MEMÓRIA, ANCESTRALIDADE E RESISTÊNCIA: O IMAGINÁRIO COLONIAL NA PRODUÇÃO DO APAGAMENTO AFRO-DIASPÓRICO

Publicado em 28/09/2026 - ISSN: 2175-9162

Título do Trabalho
MEMÓRIA, ANCESTRALIDADE E RESISTÊNCIA: O IMAGINÁRIO COLONIAL NA PRODUÇÃO DO APAGAMENTO AFRO-DIASPÓRICO
Autores
  • Pierre Possamai Da silva
Modalidade
Comunicação oral
Área temática
GT 10 - IMAGINÁRIO, MEMÓRIA E RELAÇÕES DE AFETO
Data de Publicação
28/09/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-simposio-nacional-e-iii-simposio-internacional-sobre-formacao-de-professores-simfop-691556/1567183-memoria-ancestralidade-e-resistencia--o-imaginario-colonial-na-producao-do-apagamento-afro-diasporico
ISSN
2175-9162
Palavras-Chave
Colonialidade, Eurocentrismo, Contracolonialidade, Imaginário Social, Religiosidades, Saberes ancestrais
Resumo
O presente trabalho propõe uma reflexão sobre as relações entre colonialidade, imaginário e memória nos processos educativos brasileiros, tomando como análise o apagamento histórico das experiências afro-diaspóricas e indígenas na constituição das práticas pedagógicas e dos regimes de legitimidade do conhecimento. Parte-se da compreensão de que a colonialidade ultrapassa os limites da dominação política e econômica instaurada pelo colonialismo, manifestando-se também na produção de sensibilidades, afetos e formas de percepção que organizam o imaginário social. Nesse sentido, busca-se compreender como determinadas estruturas imaginárias, sustentadas por referenciais cristão-normativos e eurocentrados, contribuíram para a marginalização de cosmologias, práticas ancestrais e modos não ocidentais de produzir conhecimento, especialmente aqueles vinculados às religiões de matriz africana e às experiências culturais afro-indígenas. A discussão fundamenta-se nas contribuições de Aníbal Quijano (2000) acerca da colonialidade do poder e do saber, compreendendo que a modernidade instituiu uma hierarquização epistemológica que reconheceu o modelo europeu como parâmetro universal de racionalidade e civilização. Em diálogo com Frantz Fanon (2022), entende-se que a colonização também opera no campo da subjetividade e do imaginário, produzindo formas de desumanização que atravessam os modos pelos quais sujeitos racializados são percebidos socialmente e representados nos espaços educativos. Assim, o imaginário colonial não atua apenas como representação simbólica, mas como estrutura organizadora das formas de reconhecimento, pertencimento e exclusão. Nesse contexto, o trabalho estabelece diálogo com as reflexões de Ronaldo Vainfas (2022) acerca da chamada “heresia dos índios”, sobretudo no que diz respeito à crítica dirigida às interpretações historiográficas que reduziram os povos originários à condição de sujeitos passivos diante da catequese e da expansão colonial europeia. Ao analisar os registros inquisitoriais e missionários, Vainfas demonstra que os indígenas não apenas reagiam às imposições coloniais, mas reinterpretavam símbolos, práticas religiosas e elementos da cultura cristã a partir de suas próprias cosmologias e experiências históricas. Tal perspectiva permite compreender que os sujeitos colonizados atuavam como produtores de sentidos, saberes e reorganizações simbólicas, ainda que constantemente enquadrados pelo olhar colonial como desviantes, bárbaros ou heréticos. Essa chave interpretativa torna-se central para pensar as experiências afro-diaspóricas no contexto educacional brasileiro, uma vez que os saberes oriundos das religiões de matriz africana frequentemente permanecem associados à superstição, ao folclore ou à marginalidade cultural, sendo invalidados enquanto formas legítimas de conhecimento e produção de memória. Em aproximação com Antonio Bispo dos Santos (2023), Luiz Rufino (2019) e Luiz Antonio Simas (2023), o trabalho compreende a ancestralidade como prática de resistência epistemológica e experiência de continuidade entre memória, território, espiritualidade e comunidade. As noções de encruzilhada, encantamento e oralidade tornam-se fundamentais para pensar formas de conhecimento que escapam à racionalidade moderna e desafiam a lógica colonial de separação entre corpo, natureza e saber. Trata-se de uma pesquisa teórico-bibliográfica, articulando autores da perspectiva decolonial, estudos do imaginário e produções afro-brasileiras sobre memória e ancestralidade. Argumenta-se, por fim, que reconhecer experiências afro-indígenas como produtoras legítimas de conhecimento implica tensionar os fundamentos coloniais ainda presentes na educação, possibilitando a construção de práticas pedagógicas orientadas pela pluralidade epistemológica e pela reconfiguração dos imaginários sociais.
Título do Evento
XII Simpósio Nacional e III Simpósio Internacional sobre Formação de Professores – SIMFOP
Cidade do Evento
Tubarão
Título dos Anais do Evento
Anais do SIMFOP: Simpósio Internacional de Formação de Professores
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, Pierre Possamai Da. MEMÓRIA, ANCESTRALIDADE E RESISTÊNCIA: O IMAGINÁRIO COLONIAL NA PRODUÇÃO DO APAGAMENTO AFRO-DIASPÓRICO.. In: Anais do SIMFOP: Simpósio Internacional de Formação de Professores. Anais...Tubarão(SC) Unisul, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-simposio-nacional-e-iii-simposio-internacional-sobre-formacao-de-professores-simfop-691556/1567183-MEMORIA-ANCESTRALIDADE-E-RESISTENCIA--O-IMAGINARIO-COLONIAL-NA-PRODUCAO-DO-APAGAMENTO-AFRO-DIASPORICO. Acesso em: 01/11/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes