Título do Trabalho
SENHORAS EGRESSAS DO CATIVEIRO, RIO DE JANEIRO, SÉCULO XVIII
Autores
  • Victória Villa Forte Baudson
  • Roberto Guedes Ferreira
Modalidade
Resumo
Área temática
Ciências Humanas - História
Data de Publicação
22/04/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xi-raic-e-v-raidtec-ufrrj/925915-senhoras-egressas-do-cativeiro-rio-de-janeiro-seculo-xviii
ISBN
978-65-272-1295-9
Palavras-Chave
Escravidão, Alforria, Mulheres forras, Rio de Janeiro, Século XVIII
Resumo
O plano de trabalho “Senhoras egressas do cativeiro, Rio de Janeiro, século XVIII”, por mim desenvolvido como bolsista de IC-PIBIC-UFRRJ, me iniciou no tema da mobilidade social de mulheres forras no Rio de Janeiro no século mencionado. O trabalho objetiva realçar o papel das mulheres como senhoras de escravos na cidade do Rio de Janeiro do século XVIII, relativizando assim a ideia de senhores exclusiva ou predominantemente de sexo masculino. A partir daí, também se objetiva entender aquela sociedade escravista com valores do Antigo Regime baseados na desigualdade. A análise se realizou com base em documentos paroquiais, como registros de batismo e testamentos, acrescidos de registros cartoriais de alforria. A partir da leitura paleográfica de tais fontes manuscritas colhidas em imagens digitais, foi feito um banco de dados com cerca de 15 mil registros de batismo das freguesias de N. S. dos Remédios (Luanda), Piedade do Iguaçu (RJ), Inhomirim (RJ), Pilar do Iguaçu (RJ) e N. S. da Candelária (RJ). Como se trata de fontes seriais, o trabalho utiliza técnicas de quantificação, aferindo a frequência de mulheres senhoras, pois ao se batizar escravos se informa quem eram seus senhores, e ainda é possível aferir as classificações sociais (parda forra, etc.) a elas atribuídas. Cruzando tais fontes com testamentos, que são documentos qualitativos, da cidade do Rio de Janeiro, especialmente da freguesia da Candelária, observa-se, a partir das práticas de nomeação que elas dirigiam a seus escravos, que as senhoras forras não nomeavam seus escravos e parentes do mesmo modo. As qualidades da escravidão (preto, etc.) atribuídas a si e a seus parentes não eram as mesmas dirigidas a seus escravos. A nomeação é entendida nesta pesquisa como prerrogativa senhorial que se expressa pelos seus atos de fala. Assim, valores escravistas e de diferenciação social são essenciais para a análise de trajetórias de mobilidade social de mulheres forras, pois tais valores davam parâmetro para definir o lugar social das pessoas naquela sociedade. O recorte feito para a freguesia da Candelária se fez em função da enorme massa documental, mas as outras paróquias permitem uma comparação e uma visão de conjunto. Igualmente, a pesquisa perscruta, por meios das alforrias cartoriais, as modalidades e os motivos para a concessão das manumissões, o que também se constata em registros de batismo (alforrias de pia batismal) e em testamentos. A análise conjunta da documentação viabilizou, também, compreender como a alforria era um indicador de mobilidade social de escravos, que, uma vez forros, amiúde se tornaram senhores e, sobretudo, senhoras de escravos. Dessa forma, os resultados da pesquisa demonstram que as alforrias, além de permitir a mobilidade social, pois deixar de ser escravo era mobilidade social, geraram a manutenção do sistema escravista na medida em que propiciaram aos libertos e libertas, respectivamente, se tornarem senhores e senhoras. No atual estágio da pesquisa, cruza-se informações oriundas das alforrias cartoriais com as provenientes de registros de batismo, casamento e testamentos. Ao realizar o cruzamento documental, analisamos trajetórias de mulheres forras circunscrevendo o objeto, isto é, percebendo-o em diferentes contextos sociais. Trata-se, portanto, de aplicar o método da micro-história italiana. Por fim, pode-se verificar que as informações auferidas pela documentação possibilitaram não só o aprendizado e aprimoramento de leitura paleográfica, essencial para a compreensão da linguagem e das classificações sociais de época, já que paleografia não significa apenas entender o que está escrito em papeis antigos, significa compreender uma linguagem de época, o que é crucial em termos teóricos, pois nomear era classificar a existência. Assim, entendemos que a mobilidade social e o acesso de forros à condição senhorial foram estruturais para a manutenção da hierarquia escravista.
Título do Evento
XI Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2024) & V Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2024)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da XI Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC) e V Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec): Transição energética: impactos ambientais e sociais
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BAUDSON, Victória Villa Forte; FERREIRA, Roberto Guedes. SENHORAS EGRESSAS DO CATIVEIRO, RIO DE JANEIRO, SÉCULO XVIII.. In: Anais da XI Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC) e V Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec): Transição energética: impactos ambientais e sociais. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2024. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xi-raic-e-v-raidtec-ufrrj/925915-SENHORAS-EGRESSAS-DO-CATIVEIRO-RIO-DE-JANEIRO-SECULO-XVIII. Acesso em: 31/08/2025

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