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O Corpo Discente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Anhembi Morumbi, com o apoio da Coordenação e do Colegiado do Programa, convida pesquisadores de dentro e fora da universidade a participarem da Extracampo - 4ª Jornada Discente do PPGCOM-UAM, a ser realizada nos dias 20, 21 e 22 de agosto de 2025, em formato híbrido (online e presencial).
A Extracampo, Jornada Discente do PPGCOM-UAM, surgiu oficialmente durante o contexto de isolamento social provocado pela pandemia de COVID-19. Organizada pelos estudantes do PPGCOM-UAM, a proposta do evento nasceu como um gesto de resistência e reinvenção: pensar "dentro de casa, mas fora da casinha", lema que justifica até mesmo a identidade visual adotada. Essa metáfora se tornou bússola conceitual e afetiva — um convite ao pensamento crítico, à escuta sensível e ao compartilhamento de saberes, mesmo diante das limitações impostas pela distância física.
Antes da pandemia, a Extracampo era um espaço consolidado para o intercâmbio de pesquisas em desenvolvimento no programa, dentro do Encontro Científico UAM. Em 2021, a retomada da Jornada marcou uma transformação: com nova proposta e em formato remoto, ampliou seu escopo, passando a acolher também pesquisas concluídas e em andamento de estudantes de iniciação científica, mestrado e doutorado, internos e externos à universidade. Essa abertura proporcionou um novo fôlego ao evento, promovendo diálogos interinstitucionais e interdisciplinares, capazes de enriquecer a reflexão sobre os desafios contemporâneos da Comunicação.
A edição de 2025 da Extracampo representa um reencontro com nossas origens e, ao mesmo tempo, um desdobramento do que aprendemos ao longo do caminho. Ao unir a dimensão presencial com a potência do virtual, propomos uma experiência verdadeiramente híbrida: não apenas no formato, mas também na forma de pensar, sentir e compartilhar o conhecimento. É nesse entrelaçamento de mundos — o da tela e o do toque, da escuta à distância e do afeto presencial — que a Extracampo reafirma seu compromisso com uma pesquisa viva que se adapta, se expande e se fortalece justamente por habitar múltiplos territórios.
A programação foi estruturada para valorizar tanto o alcance quanto a presença. Os Grupos de Trabalho (GTs) acontecerão de forma online, garantindo a participação de pesquisadores de todas as regiões geográficas. Já as palestras de abertura e encerramento, além da inédita confraternização musical proporcionada por integrantes do corpo discente e docente, ocorrerão presencialmente no campus Paulista da Universidade Anhembi Morumbi.
Manifesto | ExtraCampo 2025
Transver o Audiovisual: Imagens que escutam, corpos que resistem
“O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê...
É preciso transver o mundo.”
— Manoel de Barros
Transver é o verbo da invenção e da ruptura. Inspirados em Manoel de Barros, queremos transver o audiovisual como campo expandido de presença, escuta, afeto e conflito.
A Extracampo se renovou durante a pandemia de COVID-19 como uma Jornada Discente que propôs um movimento contraditório necessário: pensar “dentro de casa e fora da casinha”.
A metáfora virou norte — crítica, abrigo e provocação para a comissão realizadora. Porque para nós, Extracampo é o gesto dos que desviam, mas não se perdem no caminho. Que desaceleram, sem se omitir. Que pesquisam, mas também deixam fluir o que sentem. Que se permitem não saber de tudo, tendo sempre em mente a necessidade de aprender e de partilhar o conhecimento.
Apresentamos a 4ª edição da Jornada Discente Extracampo na travessia de outro momento que pede atenção e certa urgência: a de restabelecer o convívio acadêmico - os reencontros presenciais não substituem, mas ampliam, o que as redes possibilitam. Por isso, neste ano de 2025, abrimos as janelas reais e virtuais para que, no espaço de convívio, coexistem dois mundos - o da tela e o do toque, o da presença física e da presença sentida à distância.Porque se aprendemos alguma coisa desde que iniciamos nessa jornada foi que pensar junto é possível, mesmo quando a geografia separa - e mais ainda, quando a escuta aproxima.
Entendendo as vicissitudes do momento tornamos essa edição híbrida — por escolha, mas também por cuidado. Um cuidado com as distâncias geográficas, com os limites dos corpos e com os afetos que aprenderam a se fazer presentes também pelas telas. Assim, combinando a amplitude do digital com a vivência presencial seguimos dentro de casa e fora da casinha.
Como lembra Denilson Lopes, é na delicadeza e no fragmento que a experiência se reinventa.
Logo, transver o audiovisual é habitar o extracampo: aquilo que escapa ao centro da imagem, mas pulsa nas laterais da cena, na grade de programação, na timeline, na tela do celular. É ver com os poros e escutar com o corpo. É abrir lacunas nos enquadramentos fixos.
É reconhecer que a imagem, por si só, não é completa: ela se reconfigura na escuta, no olhar que a atravessa, no diálogo com o público que a interpreta, tenciona, transforma. Transver torna-se exercício da vida, maneira que encontramos para transcender o mundo que habitamos. O audiovisual é o campo dos encontros — com o mundo, com o outro, com aquilo que resiste à normatização dos sentidos.
Imagens que escutam. Aquelas que se deixam atravessar pelo ruído do mundo: as falas entrecortadas dos vídeos populares, o depoimento de quem filma com o celular tremendo, o som ambiente de um documentário. Em diferentes formatos e intensidades, essas imagens acolhem o outro, o acaso, a quebra de padrões. Estar em diálogo com essas imagens é um modo de habitar o outro sem apagá-lo.
Corpos que resistem. Aqueles que não pedem licença para entrar em cena: falam, expõem, reimaginam, disputam. Ocupam as telonas e as telinhas, protagonizam suas narrativas plurais e dissidentes que des-ori-entam fronteiras geográficas e de pensamento do mainstream, mas também das performances, do vídeo, nas salas de aula, nos reels e nas artes sonoras.
A proposta curatorial do ExtraCampo 2025 assume o deslocamento como gesto. Buscamos experiências audiovisuais em sua pluralidade: cinema, telenovelas, arquivos, instalações, registros comunitários, mídias móveis, formas insurgentes, memes que denunciam, vídeos que curam.
Nossa temática propõe uma escuta expandida: a convocação a transver o audiovisual se abre também ao dissenso e à presença de pesquisas que trilham rotas paralelas.
Assim como para Trinh T. Minh-ha, escutar pode ser um convite a uma outra forma de ver, para bell hooks, a margem é lugar de radicalidade, não de ausência.
Transver o audiovisual é deixar que a imagem transborde, que o som reverbere, que o corpo ocupe. É cartografar o corpo enquanto matéria viva, como nos ensina Jesús Martín-Barbero: dobra, ruído, invenção.
Trata-se de inventar sentidos, reimaginar futuros e ocupar o campo e o extracampo como espaço de criação e presença.