INTERAÇÕES HUMANO–IA: UMA ABORDAGEM PRAGMÁTICO‑ECOLÓGICA DA INTERPRETAÇÃO

Publicado em 28/09/2026 - ISSN: 2175-9162

Título do Trabalho
INTERAÇÕES HUMANO–IA: UMA ABORDAGEM PRAGMÁTICO‑ECOLÓGICA DA INTERPRETAÇÃO
Autores
  • Francine Mates Pedroso
  • Fábio José Rauen
Modalidade
Comunicação oral
Área temática
GT 01 - COGNIÇÃO, LINGUAGEM E ENSINO
Data de Publicação
28/09/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-simposio-nacional-e-iii-simposio-internacional-sobre-formacao-de-professores-simfop-691556/1566836-interacoes-humanoia---uma-abordagem-pragmatico-ecologica-da-interpretacao
ISSN
2175-9162
Palavras-Chave
Comunicação ostensivo inferencial, conciliação de metas, ecologia inferencial, interação humano–IA, intencionalidade comunicativa.
Resumo
Este estudo investiga processos de interpretação em interações entre humanos e inteligências artificiais generativas, a partir da articulação entre a Teoria da Relevância (Sperber; Wilson, 1995) e a Teoria de Conciliação de Metas (Rauen, 2014, 2026). O avanço recente de sistemas baseados em modelos de linguagem de grande escala, como o ChatGPT, tem produzido transformações relevantes nas práticas comunicativas contemporâneas, uma vez que usuários humanos tendem a interpretar respostas desses sistemas como relevantes, cooperativas e funcionalmente comunicativas, apesar da ausência de intencionalidade genuína no sentido forte discutido por Searle (1980; 1983). Esse fenômeno tensiona pressupostos centrais da pragmática cognitiva clássica, que associam a interpretação ostensivo-inferencial à atribuição de intenções comunicativas e informativas por parte do falante. Nesse contexto, o estudo discute de que modo processos interpretativos podem emergir e se estabilizar em ecologias interacionais humano–IA mesmo na ausência de estados mentais intencionais no artefato artificial. O argumento dialoga com a noção de postura intencional de Dennett (1987), segundo a qual agentes humanos passam a tratar determinados sistemas “como se” fossem intencionais sempre que essa estratégia favorece previsibilidade, coordenação prática e redução de custo cognitivo. Com base nesse enquadramento, propõe-se compreender a comunicação não como transmissão fundada exclusivamente em intenções, mas como processo situado de coordenação pragmática dependente das condições de viabilidade do ambiente interacional. A pesquisa ancora-se na formulação ecológico-inferencial da Teoria de Conciliação de Metas (Rauen, 2026), que concebe a ação comunicativa como componente de planos orientados à consecução de metas práticas. Nessa perspectiva, a interpretação deixa de ser tratada como operação cognitiva universal e passa a ser entendida como fenômeno contingente, relacionado à manutenção pragmática da interação e à possibilidade de sustentar determinadas hipóteses interpretativas ao longo do episódio interacional. Ao distinguir os modos orientacional e proposicional da ação, a teoria oferece instrumentos para explicar situações em que usuários ajustam expectativas, reformulam comandos, suspendem leituras cooperativas ou reorientam estratégias interpretativas diante de respostas inesperadas ou do aumento do custo inferencial. Metodologicamente, o estudo caracteriza-se como teórico-analítico de natureza qualitativa e adota, como procedimento, a análise microecológica de episódios interacionais paradigmáticos. Essa abordagem consiste na reconstrução situada das condições pragmáticas, inferenciais e ecológicas que organizam episódios específicos de interação humano–IA. Os dados serão constituídos por interações reais com sistemas generativos amplamente utilizados, incluindo diálogos públicos disponíveis em ambientes digitais e interações produzidas pelo próprio pesquisador para fins analíticos, com prioridade para casos marcados por reformulações sucessivas, rupturas interpretativas ou manutenção prolongada da coordenação inferencial. Espera-se que a pesquisa contribua para o fortalecimento de abordagens pragmático-cognitivas sensíveis às transformações comunicativas mediadas por inteligências artificiais generativas, bem como para a ampliação do alcance explanatório da pragmática cognitiva, ao oferecer instrumentos conceituais capazes de analisar formas emergentes de interação humano–artefato sem recorrer exclusivamente a modelos centrados na intencionalidade comunicativa tradicional.
Título do Evento
XII Simpósio Nacional e III Simpósio Internacional sobre Formação de Professores – SIMFOP
Cidade do Evento
Tubarão
Título dos Anais do Evento
Anais do SIMFOP: Simpósio Internacional de Formação de Professores
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

PEDROSO, Francine Mates; RAUEN, Fábio José. INTERAÇÕES HUMANO–IA: UMA ABORDAGEM PRAGMÁTICO‑ECOLÓGICA DA INTERPRETAÇÃO.. In: Anais do SIMFOP: Simpósio Internacional de Formação de Professores. Anais...Tubarão(SC) Unisul, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-simposio-nacional-e-iii-simposio-internacional-sobre-formacao-de-professores-simfop-691556/1566836-INTERACOES-HUMANOIA---UMA-ABORDAGEM-PRAGMATICO-ECOLOGICA-DA-INTERPRETACAO. Acesso em: 01/11/2026

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