INCORPORAR A INSURGÊNCIA: CORPOS-DOCENTES, RESPIRAÇÃO E ANCESTRALIDADE NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES.

Publicado em 13/07/2025 - ISBN: 978-65-272-1588-2

Título do Trabalho
INCORPORAR A INSURGÊNCIA: CORPOS-DOCENTES, RESPIRAÇÃO E ANCESTRALIDADE NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES.
Autores
  • Leandro Henrique do O Ponzi
  • Ana Lúcia Gomes da Silva
Modalidade
Resumo Expandido para Publicação em Anais
Área temática
GT 08 - Raça, gênero e sexualidade: crítica decolonial, subversão epistêmica e insurgências sociopolíticas
Data de Publicação
13/07/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sinjuve-semanaciso-univasf-554279/1181330-incorporar-a-insurgencia--corpos-docentes-respiracao-e-ancestralidade-na-formacao-de-professores
ISBN
978-65-272-1588-2
Palavras-Chave
Professoralização; Corpo(S)grafia; Educação e Diversidade; Raça e Gênero; Educação Básica.
Resumo
GT 08 – RAÇA, GÊNERO E SEXUALIDADE: CRÍTICA DECOLONIAL, SUBVERSÃO EPISTÊMICA E INSURGÊNCIAS SOCIOPOLÍTICAS AUTOR(A): [Leandro Henrique do Ó Ponzi]- Mestre em Educação e Diversidade pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB. Pesquisador das relações entre corpo, docência e arte na educação básica. E-mail: [henriqueponzi@gmail.com]. AUTOR(A): [Ana Lúcia Gomes da Silva] - Doutora em Educação pela Universidade Federal da Bahia - UFBA. Docente da Uneb. Resumo: Este trabalho propõe discutir os modos como a docência na educação básica pode se constituir como prática de resistência e reexistência a partir dos corpos corporificados que ensinam e respiram em meio a um cotidiano escolar marcado por atravessamentos de raça, gênero e classe. A partir da experiência de uma corpo(S)grafia realizada com professoras do interior da Bahia, em território de forte presença de culturas afro-diaspóricas e indígenas, aciona-se o conceito de IncorporAR como verbo micropolítico e poético que reinscreve o corpo-professor como superfície de memória, afeto e criação. O artigo se inscreve numa perspectiva pós-crítica e anticapitalista, dialogando com autoras/es como bell hooks, Suely Rolnik, e Sandra Corazza, e se ancora em práticas pedagógicas que tensionam a normatividade epistemológica e corporal na escola. São os gestos e as respirações das professoras que emergem como potências insurgentes, apontando para uma pedagogia encarnada, situada e subversiva. INTRODUÇÃO O trabalho objetiva discutir a docência como experiência sensível e política, considerando o corpo-professor e suas potências diante de um cotidiano escolar que frequentemente o desqualifica ou silencia. A pesquisa, de caráter pós-crítica e cartográfica, insere a estética da existência, em diálogo com a experiência de campo realizada com professoras da educação básica no interior da Bahia, território marcado por forte presença afro-diaspórica e indígena. A proposição metodológica denominada corpo(S)grafia, realizou encontros nos quais a respiração, o gesto, o silêncio e a criação artística foram convocados como pistas para um outro modo de habitar a docência. Nesse contexto, emerge o conceito de IncorporAR, verbo que articula corpo e ar, gesto e resistência, saber e presença. Inspirado por alguns autores/as como Deleuze e Guattari (1995), bell hooks (2017), Suely Rolnik (2016), Sandra Corazza (2002), IncorporAR propõe-se como verbo de transcriação e invenção. A pesquisa escuta as falas das professoras como territórios de saber. Busca compreender como o corpo-docente carrega marcas do colonialismo, do patriarcado e da normatividade escolar, mas também como nele vibram memórias, afetos e gestos de criação que escapam e se reinventam de outros modos. Dados emergentes em rizoma A análise realizada apontou que o corpo é campo de forças , epistemologia, e também território político e estético. Para além da dicotomia mente-corpo, pensar o corpo-professor como superfície de inscrição implica reconhecer suas camadas históricas, simbólicas e afetivas. Como aponta Suely Rolnik (2016), a escuta do corpo permite captar forças que ainda não se traduziram em linguagem, abrindo-se à emergência do novo. No contexto das oficinas corpo(S)gráficas, a respiração foi o primeiro gesto convocado. Uma das professoras afirmou: “A escola corre tanto que eu já não sabia mais como era meu ritmo. Quando a gente deitou no chão, eu senti que tinha algo em mim que estava preso fazia tempo.” Essa fala revela o quanto o corpo é capturado pela lógica da aceleração, mas também como o gesto de respirar pode se tornar um dispositivo klínica e escuta. Professora, Lucivani, mulher negra, trouxe a imagem de seu corpo como “uma tela em branco”, dizendo que ele “muitas vezes não aparece em sala de aula e na docência”. A metáfora da tela em branco é aqui compreendida como disponibilidade criadora, um corpo como lugar de acontecimento, como nos propõe Deleuze (1995). Já Regina afirma: “Eu sempre tive muita dificuldade em saber quem eu sou.[...] Meu útero é algo que não vai ter fim.” Sua fala inscreve a ancestralidade como saber que se move no corpo e rompe a hierarquia do pensamento racionalizado ao sentir o seu ventre como espaço de vida. O conceito de IncorporAR nasce dessas falas: é respirar com o que há de mais vivo no corpo, mesmo quando silenciado. Lembrar que, para muitos saberes afro-diaspóricos e indígenas, incorporar é tornar presente aquilo que habita para além da razão, como o sagrado e a memória coletiva. Que se amplia em bell hooks (2017), ao falar sobre ensinar como ato de amor, convoca uma pedagogia que não se separa do corpo nem da dor. Ao invés de “formar” professoras, IncorporAR propõe escavar presenças. As práticas poéticas, os silêncios, os traços sobre a cartolina, o chão como superfície de inscrição: tudo isso configura uma corpo(S)grafia do sensível. Sandra Corazza (2013, p.42) sobre educar diz que “consiste, justamente, em nossa potência, em nossa força, em nossa vontade de educar; naquela energia, [...] que nos leva a permanecer educando, apesar de tantos fatores adversos e desanimadores”. Transcriar — criar com o que há, com o que pulsa, com o que escapa. A docência torna-se, assim, uma escrita de si e do mundo. CONSIDERAÇÕES FINAIS O conceito de IncorporAR convoca uma escuta ampliada dos corpos-docentes, em contextos atravessados por opressões estruturais. Os corpos das professoras da educação básica são campos de saber, de ancestralidade e de resistência cotidiana. Pensar a docência a partir do corpo corporificado é uma forma de rasurar o projeto normativo de escola e abrir brechas para que outras epistemologias, e outras presenças possam emergir. IncorporAR - verbo de urgência: convoca à invenção, à pausa, à respiração como forma de estar no mundo e de ensinar. Frente à tentativa de silenciamento de saberes encarnados, o corpo que respira, cria e transcrita pode vir a ser um campo vivo de possibilidades como afirmação da diferença e diversidade. REFERÊNCIAS CORAZZA, Sandra. O que se transcria na educação? Belo Horizonte: Autêntica, 2013. DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia. Rio de Janeiro: Editora 34, 1995. HOOKS, bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2017. ROLNIK, Suely. Cartografia sentimental. Porto Alegre: Sulina, 2016.
Título do Evento
II SIMPÓSIO INTERNACIONAL JUVENTUDES E EDUCAÇÃO - SINJUVE & XI SEMANA DE CIÊNCIAS SOCIAIS - UNIVASF
Cidade do Evento
Juazeiro
Título dos Anais do Evento
Dossiê Conjunto de Produções Acadêmicas da 2ª Edição do Simpósio Internacional sobre Juventudes e Educação e 11ª Edição da sSemana de Ciências Sociais/UNIVASF
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

PONZI, Leandro Henrique do O; SILVA, Ana Lúcia Gomes da. INCORPORAR A INSURGÊNCIA: CORPOS-DOCENTES, RESPIRAÇÃO E ANCESTRALIDADE NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES... In: Dossiê Conjunto de Produções Acadêmicas da 2ª Edição do Simpósio Internacional sobre Juventudes e Educação e 11ª Edição da sSemana de Ciências Sociais/UNIVASF. Anais...Juazeiro(BA) Complexo Multieventos/UNIVASF, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sinjuve-semanaciso-univasf-554279/1181330-INCORPORAR-A-INSURGENCIA--CORPOS-DOCENTES-RESPIRACAO-E-ANCESTRALIDADE-NA-FORMACAO-DE-PROFESSORES. Acesso em: 31/08/2025

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