MEDIAÇÕES SIMBÓLICAS DA AUSÊNCIA: UMA MITOCRÍTICA DA SAUDADE NO COTIDIANO DE QUEM FICA

Publicado em 28/09/2026 - ISSN: 2175-9162

Título do Trabalho
MEDIAÇÕES SIMBÓLICAS DA AUSÊNCIA: UMA MITOCRÍTICA DA SAUDADE NO COTIDIANO DE QUEM FICA
Autores
  • Elton Luiz Gonçalves
  • Heloisa Juncklaus Preis Moraes
Modalidade
Comunicação oral
Área temática
GT 10 - IMAGINÁRIO, MEMÓRIA E RELAÇÕES DE AFETO
Data de Publicação
28/09/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-simposio-nacional-e-iii-simposio-internacional-sobre-formacao-de-professores-simfop-691556/1566585-mediacoes-simbolicas-da-ausencia--uma-mitocritica-da-saudade-no-cotidiano-de-quem-fica
ISSN
2175-9162
Palavras-Chave
Saudade, Imaginário, Famílias de caminhoneiros, Cotidiano, Mitocrítica.
Resumo
Associada etimologicamente à solidão e à ausência, a saudade pode ser compreendida como forma sensível de habitar a distância e simbolizar a espera. Quem deu forma verbal tão aguda a essa cantiga dolorosa da ausência que se instala no âmago da alma? A saudade não é um só sentimento, é tristeza mansa, nostalgia entranhada nos espaços cotidianos e desejo de reatar o fio do que foi, ou de quem se foi: rever, tocar, estar junto. Sob a perspectiva do trabalho em deslocamento prolongado, interessa-nos deslocar o protagonismo na experiência da saudade como imaginário da ausência, investigando as dinâmicas afetivas da espera e do tempo no entre famílias de caminhoneiros, profissionais do transporte rodoviário de cargas no Brasil. O estudo lança luz sobre quem sustenta o “fogo do lar”, aqueles que não viajam, mas vivenciam cotidianamente uma espera persistente - esposas, companheiras, filhos, pais e demais familiares afetivamente implicados. A pesquisa qualitativa, de abordagem compreensiva, toma como objeto as imagens simbólico-afetivas da saudade obtidas por meio de entrevistas narrativas e relatos de experiências de familiares que permanecem em casa durante a ausência prolongada do caminhoneiro. Os participantes serão convidados por bola de neve, partindo de um contato inicial por meio de uma associação de caminhoneiros da região sul de Santa Catarina. A cada entrevista, será solicitada a indicação de outras famílias até a saturação teórico-interpretativa, estimada entre 8 e 12 famílias, quando as narrativas apresentarem recorrências simbólicas significativas. Metodologicamente, ancoramo-nos na Teoria Geral do Imaginário de Gilbert Durand, adotando a sistemática da Mitocrítica para levantar as recorrências simbólicas, os mitemas, que se repetem obsessivamente nas narrativas: a cadeira vazia, o barulho do motor, a fotografia, o telefone, a roupa guardada, a mesa da refeição, a mensagem, o medo da estrada. Tais imagens serão examinadas para revelar as constelações simbólicas que orientam o comportamento dessas famílias. O esforço consiste em compreender como a ausência é narrada, vivida e simbolizada, a fim de tensionar a hipótese de que a saudade opera como um mecanismo simbólico-afetivo de mediação entre o Regime Diurno e o Regime Noturno do imaginário, oscilando entre resistência/vigilância e a intimidade/esperança. Ao tensionar essa hipótese pela mitocrítica, (re)conhecemos os mitemas patentes e latentes nas narrativas dessas famílias, mapeando como o dinamismo organizador das imagens articula um mecanismo simbólico-afetivo pelo qual a distância é significada, combatida, suportada e, em certa medida, eufemizada. Nessa experiência, a ausência não equivale ao vazio: produz uma presença ausente, pela qual o caminhoneiro continua habitando simbolicamente a casa. Questionamos, então, se a saudade atua como eufemização da distância ou se, em certos momentos, intensifica a angústia da ausência (disfemização simbólica da espera). A pesquisa contribui para os estudos do imaginário ao aplicar os conceitos durandianos a uma experiência concreta do trabalho em deslocamento e ausência prolongada, bem como para os estudos sobre família, trabalho e afetividade, ao revelar os mecanismos simbólicos que sustentam vínculos quando a distância se torna uma condição recorrente da vida doméstica.
Título do Evento
XII Simpósio Nacional e III Simpósio Internacional sobre Formação de Professores – SIMFOP
Cidade do Evento
Tubarão
Título dos Anais do Evento
Anais do SIMFOP: Simpósio Internacional de Formação de Professores
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

GONÇALVES, Elton Luiz; MORAES, Heloisa Juncklaus Preis. MEDIAÇÕES SIMBÓLICAS DA AUSÊNCIA: UMA MITOCRÍTICA DA SAUDADE NO COTIDIANO DE QUEM FICA.. In: Anais do SIMFOP: Simpósio Internacional de Formação de Professores. Anais...Tubarão(SC) Unisul, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-simposio-nacional-e-iii-simposio-internacional-sobre-formacao-de-professores-simfop-691556/1566585-MEDIACOES-SIMBOLICAS-DA-AUSENCIA--UMA-MITOCRITICA-DA-SAUDADE-NO-COTIDIANO-DE-QUEM-FICA. Acesso em: 01/11/2026

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