CARTOGRAFIAS LÍRICAS: DO MODERNO AO CONTEMPORÂNEO, A POESIA E SUAS FACES MÚLTIPLAS

Publicado em 21/05/2025 - ISBN: 978-65-272-1348-2

Título do Trabalho
CARTOGRAFIAS LÍRICAS: DO MODERNO AO CONTEMPORÂNEO, A POESIA E SUAS FACES MÚLTIPLAS
Autores
  • Alexandre Bonafim
  • Paulo Antônio Vieira Júnior
Modalidade
Simpósio Temático
Área temática
(Presencial) ST: Cartografias líricas: do moderno ao contemporâneo, a poesia e suas faces múltiplas
Data de Publicação
21/05/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/vii-sinalel/951327-cartografias-liricas--do-moderno-ao-contemporaneo-a-poesia-e-suas-faces-multiplas
ISBN
978-65-272-1348-2
Palavras-Chave
Poesia. Modernidade. Contemporaneidade. Múltiplas vozes.
Resumo
Este Simpósio Temático pretende receber contribuições de trabalhos críticos que investiguem as múltiplas tendências da poesia moderna e contemporânea. Nesse sentido, entende-se que o poetar moderno se estrutura através de muitas vozes (Berardinelli, 2007), desde a poética da “poesia pura” e hermética (Friedrich, 1978), passando pelos tipos especiais que exploram “os paradoxos da palavra humana” (Hamburger, 2007), até as vozes identitárias, a exemplo da autoria feminina, a poesia negra e as expressões homoeróticas. Diante da diversidade de tal recorte, um ponto central que se propõe aferir na sessão é a relação eu-mundo-palavra, isto é, seguindo o encaminhamento investigativo de Michel Collot (2018, p. 18), intenta-se explorar “como, no poema, misturam-se intimamente a expressão de um sujeito, a construção de uma imagem do mundo e a elaboração de uma forma verbal”. Tal proposta se justifica diante do reconhecimento de que a poesia lírica, desde o advento romântico, encontrou modos de realização diversos, tanto no manuseio da matéria verbal, quanto na relação conflituosa do sujeito lírico com o mundo. Embora o foco, no âmbito dos Estudos Literários, tenha recaído, ao longo do século XX, sobre a produção lírica alinhada à tendência da “poesia pura”, encontra-se na tradição lírica modos alternativos de constituição do discurso poético a partir de uma perspectiva do indivíduo social e seu corpo no mundo. No Brasil e no mundo, a partir dos anos 1970, verifica-se, de modo mais intenso, o fenômeno que Nelly Novaes Coelho (1993, p. 11) denominou “a inegável emergência do diferente” ou a descoberta de vozes “oprimidas pelo sistema de valores dominantes”, mais especificamente, a autoria feminina e a negritude. Juntam-se a essas vozes, ainda, as representações de gênero fora da lógica heteronormativa. Essas correntes, que se solidificam na poesia contemporânea, ampliam as questões sobre identidade, voz e representação, deslocando o eixo da "poesia pura" para uma criação que dialoga diretamente com as experiências de marginalização e resistência. Em relação à autoria feminina, percebe-se que as poetas formularam modos de transitar dentro e fora da tradição hegemônica masculina, encontrando na paródia, na reescrita, na ironia e na (re)constituição identitária, formas de questionamento de valores patriarcais. A poesia de autoras como Hilda Hilst, Olga Savary e Adélia Prado, por exemplo, revela uma complexidade que desestabiliza as fronteiras entre o público e o privado, o corpo e o espírito, o desejo e a repressão. A poesia negra e/ou afrodiaspórica, conforme conceito de Bernd (1988), apresenta um eu enunciador que assume sua negritude e busca resistir à opressão colonial através da subjetivização, que se opõe à outremização, positivando símbolos negros e toda uma cosmogonia afro. Na obra de poetas como Conceição Evaristo e Miriam Alves a poesia torna-se um espaço de reconstrução identitária, em que a experiência histórica de violência e exclusão é expressa em composições que valorizam a memória, a ancestralidade e as práticas culturais afro-brasileiras, forjando, assim, uma estética de resistência. As expressões homoeróticas e queer, por sua vez, trazem à tona questionamentos sobre os limites e as fronteiras da subjetividade poética. Poetas como Angélica Freitas e Tatiana Nascimento trabalham com uma linguagem que desafia as normas heteronormativas e binárias, promovendo um espaço de liberdade criativa pelo qual o corpo e o desejo são descentrados de qualquer lógica fixa. A partir de uma perspectiva queer, a poesia contemporânea explora a fluidez dos gêneros e das sexualidades, revelando a pluralidade de vivências e de identidades possíveis. Portanto, este Simpósio visa fomentar discussões sobre como essas diversas vertentes poéticas – feminina, negra e queer – vêm se consolidando como forças criativas na poesia contemporânea, redimensionando as noções de identidade, subjetividade e linguagem dentro do campo da lírica.
Título do Evento
VII Simpósio Nacional de Letras e Linguística (SINALEL)
Cidade do Evento
Catalão
Título dos Anais do Evento
Anais do Simpósio Nacional de Letras e Linguística
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BONAFIM, Alexandre; JÚNIOR, Paulo Antônio Vieira. CARTOGRAFIAS LÍRICAS: DO MODERNO AO CONTEMPORÂNEO, A POESIA E SUAS FACES MÚLTIPLAS.. In: Anais do Simpósio Nacional de Letras e Linguística. Anais...Catalão(GO) UFCAT, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/vii-sinalel/951327-CARTOGRAFIAS-LIRICAS--DO-MODERNO-AO-CONTEMPORANEO-A-POESIA-E-SUAS-FACES-MULTIPLAS. Acesso em: 31/08/2025

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