O PAPEL DO ESTADO FRENTE À FINANCEIRIZAÇÃO DA AGRICULTURA E DAS TERRAS NO BRASIL: UMA ANÁLISE DO CONTEXTO RECENTE.

Publicado em 22/04/2025 - ISBN: 978-65-272-1295-9

Título do Trabalho
O PAPEL DO ESTADO FRENTE À FINANCEIRIZAÇÃO DA AGRICULTURA E DAS TERRAS NO BRASIL: UMA ANÁLISE DO CONTEXTO RECENTE.
Autores
  • Claudiane Alves Gonçalves
  • Sergio Pereira Leite
Modalidade
Resumo
Área temática
Ciências Humanas - Sociologia
Data de Publicação
22/04/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xi-raic-e-v-raidtec-ufrrj/928288-o-papel-do-estado-frente-a-financeirizacao-da-agricultura-e-das-terras-no-brasil--uma-analise-do-contexto-recente
ISBN
978-65-272-1295-9
Palavras-Chave
Financeirização da agricultura, Estado, questão agrária, mercado de terras, commodities.
Resumo
Nos últimos anos, os instrumentos de crédito foram integrados crescentemente aos mercados financeiros, tornando-se parte cotidiana da vida das pessoas e aproximando as lógicas financeiras dos indivíduos. Essas características vêm assumindo um impacto significativo na organização econômica e social, especialmente no Brasil, onde a financeirização da agricultura e dos setores produtivos se amplia rapidamente. A influência crescente dos mercados financeiros, instituições e elites sobre diversos processos sociais, econômicos e políticos expõe um fortalecimento da financeirização, evidenciando como as lógicas financeiras estão moldando e subordinando outras esferas da vida, desde o campo até as políticas governamentais, tanto nacional quanto internacionalmente. (Epstein, 2014 apud Lavinas et al., 2024) Tendo isto em mente, os objetivos deste trabalho consistiram em expor o que é a financeirização das terras e da agricultura no Brasil e analisar o papel do Estado nesse processo. Para isto, utilizamos como metodologia uma abordagem analítica e revisional, na qual revisitamos a literatura existente, fizemos levantamentos de dados quantitativos e desenvolvemos clipping de notícias relacionadas à temática alvo do estudo. Os resultados revelam que, desde os anos 2000, com o boom das commodities e a crise financeira de 2008, o setor agrícola brasileiro passou a atrair investimentos financeiros substanciais, transformando a terra em um ativo financeiro. Houve um aumento expressivo no número de fundos de investimento focados no setor agrícola ao redor do globo, subindo de 45 em 2005 para 890 em 2023. (Valoral Advisor, 2023) Esse crescimento é acompanhado pela elevação dos preços das terras, influenciado por uma série de crises globais e pela busca por recursos naturais. A financeirização tem levado a uma ampliação das desigualdades de renda e poder, atrelada, também, a um aumento da vulnerabilidade econômica e ambiental e à obstrução de demandas coletivas por mudanças.(Clapp e Isakson, 2018, apud Lavinas et al., 2024) Indo além, a literatura especializada abordam como o Estado brasileiro tem facilitado esse processo por meio de políticas e legislações. Segundo Leite (2024), desde a década de 1990, o governo tem promovido instrumentos financeiros como Certificados de Mercadoria com Emissão Garantida (CM-G) e Cédulas do Produto Rural (CPR), que permitiram a antecipação de receitas e a integração de ativos agrícolas ao mercado financeiro. No início dos anos 2000, foram introduzidos novos instrumentos como as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), além da Lei do Agro e do Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro), que visam atrair investidores privados e integrar o setor ao mercado financeiro. (Leite, 2024, p.1131) Logo, concluímos que a financeirização transforma o campo em um ativo especulativo, moldando as economias nacionais e o uso dos recursos naturais conforme as dinâmicas financeiras globais. A participação do Estado nesse processo tem sido decisiva para delinear as práticas do mercado, expandindo a influência do capital financeiro sobre a agricultura, frequentemente à custa da segurança alimentar, da agricultura familiar e dos direitos dos povos originários. A introdução de instrumentos financeiros, como os Fiagros, tem reforçado desigualdades e promovido práticas prejudiciais como desmatamento e grilagem. Logo, temos que a expansão desses instrumentos não só evidencia o poder econômico crescente do setor, mas também ressalta os impactos negativos associados à financeirização, tornando assim, necessário um debate mais profundo sobre as implicações éticas e ambientais desse fenômeno. LAVINAS, L. et al. (orgs.). Financeirização: crise, estagnação e desigualdade. São Paulo:, Contracorrente, 2024. pp 1.338. LEITE, S. Estado e financeirização da agricultura brasileira: transformações em curso e implicações sociais, políticas e econômicas. In: Lavinas et al. (Org.). Financeirização. Crise, estagnação e desigualdade. São Paulo: Contracorrente, 2024. p.1111-1148. Valoral Advisors. The State of The Global Food & Agriculture Investment Space.
Título do Evento
XI Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2024) & V Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2024)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da XI Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC) e V Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec): Transição energética: impactos ambientais e sociais
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

GONÇALVES, Claudiane Alves; LEITE, Sergio Pereira. O PAPEL DO ESTADO FRENTE À FINANCEIRIZAÇÃO DA AGRICULTURA E DAS TERRAS NO BRASIL: UMA ANÁLISE DO CONTEXTO RECENTE... In: Anais da XI Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC) e V Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec): Transição energética: impactos ambientais e sociais. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2024. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xi-raic-e-v-raidtec-ufrrj/928288-O-PAPEL-DO-ESTADO-FRENTE-A-FINANCEIRIZACAO-DA-AGRICULTURA-E-DAS-TERRAS-NO-BRASIL--UMA-ANALISE-DO-CONTEXTO-RECENTE. Acesso em: 11/03/2026

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