Título do Trabalho
ECOLOGIA MÉDICA: UMA ABORDAGEM INOVADORA PARA AS PRÁTICAS NA SAÚDE
Autores
  • Alexandre Junior de Souza Menezes
Modalidade
Resumo Expandido para Publicação em Anais
Área temática
GT 07 - Juventudes, Educação e Saúde
Data de Publicação
13/07/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sinjuve-semanaciso-univasf-554279/1181954-ecologia-medica--uma-abordagem-inovadora-para-as-praticas-na-saude
ISBN
978-65-272-1588-2
Palavras-Chave
Ecologia médica. Complexidade. Saúde coletiva. Cuidado. Território
Resumo
RESUMO: Com o avanço das doenças crônicas, dos transtornos psíquicos e da degradação ambiental, essa abordagem torna-se estratégica para a formulação de práticas de cuidado mais sensíveis à complexidade da vida. Este trabalho tem como objetivo analisar a Ecologia Médica como um campo emergente e inovador para as práticas em saúde, especialmente diante dos desafios contemporâneos. A metodologia adotada foi uma revisão bibliográfica de natureza qualitativa e exploratória, com base em autores como Avila-Pires, Edgar Morin, Campanelli e Luz. Os resultados apontam para a necessidade de repensar os modelos hegemônicos de cuidado à luz da interdisciplinaridade, da sustentabilidade e da integralidade. A Ecologia Médica se mostra potente ao considerar o sujeito como parte ativa de um ecossistema vivo e interdependente, abrindo caminhos para uma medicina mais ética, territorializada e conectada com os direitos humanos e a justiça ambiental. Palavras-chave: Ecologia médica. Complexidade. Saúde coletiva. Cuidado. Território. INTRODUÇÃO O cenário contemporâneo é profundamente impactado por crises sistêmicas interligadas — sanitárias, ambientais, sociais e econômicas — que colocam em xeque os modelos convencionais de atenção à saúde. A pandemia de COVID-19, o aumento dos transtornos mentais, a insegurança alimentar, a desigualdade social e as mudanças climáticas evidenciam os limites de um modelo biomédico centrado na doença e descolado das realidades territoriais e culturais. A fragmentação dos saberes e a compartimentalização dos sistemas de cuidado resultam em respostas tecnicistas e pouco resolutivas diante de fenômenos complexos e multifatoriais. Nesse contexto, torna-se urgente repensar as práticas em saúde a partir de um olhar integrador, capaz de considerar o sujeito em sua totalidade e inserido em um ecossistema de relações com o meio ambiente, com os outros e consigo mesmo. É nesse horizonte que a Ecologia Médica se consolida como uma abordagem inovadora, articulando o pensamento complexo, a saúde coletiva, a biologia, a antropologia, a ética e a sustentabilidade (Avila-Pires, 2000). Ao reconhecer o ser humano como parte de um sistema vivo e interdependente, propõe uma leitura ampliada dos processos de adoecimento, considerando os determinantes ecológicos, simbólicos e socioculturais da saúde. Este estudo tem como objetivo refletir sobre o potencial transformador da Ecologia Médica na reorientação das práticas em saúde, promovendo uma visão mais ética, territorializada e conectada à vida. A metodologia adotada baseou-se em uma revisão bibliográfica exploratória, com levantamento sistemático de obras acadêmicas, artigos científicos e documentos técnicos que abordam as interfaces entre saúde, ambiente e complexidade. A seleção do material seguiu critérios de relevância teórica, atualidade e aderência ao campo da Ecologia Médica. ANÁLISE E COMENTÁRIO DO CONTEÚDO A Ecologia Médica parte do pressuposto de que a saúde é um fenômeno relacional, que emerge da interação contínua entre o corpo humano, os territórios onde ele habita e os contextos socioculturais e ambientais aos quais está exposto. Essa abordagem rompe com a lógica reducionista da medicina tradicional, que isola a doença do contexto de vida do sujeito, ignorando os determinantes sociais, simbólicos e ecológicos do adoecer (Campanelli,. et al.2022). Ao contrário, a Ecologia Médica entende que o sofrimento psíquico, as doenças crônicas e os desequilíbrios fisiológicos frequentemente são manifestações de crises mais amplas — como a desestruturação dos vínculos sociais, a degradação dos ecossistemas e os modelos alimentares industrializados. Nesse sentido, ela reivindica uma visão ampliada de saúde que considere a ecodinâmica dos espaços urbanos e rurais, a qualidade das relações humanas, a organização do trabalho e os modos de vida como elementos centrais na produção ou erosão da saúde(Avila-Pires, 2000). Essa abordagem também propõe um redesenho das práticas de cuidado, que passam a ser compreendidas como processos coletivos, participativos e territoriais. A incorporação de saberes ancestrais, das práticas integrativas e complementares, da agroecologia, da promoção de territórios saudáveis e da escuta sensível das comunidades são pilares centrais dessa nova forma de pensar a saúde (Morin, 2001). Além disso, a Ecologia Médica exige a atuação intersetorial, promovendo diálogos entre saúde, educação, meio ambiente, assistência social, cultura e urbanismo. Ao deslocar o cuidado do hospital para o território, e do especialista para a comunidade, fortalece-se a autonomia dos sujeitos e a corresponsabilidade coletiva sobre o bem viver. Portanto, ao adotar a Ecologia Médica como referência, é possível fomentar políticas públicas mais sustentáveis, equitativas e alinhadas à justiça social e ambiental, transformando o cuidado em uma prática verdadeiramente integral e contextualizada (Luz, 1988). CONSIDERAÇÕES FINAIS A Ecologia Médica desponta como um paradigma promissor para enfrentar as doenças contemporâneas, especialmente aquelas enraizadas nas dinâmicas sociais, ambientais e simbólicas. Patologias do século XXI — como transtornos psíquicos, doenças crônicas e distúrbios ligados ao estresse ambiental e laboral — desafiam os modelos biomédicos convencionais, focados no controle de sintomas e na medicalização dos corpos. Nesse cenário, a Ecologia Médica propõe uma ruptura teórica e prática, entendendo a saúde como resultado de relações equilibradas entre corpo, território e ambiente social. Trata-se de deslocar o foco clínico para o cuidado enquanto prática coletiva, situada e interdependente. Ao reposicionar o cuidado como ação ética e territorializada, a Ecologia Médica contribui para a formulação de políticas públicas mais acolhedoras, participativas e sustentáveis. A promoção da saúde exige não apenas tecnologia, mas também o fortalecimento de vínculos, o respeito à diversidade cultural e a valorização de saberes locais. Iniciativas como cidades saudáveis, acesso a espaços verdes, humanização dos serviços e escuta das comunidades exemplificam essa abordagem. Repensar as relações entre saber, poder e natureza torna-se, assim, uma exigência política essencial para um cuidado integral, comprometido com a vida em sua complexidade. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AVILA-PIRES, F. D. Princípios de Ecologia Médica. Florianópolis: Editora UFSC, 2000. CAMPANELLI, E. D. et al. A relação saúde pública-meio ambiente e o biomonitoramento como ferramenta para a avaliação, promoção e conservação da saúde ambiental. 2022. Tese (Doutorado). ENSP/Fiocruz. LUZ, M. T. Natural, racional, saudável: as medicinas alternativas no Brasil. Rio de Janeiro: Campus, 1988. MORIN, E. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. RJ: Bertrand Brasil, 2001.
Título do Evento
II SIMPÓSIO INTERNACIONAL JUVENTUDES E EDUCAÇÃO - SINJUVE & XI SEMANA DE CIÊNCIAS SOCIAIS - UNIVASF
Cidade do Evento
Juazeiro
Título dos Anais do Evento
Dossiê Conjunto de Produções Acadêmicas da 2ª Edição do Simpósio Internacional sobre Juventudes e Educação e 11ª Edição da sSemana de Ciências Sociais/UNIVASF
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MENEZES, Alexandre Junior de Souza. ECOLOGIA MÉDICA: UMA ABORDAGEM INOVADORA PARA AS PRÁTICAS NA SAÚDE.. In: Dossiê Conjunto de Produções Acadêmicas da 2ª Edição do Simpósio Internacional sobre Juventudes e Educação e 11ª Edição da sSemana de Ciências Sociais/UNIVASF. Anais...Juazeiro(BA) Complexo Multieventos/UNIVASF, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sinjuve-semanaciso-univasf-554279/1181954-ECOLOGIA-MEDICA--UMA-ABORDAGEM-INOVADORA-PARA-AS-PRATICAS-NA-SAUDE. Acesso em: 31/08/2025

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