A CURA COMO RECONFIGURAÇÃO DO SENSÍVEL: ESTÉTICA, NECROPOLÍTICA E ANCESTRALIDADE NA OBRA DE AYRSON HERÁCLITO

Publicado em 17/09/2026 - ISBN: 978-65-272-2746-5

Título do Trabalho
A CURA COMO RECONFIGURAÇÃO DO SENSÍVEL: ESTÉTICA, NECROPOLÍTICA E ANCESTRALIDADE NA OBRA DE AYRSON HERÁCLITO
Autores
  • Vaneza Rita Silva Melo
Modalidade
Resumo para comunicação oral online
Área temática
Epistemes de Cosmo-Formação
Data de Publicação
17/09/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sirmc-616774/1464799-a-cura-como-reconfiguracao-do-sensivel--estetica-necropolitica-e-ancestralidade-na-obra-de-ayrson-heraclito
ISBN
978-65-272-2746-5
Palavras-Chave
Cura; Necropolítica; Ancestralidade; Partilha do sensível; Ayrson Heráclito.
Resumo
Este artigo analisa as performances Amaci, Sacudimentos e Bori, criadas pelo artista baiano Ayrson Heráclito, como práticas que evocam rituais ancestrais afro-brasileiros e mobilizam o conceito de cura como campo híbrido entre estética, política e ancestralidade. Nessas ações, a cura não aparece como metáfora terapêutica ou reconciliação simbólica, mas como elemento imaginário operante que tensiona a memória da escravidão, reinscreve corporalidades subalternizadas e reativa cosmologias afro-diaspóricas no espaço institucional da arte. Propõe-se, assim, compreender de que modo a arte brasileira contemporânea mobiliza a cura como categoria crítica capaz de reconfigurar o sensível e deslocar regimes históricos de invisibilidade produzidos pela colonialidade. Para fundamentar essa análise, o artigo recorre ao conceito de necropolítica formulado por Achille Mbembe, segundo o qual a modernidade institui regimes de soberania baseados na gestão diferencial da vida e da morte. A necropolítica não se restringe ao extermínio físico, mas opera por meio da precarização sistemática, da invisibilização e do apagamento simbólico. No contexto brasileiro, tal lógica se manifesta na persistência do racismo estrutural e no distanciamento institucional dos saberes afro-diaspóricos, convertendo corpos negros e suas cosmologias em zonas de marginalização e silêncio. A ferida colonial, portanto, é entendida como estrutura histórica que organiza desigualdades sensíveis e ontológicas. Em diálogo com a noção de partilha do sensível desenvolvida por Jacques Rancière, compreende-se que a arte constitui um campo capaz de redistribuir visibilidades, enunciações e posições de presença no espaço comum. A cura, nesse horizonte, não significa superação da violência histórica, mas deslocamento conflitivo da ordem que naturaliza a exclusão. Ao reinscrever no espaço expositivo gestos rituais como o amaci, o sacudimento e o bori — práticas ligadas ao candomblé e às cosmologias afro-atlânticas — Heráclito tensiona a separação moderna entre arte e espiritualidade, matéria e espírito, política e ritual. Sua obra produz uma redistribuição que é simultaneamente estética e ontológica, pois ativa presenças ancestrais como forças de mundo. Metodologicamente, o artigo articula três eixos analíticos: (1) análise estética da redistribuição do visível nas performances; (2) leitura político-histórica das marcas da necropolítica no contexto brasileiro; e (3) investigação ontológica da ativação de vínculos ancestrais na prática artística. Argumenta-se que, ao mobilizar o imaginário da cura, as ações performáticas de Ayrson Heráclito instauram uma prática contra-necropolítica que interrompe regimes de invisibilidade e reinscreve no campo do sensível corpos e cosmogonias historicamente subalternizadas. Assim, a cura emerge não como pacificação, mas como gesto crítico que torna aparente o conflito constitutivo da colonialidade e afirma a ancestralidade como potência estética e política de reconfiguração do comum.
Título do Evento
V Simpósio Internacional Repensando Mitos Contemporâneos - Criar Outros Corpos e Presenças
Cidade do Evento
Campinas
Título dos Anais do Evento
Anais do simpósio internacional repensando mitos contemporâneos
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MELO, Vaneza Rita Silva. A CURA COMO RECONFIGURAÇÃO DO SENSÍVEL: ESTÉTICA, NECROPOLÍTICA E ANCESTRALIDADE NA OBRA DE AYRSON HERÁCLITO.. In: Anais do simpósio internacional repensando mitos contemporâneos. Anais...Campinas(SP) PPG Artes da Cena - IA - UNICAMP, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sirmc-616774/1464799-A-CURA-COMO-RECONFIGURACAO-DO-SENSIVEL--ESTETICA-NECROPOLITICA-E-ANCESTRALIDADE-NA-OBRA-DE-AYRSON-HERACLITO. Acesso em: 23/10/2026

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