FIGURAÇÕES DE ENCANTADOS E ENCANTARIAS EM NARRATIVAS

Publicado em 21/05/2025 - ISBN: 978-65-272-1348-2

Título do Trabalho
FIGURAÇÕES DE ENCANTADOS E ENCANTARIAS EM NARRATIVAS
Autores
  • Marisa Martins Gama Khalil
  • Mara Genecy Centeno Nogueira
  • Sonia Maria Gomes Sampaio
Modalidade
Simpósio Temático
Área temática
(Virtual - Remoto) ST: Figurações de encantados e encantarias em narrativas
Data de Publicação
21/05/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/vii-sinalel/950695-figuracoes-de-encantados-e-encantarias-em-narrativas
ISBN
978-65-272-1348-2
Palavras-Chave
Narrativa. Encantados. Encantarias. Insólito. Animismo. Pós-Colonialismo.
Resumo
O simpósio, relacionado à área temática Vertentes do Insólito Ficcional, abrigará trabalhos que se proponham a realizar reflexões sobre manifestações de encantarias e/ou de seres encantados em narrativas, sejam elas orais ou escritas, visuais e/ou audiovisuais. Entendemos as encantarias como uma paisagem imaginária através da qual os seres encantados podem desvelar-se por meio de ficções. João de Jesus Paes Loureiro define as encantarias a partir do espaço mítico e poético constituído pela mata, pelos rios e também pelo sfumato ou devaneio, no qual habitam os encantados. Configura-se também como encantaria a linguagem que poetiza e/ou narra acontecimentos desse espaço encantado. Ao figurativizar encantarias, naturalmente as palavras perdem o uso automatizado e buscam novos horizontes sígnicos. A imaginação e o devaneio tomam conta dessa linguagem ressignificada. Para tratar do devaneio, Paes Loureiro vale-se de uma noção da pintura, sfumato (esfumado), que é o efeito provocado pelo uso da estopa em vez do pincel, fazendo com que o desenho fique com as sombras esbatidas, esfumaçadas. É a natureza fugaz e imprecisa do sfumato que permite a passagem da experiência cotidiana para a experiência poética e insólita, da natureza humana para a natureza cósmica. É pelo sfumato que o insólito, o devaneio, adentra o campo do real prosaico. O espaço por excelência das encantarias é a natureza e esta encontra-se entranhada de mitos, mistérios, revelações. No caso da Amazônia, os povos originários e as comunidades beiradeiras traduzem suas experiências na floresta através de histórias, faladas ou cantadas, repletas de encantarias. Os botos, curupiras, mapinguaris, iaras ou guayaras, matintas pereiras, assombrações, miragens e visagens são alguns desses seres encantados que habitam as experiências diárias e imaginárias do povo. Esses seres encantados estão espalhados pelas paisagens imaginárias de todo o Brasil. Muitas experiências encantadas originam-se da relação íntima e simbiótica dos humanos com os animais, uma relação que, vista pelos olhos da razão ocidental, seria insólita. Contudo, os ameríndios têm uma visão animista da existência. Para Viveiros de Castro, o animismo manifesta uma equivalência autêntica e multinatural entre as relações que humanos e não-humanos cultivam consigo mesmos, por isso podemos dizer que os animais veem os animais como os humanos veem os humanos: como humanos. Assim, os sistemas animistas se caracterizam pela continuidade das relações entre humanos e não humanos. Nesses sistemas, as interioridades e subjetividades comuns superam as descontinuidades representadas pelas diferenças corporais, físicas, como é o caso do Mapinguary, nas comunidades ameríndias e beiradeiras amazônicas, ou o caso do Lobisomem, que figura em histórias pelos interiores do Brasil. O sistema animista, se observado pela lente da razão, aparece como um acontecimento insólito. Philippe Descola defende que o animismo consiste no melhor antídoto contra o solipsismo, pois em vez de um mundo centrado no eu, onde cada forma de existência existe confinada em função de características físicas específicas, existe o mundo animista, baseado em trocas transespecíficas. As narrativas ficcionais que trazem as encantarias em suas tramas, a partir algumas vezes das encantarias, desvelam sempre a transgressão, porque desautomatizam o olhar sobre as normas, sobre as verdades absolutas, sobre os discursos de dominação e de repressão. Esperamos, neste simpósio, abrigar comunicações que tratem do caráter transgressor dos seres encantados e de suas encantarias. Ailton Krenac, ao tratar da possibilidade de um futuro ancestral, nos convida a “reflorestar o nosso imaginário”. Entendemos que essa possibilidade de trabalho com o insólito despertado pelas encantarias descortina novas formas de entendimento do real, buscando construir um futuro reflorestado com base na desautomatização de olhares sobre o mundo a partir da natureza e de seres que nela habitam.
Título do Evento
VII Simpósio Nacional de Letras e Linguística (SINALEL)
Cidade do Evento
Catalão
Título dos Anais do Evento
Anais do Simpósio Nacional de Letras e Linguística
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

KHALIL, Marisa Martins Gama; NOGUEIRA, Mara Genecy Centeno; SAMPAIO, Sonia Maria Gomes. FIGURAÇÕES DE ENCANTADOS E ENCANTARIAS EM NARRATIVAS.. In: Anais do Simpósio Nacional de Letras e Linguística. Anais...Catalão(GO) UFCAT, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/vii-sinalel/950695-FIGURACOES-DE-ENCANTADOS-E-ENCANTARIAS-EM-NARRATIVAS. Acesso em: 31/08/2025

Trabalho

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