DO TEATRO GREGO A KEMET: QUESTIONANDO O “NASCIMENTO” DO TEATRO OCIDENTAL E RECONHECENDO AS EPISTEMES NEGRAS

Publicado em 17/09/2026 - ISBN: 978-65-272-2746-5

Título do Trabalho
DO TEATRO GREGO A KEMET: QUESTIONANDO O “NASCIMENTO” DO TEATRO OCIDENTAL E RECONHECENDO AS EPISTEMES NEGRAS
Autores
  • Ainá Ayofemi de Campos Bento
Modalidade
Resumo para comunicação oral presencial
Área temática
Epistemes de Preta-Formação
Data de Publicação
17/09/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sirmc-616774/1475979-do-teatro-grego-a-kemet--questionando-o-nascimento-do-teatro-ocidental-e-reconhecendo-as-epistemes-negras
ISBN
978-65-272-2746-5
Palavras-Chave
Epistemes negras; Teatro negro; Kemet.
Resumo
Esta comunicação apresenta uma reflexão sobre os caminhos epistemológicos que orientam minha pesquisa de mestrado, dedicada ao estudo da recepção do espetáculo OlorumAyé: uma história iorubá, criado pelo Grupo Oriki, coletivo de teatro negro da cidade de Campinas (SP). A investigação busca compreender como diferentes públicos recebem uma obra ancorada na cosmogonia iorubá, nos rituais afro-brasileiros e na tradição oral — em um contexto histórico marcado pelos efeitos persistentes do racismo estrutural, 137 anos após a abolição da escravidão no Brasil. O percurso que levou à construção desta pesquisa nasce de uma inquietação vivida durante minha formação em Artes Cênicas. Em 2018, ao participar de um curso de mitologia na Grécia, tive contato direto com espaços frequentemente apresentados como fundadores do teatro ocidental, como o Teatro de Dionísio e o teatro de Epidauro. A experiência provocou, ao mesmo tempo, fascínio e estranhamento: se, nos cursos de teatro, aprendemos com frequência que o teatro nasceu na Grécia, como compreender a existência de tantas outras culturas profundamente ritualizadas, performativas e simbólicas que também produzem formas complexas de teatralidade? Essa inquietação levou à reflexão sobre os modos pelos quais a história do teatro ocidental foi construída a partir de perspectivas eurocêntricas, frequentemente relegando expressões culturais africanas e indígenas ao campo do folclore ou da religiosidade. Nesse contexto, torna-se fundamental questionar porque mitologias e ritualizações africanas — que estruturam parte significativa da experiência cultural brasileira — raramente são reconhecidas como matrizes legítimas de pensamento estético, filosófico e teatral. A discussão se amplia quando se considera o papel de Kemet — nome dado ao território hoje conhecido como Egito — na história da produção de conhecimento. Estudos reunidos por autores como Nei Lopes, Luiz Antonio Simas e Cheikh Anta Diop indicam que Kemet constituiu um importante centro africano de produção filosófica, científica e religiosa. Diversos pensadores gregos teriam viajado ao Vale do Nilo em busca de formação, tratando seus templos como verdadeiros conservatórios de saber. No entanto, ao longo da construção das narrativas europeias sobre a história da civilização, a contribuição africana foi frequentemente apagada ou reinterpretada. Esse processo pode ser observado no embranquecimento historiográfico e iconográfico do Egito antigo, recorrente em livros didáticos, representações artísticas e produções cinematográficas, nas quais personagens históricos são retratados majoritariamente como brancos, descolando essa civilização de suas raízes africanas. A partir dessas reflexões, esta comunicação apresenta um recorte da pesquisa em desenvolvimento voltado à discussão sobre o apagamento das contribuições africanas na história da produção de conhecimento. Povos africanos foram frequentemente representados como sociedades sem filosofia, sem ciência e sem capacidade intelectual, argumento utilizado para sustentar hierarquias raciais e justificar processos de colonização e escravização. Nesse contexto, o embranquecimento histórico de Kemet e o apagamento de suas contribuições para a formação do pensamento ocidental revelam como a própria ideia de raça foi mobilizada para deslegitimar saberes africanos. Assim, a comunicação propõe refletir sobre esse processo de invisibilização epistemológica e sobre a necessidade de reconhecer a centralidade das tradições africanas na constituição de diferentes formas de conhecimento.
Título do Evento
V Simpósio Internacional Repensando Mitos Contemporâneos - Criar Outros Corpos e Presenças
Cidade do Evento
Campinas
Título dos Anais do Evento
Anais do simpósio internacional repensando mitos contemporâneos
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BENTO, Ainá Ayofemi de Campos. DO TEATRO GREGO A KEMET: QUESTIONANDO O “NASCIMENTO” DO TEATRO OCIDENTAL E RECONHECENDO AS EPISTEMES NEGRAS.. In: Anais do simpósio internacional repensando mitos contemporâneos. Anais...Campinas(SP) PPG Artes da Cena - IA - UNICAMP, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sirmc-616774/1475979-DO-TEATRO-GREGO-A-KEMET--QUESTIONANDO-O-NASCIMENTO-DO-TEATRO-OCIDENTAL-E-RECONHECENDO-AS-EPISTEMES-NEGRAS. Acesso em: 26/10/2026

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