O MARTÍRIO VERSUS A TERRA: REPRESENTAÇÕES DA LIDERANÇA RELIGIOSA EM ANCHIETA E ITAMAR VIEIRA JÚNIOR

Publicado em 17/09/2026 - ISBN: 978-65-272-2746-5

Título do Trabalho
O MARTÍRIO VERSUS A TERRA: REPRESENTAÇÕES DA LIDERANÇA RELIGIOSA EM ANCHIETA E ITAMAR VIEIRA JÚNIOR
Autores
  • Beatriz Rodrigues Ribeiro
  • Nycolas Gustavo de Sousa Aires
  • Francisca Carolina Lima da Silva
Modalidade
Resumo para comunicação oral online
Área temática
Epistemes de Cosmo-Formação
Data de Publicação
17/09/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sirmc-616774/1446247-o-martirio-versus-a-terra--representacoes-da-lideranca-religiosa-em-anchieta-e-itamar-vieira-junior
ISBN
978-65-272-2746-5
Palavras-Chave
Liderança religiosa, Sagrado, Mito, Religiosidade, Corporeidade.
Resumo
Resumo: Historicamente, o homem organiza a origem de sua existência, enquanto indivíduo e grupo, a partir da sistematização lógica de uma série de mitos e princípios, atribuindo-lhe pertencimento ao Mundo. Como parte essencial de toda cosmogonia, a religião surge, com suas doutrinas e “leis”, como uma das maneiras do homem interpretar o mundo e, assim, afirmar sua posição enquanto ser singular no universo. Este trabalho, então, analisa a constituição da liderança religiosa em O Auto de São Lourenço, de Padre José de Anchieta ([1587]1973), e em Torto Arado (2019), de Itamar Vieira Júnior. Parte-se da hipótese de que, embora ambas apresentem figuras de liderança espiritual, elas se estruturam segundo cosmologias distintas: uma vinculada ao paradigma cristão-colonial e outra na cosmovisão afro-indígena sincrética. Assim, objetiva-se analisar como as representações da liderança religiosa nas obras elencadas constroem-se no sentido de legitimar o sagrado e atribuir sentido à experiência humana. A pesquisa fundamenta-se nas contribuições teóricas de Mircea Eliade (1991; 1992) e Karen Armstrong (1999), que compreendem o mito e o símbolo como mediadores essenciais na cultura; além de Antônio Bispo dos Santos (2020), que traz o conceito de contracolonialidade para repensar a visão dominante de cosmogonia. A metodologia adotada é de natureza qualitativa, com abordagem comparativa e analítica, privilegiando a leitura interpretativa dos textos literários à luz de conceitos sobre o sagrado, o mito e a constituição simbólica do corpo. Os resultados indicam que, no texto de Anchieta, a liderança religiosa é legitimada pela predestinação divina e pelo martírio, configurando o sofrimento como via de ascensão espiritual e o corpo como instrumento de elevação. Em contrapartida, em Torto Arado, a liderança de Zeca Chapéu Grande emerge de uma convocação espiritual ligada aos encantados e à ancestralidade, compreendendo o sofrimento como forma de enraizamento e o corpo como espaço de comunicação com o sagrado e de resistência às heranças coloniais. Nesse sentido, conclui-se que ambas as cosmologias discutidas organizam-se segundo paradigmas ontológicos distintos: um baseado na transcendência e no martírio e outro na imanência, na integração comunitária e na ancestralidade, evidenciando diferentes modos de legitimação do sagrado e de compreensão do corpo e do território.
Título do Evento
V Simpósio Internacional Repensando Mitos Contemporâneos - Criar Outros Corpos e Presenças
Cidade do Evento
Campinas
Título dos Anais do Evento
Anais do simpósio internacional repensando mitos contemporâneos
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

RIBEIRO, Beatriz Rodrigues; AIRES, Nycolas Gustavo de Sousa; SILVA, Francisca Carolina Lima da. O MARTÍRIO VERSUS A TERRA: REPRESENTAÇÕES DA LIDERANÇA RELIGIOSA EM ANCHIETA E ITAMAR VIEIRA JÚNIOR.. In: Anais do simpósio internacional repensando mitos contemporâneos. Anais...Campinas(SP) PPG Artes da Cena - IA - UNICAMP, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sirmc-616774/1446247-O-MARTIRIO-VERSUS-A-TERRA--REPRESENTACOES-DA-LIDERANCA-RELIGIOSA-EM-ANCHIETA-E-ITAMAR-VIEIRA-JUNIOR. Acesso em: 24/09/2026

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