A EDUCAÇÃO NÃO FORMAL E INFORMAL NA FORMAÇÃO DOCENTE: CONTRIBUIÇÕES PARA O TRABALHO DE ENSINO DECOLONIZADO

Publicado em 31/01/2022 - ISBN: 978-65-5941-559-5

Título do Trabalho
A EDUCAÇÃO NÃO FORMAL E INFORMAL NA FORMAÇÃO DOCENTE: CONTRIBUIÇÕES PARA O TRABALHO DE ENSINO DECOLONIZADO
Autores
  • Maria Fernanda Lopes de Freitas
  • MARCIA MARIA FERNANDES DE OLIVEIRA
  • Laureane Nascimento
  • Rubiane Bakalarczyk Matoso
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
GT3 - Estudos De(s)coloniais
Data de Publicação
31/01/2022
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sociedadecritica/397277-a-educacao-nao-formal-e-informal-na-formacao-docente--contribuicoes-para-o-trabalho-de-ensino-decolonizado
ISBN
978-65-5941-559-5
Palavras-Chave
Formação docente, Educação não formal, Educação informal, Trabalho de ensino, Ensino decolonial.
Resumo
Decolonizar o trabalho de ensino envolve muitas camadas intra e interpessoais de reflexões e conflitos, inserindo-se em processos maiores, como questões sociais de classe, raciais, de gênero, epistêmicas, políticas e científicas, e dentro de cada uma dessas temáticas, ainda existem diversas camadas em profundidade e interseccionalidade. Embora lento, vemos como único caminho possível para uma educação realmente transgressora (HOOKS, 2017) e libertadora (FREIRE, 1967). Oliveira e Candau (2010, p. 36) apontam que a proposta de uma pedagogia decolonial, de emancipação epistêmica e de interculturalidade crítica, requer a coexistência de diferentes formas de produção de conhecimento, a fim de superar os padrões epistemológicos hegemônicos da academia e afirmar novos espaços de enunciação epistêmica nos movimentos sociais. Essa coexistência é prevista no art. 3º das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial de Professores (DCNs), por meio da requisição às licenciandas e aos licenciandos do desenvolvimento das correspondentes competências gerais estabelecidas na Base Nacional Comum Curricular da Educação Básica (BNCC), dentre elas “a valorização da diversidade de saberes e vivências culturais” (BRASIL, 2018, p. 9). Essa competência requer abertura para o mundo, pois essa “leitura do mundo” (FREIRE, 1996) é o resultado das nossas interações sociais com o meio, através das quais construímos e desenvolvemos nossos saberes. Entretanto, que leitura do mundo é atualmente contemplada no processo de formação docente? Quais culturas e quais saberes são considerados “válidos” para que professoras e professores realizem seus trabalhos de ensino? As respostas para essas perguntas estão sendo investigadas pelo grupo de estudos e pesquisa Ciência, Tecnologia e Interculturalidade na Educação, mais especialmente no projeto de pesquisa, Educação, Sociedade e Meio Ambiente do Centro Universitário Internacional UNINTER. Portanto, este resumo tem por objetivo divulgar os dados levantados até o momento para discutir a importância da educação não formal e informal na formação docente e o trabalho de ensino decolonial, apresentando como aspectos metodológicos a revisão de literatura, por meio de pesquisa bibliográfica, que encontra guarida teórica em Romanowski e Ens (2006) no propósito de conhecer o estado do conhecimento. Para justificar a escolha do tema, realizamos o levantamento quantitativo de artigos científicos em todos os índices e períodos nas bases de dados científicos Portal de periódicos da Capes e Scielo, buscando trabalhos brasileiros, escritos na língua portuguesa e por palavras-chaves isoladas e combinadas. Sem desconsiderar trabalhos que apareciam repetidamente e somando os resultados de ambas as bases, obtivemos os seguintes resultados: Descolonial (145); Decolonial (466); Descolonialidade (47); Decolonialidade (52); Colonialidade (491); Educação não formal (ENF) (1208); Educação informal (EI) (502); ENF/EI x descolonial (13); ENF/EI x decolonial (27); ENF/EI x descolonialidade (7); ENF/EI x decolonialidade (4); e ENF/EI x colonialidade (9). Desta forma, embora haja muitos apontamentos sobre a importância dos saberes não formais e informais para a formação cidadã, os resultados brutos indicam que a correlação direta desses saberes com os temas decoloniais ainda é pouco explorada nas pesquisas no Brasil. Esse fato pode ser explicado, por meio da construção imaginária de raiz colonial sobre os saberes considerados “válidos” como saberes docentes, herança da colonialidade do saber (QUIJANO, 2007). Entretanto, uma vez que a natureza do trabalho docente “não é uma atividade burocrática para a qual se adquire conhecimentos e habilidades técnico-mecânicas” (PIMENTA, 1999. p. 18), no início do trabalho de ensino, professoras e professores recém formados ensinam a partir das suas vivências e das suas leituras do mundo, de saberes outros, pessoais e únicos. Isso acontece porque nos cursos de formação, futuras e futuros professores podem adquirir saberes sobre a educação e sobre a pedagogia, que lhes servirão como instrumentos para suas práticas, mas somente estarão aptos a falar sobre saberes pedagógicos quando estiverem na ação pedagógica do ensino (PIMENTA, 1999, p. 26). Esses saberes outros são reconhecidos no meio acadêmico como aqueles oriundos da educação informal e da educação não formal. Por meio da educação informal, adquirimos saberes da socialização com os outros e com o mundo por ações educativas não planejadas e sem intencionalidade específica, ou seja, é o que aprendemos com os indivíduos no ambiente familiar de origem, nas relações de convívio social, entre amigos e etc. (GOHN, 2011, p.346). Já a educação não formal pode ser definida como as práticas que se desenvolvem nas organizações e nos movimentos sociais (GOHN, 2020, p. 13), que se originou nesses próprios movimentos como uma expressão sociopolítica de questionamentos aos modelos vigentes de educação para a monopolização dos saberes e reprodução do poder (MARANDINO, 2020). É uma aprendizagem intencional, mas flexível no tempo e espaço. Esse tripé formativo composto pela educação formal + não formal + informal, acaba sendo não apenas base da nossa prática docente inicial, mas também um instrumento para o trabalho de ensino decolonizado, pois permite a dialogicidade das experiências formativas dos sujeitos com o mundo e com sua profissão em construção. Caso “estivesse claro para nós que foi aprendendo que percebemos ser possível ensinar, teríamos entendido com facilidade a importância das experiências informais nas ruas, nas praças, no trabalho, nas salas de aula das escolas, nos pátios dos recreios” (FREIRE, 1996, p. 20), pois “há uma pedagogicidade indiscutível na materialidade do espaço” (FREIRE, 1996, p. 50). Esse tripé formativo compõe o que Achile Mbembe (2021) chama de “sinfonia transdiciplinar”, que transforma nossos corpos em “zona de contato, como uma ponte e zona de fronteira”, de onde emergem outros discursos e outras formas de pensar (MALDONADO-TORRES, 2020, p. 47) que colocam em diálogo diferente leituras de mundo, ampliando-as. Pensar no reconhecimento de outras formas de saberes docentes requer desobediências epistêmicas (MIGNOLO, 2008) e docentes (MOURA, 2018), pois implica pensar “dentro” da formação docente as feridas abertas pela colonialidade “fora” da profissão, ou seja, problematizar o que legitima/deslegitima os saberes docentes, ao mesmo tempo em que busca romper a racialização dos saberes e paradigmas distorcidos de conhecimento. É pensar no poder decolonial para formação docente que tem a interação entre sujeitos e saberes.
Título do Evento
II Fórum Sociedade Crítica: vida insubmissa, pensamento transgressor
Título dos Anais do Evento
Anais do II Fórum Sociedade Crítica: vida insubmissa, pensamento trangressor
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

FREITAS, Maria Fernanda Lopes de et al.. A EDUCAÇÃO NÃO FORMAL E INFORMAL NA FORMAÇÃO DOCENTE: CONTRIBUIÇÕES PARA O TRABALHO DE ENSINO DECOLONIZADO.. In: Anais do II Fórum Sociedade Crítica: vida insubmissa, pensamento trangressor. Anais...Barreiras(BA) UFOB, 2021. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sociedadecritica/397277-A-EDUCACAO-NAO-FORMAL-E-INFORMAL-NA-FORMACAO-DOCENTE--CONTRIBUICOES-PARA-O-TRABALHO-DE-ENSINO-DECOLONIZADO. Acesso em: 29/08/2025

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