sua ausência, contudo, está longe de encerrar o horizonte analítico que
sua obra inaugurou, afinal, suas investigações continuam a irradiar problemas e
ferramentas críticas decisivas para a compreensão do presente. Como um dos
pensadores mais agudos da contemporaneidade, Foucault percorreu, sem concessões
dogmáticas, campos diversos, da psicologia à ética, das ciências criminais à
literatura, da política à sexualidade, articulando-os por meio de uma atitude
genealógica que interrogava as condições históricas de emergência dos saberes e
das práticas. Ao mobilizar a arqueologia e a genealogia como métodos de
análise, Foucault abriu trilhas para gerações de pesquisadores que, dialogando
com sua obra, deram continuidade a um itinerário crítico próprio. Sua reflexão
sobre as relações entre saber e poder, sobre os dispositivos disciplinares, as
tecnologias de segurança e os processos de subjetivação permanece fundamental
para pensar as reconfigurações contemporâneas do governo da vida. Esta mesa
temática propõe celebrar o centenário de Foucault por meio de debates que
partem de suas obras, mas que não se restringem a elas, buscando promover
interlocuções com outros pensadores e campos teóricos. Pretende-se explorar
categorias como governo, governamentalidade, tecnologias de controle e produção
de subjetividades, destacando seus desdobramentos nas discussões sobre
segurança, sexualidade, figura do inimigo público, gestão do risco, regimes
pastorais, controle migratório e sistemas de punição, entre outros eixos que
atravessam as crises atuais das democracias e as novas formas de autoritarismo.
Mesa 10 - A
transformação do espaço público perante a crise da democracia liberal
Coordenação: Marcela Uchôa (Universidade de
Coimbra – Portugal), Mayte Muñoz Sánchez (Universidad Nacional Autónoma de México - UNAM) e Adriano Correia (Universidade Federal de Goiás – UFG –
Brasil)
As bases
históricas do liberalismo podem ser identificadas no advento e na consolidação
da modernidade capitalista. Teóricos como Habermas e Ellen Wood sustentam que o
surgimento do espaço público está intrinsecamente vinculado ao desenvolvimento
do capitalismo. Nessa perspectiva, Habermas concebe a esfera pública como uma
construção histórica decorrente das transformações materiais da sociedade,
especialmente da ascensão da burguesia em contraposição à estrutura hierárquica
e estamental da aristocracia feudal. O ideal de limitação do poder estatal,
inicialmente formulado como alternativa ao absolutismo, transforma-se
progressivamente na defesa da liberdade individual e econômica – entendida como
liberdade negativa, isto é, como não intervenção do Estado nas esferas
individuais e mercantis.
É somente na
sociedade burguesa que se separa a esfera pública da política e da economia. No
feudalismo, poder e possibilidades de exploração estavam diretamente ligados ao
status e ao privilégio aristocrático. Na época moderna, é apenas no momento em
que a exploração econômica se independentiza do status de privilégio e das
hierarquias aristocráticas que se abre um espaço público independente, o qual
dará lugar à participação cidadã, à deliberação, ao republicanismo e à
democracia. Enquanto isso, a esfera privada é governada pelas leis do mercado e
pela pura necessidade, que intervém em todos os aspectos da vida social.
Contudo, se, como
defendeu Hannah Arendt, o exercício da liberdade política só é passível de
ocorrer quando estamos inseridos no espaço público por meio da ação e da razão,
guiados pelo objetivo de humanização do mundo, é preciso também reconhecer as
contribuições do teóricos da teoria crítica e dos estudos feministas que defendem
que o espaço público é patriarcal e desigual; ou seja, os métodos de
argumentação refletem normas e privilégios dos quais são excluídas pessoas que
não tiveram instrução suficiente ou que sofrem com desigualdade econômica,
entre outros fatores. Da mesma forma, a esfera pública foi criticada por seu
caráter eurocêntrico e racista. Em outras palavras, os métodos de argumentação
no interior do espaço público não consideram as desigualdades estruturais,
geográficas e históricas que moldam as próprias normas argumentativas.
Esquece-se que o racionalismo e o iluminismo são formas de universalismo
altamente situadas — formas europeias, burguesas e patriarcais — e, nesse
sentido, excluem, em maior ou menor grau, pessoas não europeias, cidadãos
racializados, mulheres, proletários, pessoas não instruídas, pessoas com
deficiência, entre outros grupos subalternizados.
Este painel propõe
reunir contribuições que revisitem criticamente os fundamentos históricos e
normativos do liberalismo e da esfera pública, analisando suas promessas
emancipatórias e seus limites estruturais.