CAPITALISMO E CONTROLE SOCIAL: CONFLITOS TERRITORIAIS E AMBIENTAIS NA BAHIA

Publicado em 13/07/2025 - ISBN: 978-65-272-1588-2

Título do Trabalho
CAPITALISMO E CONTROLE SOCIAL: CONFLITOS TERRITORIAIS E AMBIENTAIS NA BAHIA
Autores
  • Vinicius Diego Sousa Colares
  • Adalton Marques
Modalidade
Resumo Expandido para Publicação em Anais
Área temática
GT 04 - Expulsões, contenções e controles territoriais no Semiárido brasileiro
Data de Publicação
13/07/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sinjuve-semanaciso-univasf-554279/1180087-capitalismo-e-controle-social--conflitos-territoriais-e-ambientais-na-bahia
ISBN
978-65-272-1588-2
Palavras-Chave
acumulação primitiva; colonialismo; conflitos territoriais; resistência.
Resumo
RESUMO Este estudo analisa os conflitos territoriais e ambientais na Bahia, destacando a persistência do conceito marxista de acumulação primitiva nas práticas contemporâneas de exploração e expropriação. Aborda fenômenos como a grilagem de terras, mineração e energia eólica, enfatizando impactos nas comunidades tradicionais e no meio ambiente. Utiliza-se revisão bibliográfica com base em textos teóricos clássicos e contemporâneos, evidenciando que as estruturas coloniais permanecem como fundamento das desigualdades de classe, raça e gênero. A resistência comunitária surge como eixo central na contestação do modelo desenvolvimentista vigente, sendo essencial para compreender as contradições intrínsecas ao capitalismo contemporâneo. O estudo conclui que os conflitos analisados são expressões diretas da continuidade colonial, exigindo políticas públicas eficazes e participação ativa das comunidades para garantir justiça social e ambiental. Palavras-chave: acumulação primitiva; colonialismo; conflitos territoriais; resistência. 1. INTRODUÇÃO O presente trabalho objetiva discutir como os conflitos territoriais e ambientais na Bahia expressam as dinâmicas históricas e contemporâneas do capitalismo, particularmente as práticas contínuas da acumulação primitiva descritas por Marx (2013). Analisa-se como fenômenos como a grilagem de terras, mineração e implantação de parques eólicos têm aprofundado desigualdades estruturais, afetando diretamente comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas. Adota-se uma metodologia baseada em pesquisa bibliográfica qualitativa, utilizando autores clássicos como Marx (2013) e Luxemburgo (1970), além de abordagens contemporâneas como as de Alliez e Lazzarato (2021), Ferdinand (2022) e outros autores que abordam os impactos ambientais e sociais decorrentes dessas práticas. 2. ANÁLISE E COMENTÁRIO DO CONTEÚDO Inicialmente, o estudo contextualiza a acumulação primitiva, abordada por Marx (2013), destacando-a não apenas como evento histórico, mas como prática contínua que sustenta o capitalismo global. Exemplos específicos dessa acumulação contínua são ilustrados por meio de casos de grilagem de terras na Bahia, facilitados por mecanismos jurídicos e institucionais que privilegiam grandes proprietários e corporações (Oliveira, 2020). Além disso, analisa-se como a mineração tem gerado conflitos intensos, apontando práticas violentas e ecocidas que resultam na destruição de ecossistemas e modos de vida tradicionais, como observado nos casos de Jaguarari e Sento Sé (Antonino & Germani, 2021; Marques et al., 2021). Similarmente, o desenvolvimento da energia eólica no semiárido é tratado como exemplo contemporâneo da "acumulação por despossessão", com implicações diretas nas comunidades locais devido à privatização dos ventos, tratados como mercadoria (Traldi, 2021; Pereira, 2023). O estudo também problematiza o papel do Estado na reprodução dessas práticas expropriadoras, destacando sua atuação ambígua na regularização fundiária e concessões ambientais, frequentemente favorecendo grandes empresas (Ribeiro & Oliveira, 2021). Essa atuação estatal é central para entender como o capitalismo contemporâneo perpetua desigualdades estruturais através de processos contínuos de colonização e exploração. Ainda, o trabalho ressalta a importância da resistência comunitária frente a esses processos. Destaca-se a luta dos movimentos sociais e das comunidades tradicionais, que através de mobilizações e ações jurídicas buscam garantir o reconhecimento dos seus direitos territoriais e ambientais. Esta resistência, muitas vezes enfrentada com violência e repressão estatal, revela as contradições e limites do modelo econômico vigente, baseado na exploração desenfreada dos recursos naturais e na marginalização das populações locais. 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS As análises evidenciam que os conflitos territoriais e ambientais na Bahia são manifestações diretas da continuidade das práticas de acumulação primitiva e colonialismo, fundamentais para a reprodução do capitalismo contemporâneo. A resistência das comunidades afetadas emerge como fator essencial para enfrentar as contradições inerentes a esse modelo. Recomenda-se estudos futuros que ampliem a análise comparativa entre diferentes territórios, visando uma compreensão mais ampla das estratégias de resistência comunitária e seus impactos na promoção da justiça socioambiental. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALLIEZ, Éric; LAZZARATO, Maurizio. Guerras e Capital. São Paulo: Ubu Editora, 2021. ANTONINO, Lucas Zenha; GERMANI, Guiomar. Amputações das montanhas do sertão: ecocídio e mineração na Bahia. Paulo Afonso: SABEH, 2021. FERDINAND, Malcom. Uma ecologia decolonial: pensar a partir do mundo caribenho. São Paulo: Ubu Editora, 2022. LUXEMBURG, Rosa. A acumulação do capital. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1970. MARX, Karl. O capital. São Paulo: Boitempo, 2013. OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino de. A grilagem de terras na formação territorial brasileira. São Paulo: FFLCH/USP, 2020. PEREIRA, Lorena Izá. Boletim Alfenense de Geografia. Alfenas, v. 3, n. 5, p. 93-123, 2023. RIBEIRO, Carolina Silva; OLIVEIRA, Gilca Garcia. Terras Públicas, Comunidades Tradicionais e Corredores de Vento: Caminhos da Energia Eólica na Bahia, 2021. TRALDI, Mariana. Revista Ambiente & Sociedade, v. 24, p. 01-24, 2021.
Título do Evento
II SIMPÓSIO INTERNACIONAL JUVENTUDES E EDUCAÇÃO - SINJUVE & XI SEMANA DE CIÊNCIAS SOCIAIS - UNIVASF
Cidade do Evento
Juazeiro
Título dos Anais do Evento
Dossiê Conjunto de Produções Acadêmicas da 2ª Edição do Simpósio Internacional sobre Juventudes e Educação e 11ª Edição da sSemana de Ciências Sociais/UNIVASF
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

COLARES, Vinicius Diego Sousa; MARQUES, Adalton. CAPITALISMO E CONTROLE SOCIAL: CONFLITOS TERRITORIAIS E AMBIENTAIS NA BAHIA.. In: Dossiê Conjunto de Produções Acadêmicas da 2ª Edição do Simpósio Internacional sobre Juventudes e Educação e 11ª Edição da sSemana de Ciências Sociais/UNIVASF. Anais...Juazeiro(BA) Complexo Multieventos/UNIVASF, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sinjuve-semanaciso-univasf-554279/1180087-CAPITALISMO-E-CONTROLE-SOCIAL--CONFLITOS-TERRITORIAIS-E-AMBIENTAIS-NA-BAHIA. Acesso em: 31/08/2025

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