SÍNDROME DA CIDADE DOENTE: ESTRATÉGIAS DE NEUROURBANISMO NA PROMOÇÃO DE CIDADES SAUDÁVEIS

Publicado em 13/07/2025 - ISBN: 978-65-272-1588-2

Título do Trabalho
SÍNDROME DA CIDADE DOENTE: ESTRATÉGIAS DE NEUROURBANISMO NA PROMOÇÃO DE CIDADES SAUDÁVEIS
Autores
  • Aline Gonçalves Pinheiro
  • Alexandre Junior de Souza Menezes
Modalidade
Resumo Expandido para Publicação em Anais
Área temática
GT 07 - Juventudes, Educação e Saúde
Data de Publicação
13/07/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sinjuve-semanaciso-univasf-554279/1181979-sindrome-da-cidade-doente--estrategias-de-neurourbanismo-na-promocao-de-cidades-saudaveis
ISBN
978-65-272-1588-2
Palavras-Chave
Neurourbanismo. Saúde mental. Planejamento urbano. Biofilia. Espaço público.
Resumo
RESUMO: Este estudo investiga como os ambientes urbanos impactam o bem-estar mental dos habitantes, à luz da crescente urbanização global e dos desafios impostos à saúde pública nas grandes cidades. A pesquisa parte do questionamento: as cidades estão adoecendo mentalmente seus habitantes? Parte-se da hipótese de que o adensamento urbano, a ausência de espaços verdes e os ambientes urbanos disfuncionais estão associados ao aumento de transtornos como ansiedade, estresse crônico e depressão. O objetivo da pesquisa é analisar como o neurourbanismo pode contribuir para o desenvolvimento de cidades saudáveis e humanizadas. A metodologia adotada foi uma revisão bibliográfica exploratória, com base em artigos científicos, dissertações, documentos institucionais e estudos de caso internacionais e nacionais. Os dados foram interpretados à luz da neurociência ambiental, da psicologia arquitetônica e dos conceitos de sintaxe espacial. Os resultados indicam que ambientes urbanos integrados à natureza, acessíveis e projetados com estímulos sensoriais positivos favorecem a regulação emocional e a interação social. Conclui-se que o planejamento urbano orientado pelo neurourbanismo pode mitigar os efeitos da “síndrome da cidade doente”, promovendo saúde mental e qualidade de vida. Palavras-chave: Neurourbanismo. Saúde mental. Planejamento urbano. Biofilia. Espaço público. INTRODUÇÃO O crescimento acelerado das cidades e os processos desordenados de urbanização têm provocado impactos significativos sobre a saúde mental da população, configurando um cenário preocupante para as políticas públicas e o planejamento urbano. O estresse crônico, a ansiedade, a depressão e outras manifestações psicossociais têm sido associados à exposição constante a ambientes urbanos hostis, marcados pela poluição visual e sonora, superlotação, escassez de áreas verdes e deficiências na mobilidade e na segurança pública. Nesse cenário, ganha destaque a neuroarquitetura — campo emergente que une neurociência, psicologia ambiental e design arquitetônico — ao demonstrar que os espaços construídos influenciam diretamente o comportamento, as emoções e a cognição dos indivíduos. A partir dessas premissas, o neurourbanismo desponta como proposta interdisciplinar voltada à compreensão dos efeitos da morfologia urbana sobre o cérebro humano, propondo alternativas baseadas na ciência para promover o bem-estar em contextos urbanos. A presente pesquisa tem como objetivo investigar a relação entre o desenho urbano e os estados mentais da população, buscando compreender de que forma os grandes centros urbanos podem contribuir para o adoecimento psíquico coletivo e como as estratégias inspiradas na neurociência podem ser incorporadas no planejamento urbano para a promoção de cidades mais saudáveis. Para isso, o estudo fundamenta-se em autores como Villarouco (2021), Paiva (2018) e Pallasmaa (2014), que articulam contribuições das áreas da arquitetura, neurociência, psicologia e saúde coletiva. A metodologia adotada consistiu em uma revisão bibliográfica de caráter exploratório, com levantamento e análise de livros, artigos científicos, dissertações, documentos técnicos e relatórios de experiências nacionais e internacionais que discutem a interface entre saúde mental e ambiente urbano. ANÁLISE E COMENTÁRIO DO CONTEÚDO A análise das fontes revela que a urbanização intensa sem planejamento humano e sensorial resulta em espaços urbanos com alto potencial de estresse, poluição, ruído, insegurança e isolamento social. Diversos estudos apontam que o risco de desenvolver transtornos mentais como depressão e ansiedade é significativamente maior entre moradores de áreas urbanas densas. A presença de áreas verdes, iluminação natural, boa ventilação, conectividade espacial e espaços de socialização são fatores diretamente associados à redução desses índices. Segundo Lederbogen et al. (2011), o simples fato de crescer em ambientes urbanos pode modificar estruturas cerebrais associadas à regulação do estresse, como a amígdala e o córtex cingulado. Já Cutieru (2021) observa que cidades com ambientes urbanos bem planejados promovem interações sociais e oferecem estímulos sensoriais saudáveis, o que contribui para menores taxas de depressão. Além disso, conceitos como biofilia e déficit de natureza (Louv, 2008) evidenciam que a conexão com o ambiente natural é fundamental para o equilíbrio neuroemocional. O caminhar pelas cidades, a promoção de espaços públicos atrativos e o estímulo ao transporte ativo (bicicleta, caminhada) não apenas contribuem para a saúde física, mas também para o bem-estar psíquico e social dos cidadãos. O estudo reforça que o conceito de “síndrome da cidade doente” está relacionado à má qualidade dos espaços urbanos, à falta de acessibilidade universal e à ausência de políticas públicas integradas que considerem os impactos psicossociais da cidade sobre seus habitantes. A neurociência, ao estudar os efeitos dos ambientes urbanos no cérebro, tem fornecido evidências que podem embasar práticas de planejamento urbano voltadas à saúde pública e ao desenvolvimento de cidades saudáveis. CONSIDERAÇÕES FINAIS Conclui-se que o planejamento urbano deve integrar conhecimentos da neurociência, psicologia e saúde coletiva para promover ambientes urbanos saudáveis e mentalmente equilibrados. A aplicação dos princípios do neurourbanismo permite repensar o desenho das cidades, priorizando o bem-estar dos indivíduos e comunidades. O fortalecimento de políticas públicas baseadas em evidências neurocientíficas, aliadas à promoção da equidade no acesso aos espaços urbanos, pode ser um caminho promissor para mitigar os impactos da urbanização sobre a saúde mental e transformar as cidades em ambientes promotores de vida, pertencimento e felicidade. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CUTIERU, Andreea. Neurociência ambiental: um campo emergente para cidades mais equitativas. ArchDaily Brasil, 2021. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/969362. Acesso em: 11 jul. 2023. LEDERBOGEN, Florian et al. City living and urban upbringing affect neural social stress processing in humans. Nature, v. 474, p. 498–501, 2011. LOUV, Richard. A última criança na natureza: resgatando nossas crianças do transtorno de déficit de natureza. São Paulo: Aquariana, 2008. PAIVA, Luciana. Neuroarquitetura: como o ambiente físico influencia emoções e comportamentos. São Paulo: Gente, 2018. PALLASMAA, Juhani. Os olhos da pele: a arquitetura e os sentidos. São Paulo: Martins Fontes, 2014. VILLAROUCO, Vilma. Neurociência aplicada ao design e à arquitetura. Recife: EdUFPE, 2021.
Título do Evento
II SIMPÓSIO INTERNACIONAL JUVENTUDES E EDUCAÇÃO - SINJUVE & XI SEMANA DE CIÊNCIAS SOCIAIS - UNIVASF
Cidade do Evento
Juazeiro
Título dos Anais do Evento
Dossiê Conjunto de Produções Acadêmicas da 2ª Edição do Simpósio Internacional sobre Juventudes e Educação e 11ª Edição da sSemana de Ciências Sociais/UNIVASF
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

PINHEIRO, Aline Gonçalves; MENEZES, Alexandre Junior de Souza. SÍNDROME DA CIDADE DOENTE: ESTRATÉGIAS DE NEUROURBANISMO NA PROMOÇÃO DE CIDADES SAUDÁVEIS.. In: Dossiê Conjunto de Produções Acadêmicas da 2ª Edição do Simpósio Internacional sobre Juventudes e Educação e 11ª Edição da sSemana de Ciências Sociais/UNIVASF. Anais...Juazeiro(BA) Complexo Multieventos/UNIVASF, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sinjuve-semanaciso-univasf-554279/1181979-SINDROME-DA-CIDADE-DOENTE--ESTRATEGIAS-DE-NEUROURBANISMO-NA-PROMOCAO-DE-CIDADES-SAUDAVEIS. Acesso em: 31/08/2025

Trabalho

Even3 Publicacoes