NOVO ENSINO MÉDIO NAS REDES: AS DISPUTAS PELOS SENTIDOS DA EDUCAÇÃO PARA A JUVENTUDE NA CULTURA DIGITAL

Publicado em 13/07/2025 - ISBN: 978-65-272-1588-2

Título do Trabalho
NOVO ENSINO MÉDIO NAS REDES: AS DISPUTAS PELOS SENTIDOS DA EDUCAÇÃO PARA A JUVENTUDE NA CULTURA DIGITAL
Autores
  • Lucas Xavier de Oliveira
Modalidade
Resumo Expandido para Publicação em Anais
Área temática
GT 10 - Ensino Médio, educação profissional e a formação de jovens
Data de Publicação
13/07/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sinjuve-semanaciso-univasf-554279/1181069-novo-ensino-medio-nas-redes--as-disputas-pelos-sentidos-da-educacao-para-a-juventude-na-cultura-digital
ISBN
978-65-272-1588-2
Palavras-Chave
Discurso. Novo Ensino Médio. Cultura Digital.
Resumo
RESUMO Este trabalho busca compreender de que maneira os sentidos sobre a educação para a juventude no Brasil são formulados no debate público sobre o Novo Ensino Médio. O estudo se propõe a navegar pelas redes digitais enquanto agenciadoras desse debate, utilizando como base de análise a Teoria Política do Discurso (TPD) de Laclau e Mouffe (2015). A TPD é aplicada a um debate que se desenvolve no formato discursivo próprio da cultura digital, na qual os antagonismos emergem em um fluxo sitiado por algoritmos de recomendação. O corpus inicial de análise é formado por influenciadores digitais, parlamentares, movimentos políticos e empresas de comunicação. O processo metodológico-analítico se dá pela atenção aos enunciados e significantes que permitem a flutuação dos sentidos da educação para a juventude, tais como “flexibilização do currículo”, “futuro” e “formação técnica”. O esforço teórico-metodológico do trabalho se dá na desconstrução da suposta obviedade ou transparência dos fenômenos, conduzindo a um trabalho crítico-analítico. INTRODUÇÃO O debate público sobre o NEM se desenvolve no contexto da “plataformização da vida” (Van Djick e Poell, 2018), na qual se promove a interpenetração de infraestruturas digitais em processos econômicos e governamentais, presentes em diferentes setores. Nesse sentido, forma-se uma cultura digital sustentada pela "economia da atenção", na qual o debate, saturado de informações que se atualizam constantemente, só encontra apelo ao público quando é radicalizado. É neste contexto que emergem as controvérsias sobre a educação para a juventude, em redes dialógicas que articulam especialistas, influenciadores, professores, gestores, políticos, estudantes e demais atores sociais que se juntam ao debate sobre educação no país. O estudo analítico e exploratório utiliza como base de análise a Teoria Política do Discurso (TPD) de Laclau e Mouffe (2015), considerando que os embates se desenrolam em meio a uma conjuntura marcada por instabilidade econômica, crises políticas e ascensão de movimentos de extrema-direita. A pesquisa tem como objetivo investigar os efeitos discursivos, ideológicos e midiáticos produzidos no debate público sobre o NEM, com os objetivos de compreender que sentidos da educação para a juventude estão em disputa e de que maneira eles sustentam ou refutam o discurso hegemônico das reformas educacionais. Para isso, o estudo se propõe a navegar pelas redes dialógicas que articulam atores sociais de relevância no debate sobre educação para a juventude no país. Trata-se de uma pesquisa qualitativa com objetivo analítico e exploratório, no sentido em que “se preocupa com o nível de realidade que não pode ser quantificado, ou seja, ela trabalha com o universo de significados, de motivações, aspirações, crenças, valores e atitudes” (Minayo, p. 2014, 17). O trabalho teórico-metodológico busca confrontar a aparente transparência dos fenômenos, promovendo uma análise crítica e aprofundada a partir de um corpus inicial, que passa a ser recomposto a partir da fruição do processo de análise. Entre os atores que compõem essas disputas, destacamos o Movimento Brasil Livre (MBL), Banco Mundial, influenciadores digitais como o professor de História Jones Manoel, o programa de humor Greg News, a produtora Brasil Paralelo, imprensa, políticos e entidades como o Todos Pela Educação e Fundação Lemann. ANÁLISE E COMENTÁRIO DO CONTEÚDO Esboçamos inicialmente a formação hegemônica do discurso sobre o NEM, capitaneado tanto por instituições como o Banco Mundial, autoridades políticas como o ex-ministro da Educação Mendonça Filho, além de partidos políticos como o PMDB. Dentro dessa lógica discursiva, o Estado é considerado um obstáculo à qualidade da educação, visto como um gestor ineficiente que interfere no funcionamento do mercado. Por isso, defende-se sua redução ao mínimo, sem possibilidade de intervenção na dinâmica econômica. Um dos efeitos observados é que os algoritmos de recomendação tendem a restringir os usuários a um ambiente discursivo alinhado aos seus interesses e crenças. Essa chamada “bolha de filtro” os mantém em uma “zona de conforto cognitivo”, reforçando o viés de confirmação, já que são constantemente expostos a informações que validam suas perspectivas. Com o tempo, esses grupos passam a ter pouco contato com pontos de vista divergentes, debates e ideias em rota de oposição. É nesse sentido em que se forma uma “governança emocional algorítmica”, definida como “governança de sociedades baseadas em algoritmos que processam dados massivos para aproveitar a dinâmica emocional dos governados.” (Michel e Gandon, 2024, p.4). Esse processo pode se tornar um forte impulsionador da radicalização e da polarização, podendo levar à propagação de ideologias ultranacionalistas. CONSIDERAÇÕES FINAIS Pudemos notar que a esfera das plataformas digitais se apresenta como um terreno de onde emergem discursos laudatórios e críticos a respeito do NEM, dando espaço a uma produção discursiva que ultrapassa a própria formulação da política educacional e aponta precisamente para o papel da educação para a juventude na sociedade. Nesse sentido, tal como prevê a Teoria Política do Discurso, a hegemonia sobre a noção de educação para a juventude encontra suturas de onde emergem discursos antagônicos que conduzem para outros lugares possíveis de formação das juventudes, com base em concepções de escola que ultrapassam a lógica bancária e mercadológica da educação, apontando para modelos que levam em conta as subjetividades e as culturas nas quais o processo educativo se desenvolve. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Freitas, Luiz C. de. A reforma empresarial da educação:. nova direita, velhas ideias. 1 ed. São Paulo: Expressão Popular, 2018. Laclau, Ernesto; Mouffe, Chantal. Hegemonia e Estratégia Socialista: por uma política democrática radical. São Paulo: Editora Entremeios, 2015 Michel, F.; Gandon, Fabien. Pay Attention: a Call to Regulate the Attention Market and Prevent Algorithmic Emotional Governance. arXiv:2402.16670v1 [cs.SI] 26 Feb 2024 Minayo, M. C. de S. (Org.). O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 14ª ed. Rio de Janeiro: Hucitec, 2014. Van Dijck, José; Poell, Thomas; De Waal, Martijn. The platform society: Public values in a connective world. Oxford University Press, 2018.
Título do Evento
II SIMPÓSIO INTERNACIONAL JUVENTUDES E EDUCAÇÃO - SINJUVE & XI SEMANA DE CIÊNCIAS SOCIAIS - UNIVASF
Cidade do Evento
Juazeiro
Título dos Anais do Evento
Dossiê Conjunto de Produções Acadêmicas da 2ª Edição do Simpósio Internacional sobre Juventudes e Educação e 11ª Edição da sSemana de Ciências Sociais/UNIVASF
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

OLIVEIRA, Lucas Xavier de. NOVO ENSINO MÉDIO NAS REDES: AS DISPUTAS PELOS SENTIDOS DA EDUCAÇÃO PARA A JUVENTUDE NA CULTURA DIGITAL.. In: Dossiê Conjunto de Produções Acadêmicas da 2ª Edição do Simpósio Internacional sobre Juventudes e Educação e 11ª Edição da sSemana de Ciências Sociais/UNIVASF. Anais...Juazeiro(BA) Complexo Multieventos/UNIVASF, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sinjuve-semanaciso-univasf-554279/1181069-NOVO-ENSINO-MEDIO-NAS-REDES--AS-DISPUTAS-PELOS-SENTIDOS-DA-EDUCACAO-PARA-A-JUVENTUDE-NA-CULTURA-DIGITAL. Acesso em: 30/08/2025

Trabalho

Even3 Publicacoes