DISCUTINDO O RACISMO ESTRUTURAL: UMA ABORDAGEM SOCIOLÓGICA NO CONTEXTO DO PIBID EM UMA ESCOLA PÚBLICA DE PETROLINA-PE

Publicado em 13/07/2025 - ISBN: 978-65-272-1588-2

Título do Trabalho
DISCUTINDO O RACISMO ESTRUTURAL: UMA ABORDAGEM SOCIOLÓGICA NO CONTEXTO DO PIBID EM UMA ESCOLA PÚBLICA DE PETROLINA-PE
Autores
  • Edmilson Gomes da Silva
  • José Hermógenes Moura da Costa
  • Emerson Barbosa Lopes
  • WILLAM FERREIRA GUERRA
Modalidade
Resumo Expandido para Publicação em Anais
Área temática
GT 06 - Relações Raciais, Gênero e Educação na Sociedade Brasileira
Data de Publicação
13/07/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sinjuve-semanaciso-univasf-554279/1178632-discutindo-o-racismo-estrutural--uma-abordagem-sociologica-no-contexto-do-pibid-em-uma-escola-publica-de-petroli
ISBN
978-65-272-1588-2
Palavras-Chave
Racismo Estrutural. Sociologia. Ensino Médio. PIBID.
Resumo
RESUMO Este texto tem como objetivo discutir o racismo estrutural nas aulas de Sociologia com estudantes do 2º ano do Ensino Médio, a partir da experiência no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), em uma escola pública de Petrolina-PE. A proposta surge da necessidade de fomentar reflexões críticas sobre as desigualdades étnico-raciais presentes na sociedade brasileira e suas repercussões no ambiente escolar. As questões que nortearam a pesquisa foram: De que forma a abordagem do racismo estrutural impacta a formação crítica dos estudantes? Qual o papel do PIBID na construção de práticas pedagógicas antirracistas? Como as vivências do PIBID favorecem o debate sobre desigualdades étnico-raciais? A pesquisa adota abordagem qualitativa, de caráter descritivo e interpretativo, fundamentada na experiência do PIBID e em levantamento bibliográfico com base em autores como Djamila Ribeiro (2019), Munanga (2005) e Silvio de Almeida, cuja obra oferece suporte teórico sobre o conceito de racismo estrutural. Palavras-chave: Racismo Estrutural. Sociologia. Ensino Médio. PIBID. 1. INTRODUÇÃO A proposição de atividades no chão da escola, por meio do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), tem gerado experiências significativas, especialmente no campo das discussões étnico-raciais, contribuindo para o fortalecimento do ensino de Sociologia no Ensino Médio. Como destaca Garcez (2021, p. 37), “para compreender o racismo no Brasil, é necessário considerar seu contexto histórico, marcado por séculos de escravidão, exploração de riquezas e dominação político-cultural de origem europeia”. Diante da persistência das desigualdades étnico-raciais e da urgência em promover uma educação antirracista alinhada aos direitos humanos, torna-se essencial discutir o racismo estrutural no ambiente escolar. Este texto tem como objetivo analisar como essa abordagem nas aulas de Sociologia com estudantes do 2º ano do Ensino Médio pode contribuir para sua formação crítica e cidadã. A pesquisa se baseia em experiências vivenciadas no PIBID, em uma escola pública de Petrolina-PE, orientada pelas seguintes questões: como o racismo estrutural impacta a formação discente? Qual o papel do PIBID na construção de práticas pedagógicas antirracistas? Como essas vivências favorecem o debate sobre desigualdades étnico-raciais no contexto escolar? 2. RACISMO ESTRUTURAL E EDUCAÇÃO PARA AS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS A persistência das desigualdades étnico-raciais no Brasil, historicamente encobertas pelo mito da "democracia racial" (FERNANDES, 1965), impõe à educação o desafio de desconstruir narrativas que naturalizam a exclusão e o preconceito. Para isso, é necessário compreender o racismo em sua dimensão estrutural, como destaca Almeida (2019), ao afirmar que o racismo constitui a própria base da organização social brasileira. Esse tipo de racismo não se restringe a comportamentos individuais, mas está profundamente enraizado nas instituições que moldam a sociedade — como a escola, o sistema político, a economia e o aparato jurídico —, reproduzindo, de forma sistemática, desigualdades e hierarquias raciais. Nesse cenário, a Educação para as Relações Étnico-Raciais, prevista na legislação educacional brasileira, especialmente nas Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, surge como instrumento fundamental para promover o reconhecimento, a valorização e o respeito à diversidade étnico-racial. A escola, enquanto espaço privilegiado de formação cidadã, deve assumir o compromisso de problematizar o racismo em suas múltiplas expressões, fomentando práticas pedagógicas antirracistas que possibilitem aos estudantes uma leitura crítica da realidade e o reconhecimento da contribuição histórica e cultural dos povos africanos, afro-brasileiros e indígenas na construção do país. Como aponta Munanga (2005), é imprescindível superar a visão eurocêntrica presente no currículo escolar e construir uma educação que combata o racismo e promova a valorização das identidades negras e indígenas, formando sujeitos conscientes de sua história e pertencimento. Sob essa perspectiva, Almeida (2019, p. 34) enfatiza que vivemos em uma sociedade cuja estrutura é, por si só, racista — uma realidade que representa a norma e não uma exceção pontual. Compreender o racismo como estrutural possibilita aos estudantes uma análise mais crítica e profunda das desigualdades sociais, incentivando o questionamento das narrativas hegemônicas e a identificação das raízes históricas e institucionais desse problema. Nesse sentido, a Sociologia, por meio de suas ferramentas teóricas e metodológicas, revela-se um campo essencial para investigar como as estruturas raciais moldam a organização da sociedade, sustentando privilégios e reproduzindo exclusões. 3. EXPERIÊNCIAS PEDAGÓGICAS: PRÁTICAS ANTIRRACISTAS NO CONTEXTO DO PIBID As atitudes, práticas e percepções racistas que ainda permeiam a sociedade e o imaginário brasileiro são resultado de um sistema cuja estrutura é essencialmente racista. Compreender o racismo como um fenômeno estrutural, cujos tentáculos se firmam nas diversas instituições sociais, é fundamental para a (re)construção de uma educação comprometida com a equidade. Conforme argumenta Djamila Ribeiro, em Pequeno Manual Antirracista (2019), é urgente reconhecer os mecanismos que sustentam o racismo no cotidiano e assumir uma postura ativa no combate às desigualdades. A escola, enquanto espaço de formação cidadã, não está isenta da reprodução de práticas discriminatórias; ao contrário, pode ser tanto um lugar de perpetuação quanto de enfrentamento do racismo. Nesse sentido, as ações desenvolvidas no contexto do PIBID, especialmente por meio de rodas de conversa realizadas com os estudantes da escola-campo, revelaram-se estratégias potentes para promover o diálogo, a escuta e o reconhecimento da diversidade étnico-racial. Um exemplo significativo foi a roda de conversa com os estudantes do 2º ano do Ensino Médio, durante a aula de Sociologia, na qual foi proposta uma reflexão crítica sobre o conceito de racismo estrutural e seus desdobramentos na realidade brasileira. A partir de leituras e discussões guiadas, os alunos foram incentivados a compartilhar experiências pessoais, analisar situações cotidianas e questionar a naturalização de práticas discriminatórias em diferentes contextos sociais. 4. CONSIDERAÇOES FINAIS A experiência no subprojeto de Sociologia do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência evidenciou a importância de abordar o racismo estrutural de maneira crítica e intencional no contexto escolar. As atividades realizadas com estudantes do 2º ano do Ensino Médio demonstraram o potencial da escola como espaço de resistência, formação cidadã e superação de preconceitos historicamente naturalizados.
Título do Evento
II SIMPÓSIO INTERNACIONAL JUVENTUDES E EDUCAÇÃO - SINJUVE & XI SEMANA DE CIÊNCIAS SOCIAIS - UNIVASF
Cidade do Evento
Juazeiro
Título dos Anais do Evento
Dossiê Conjunto de Produções Acadêmicas da 2ª Edição do Simpósio Internacional sobre Juventudes e Educação e 11ª Edição da sSemana de Ciências Sociais/UNIVASF
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, Edmilson Gomes da et al.. DISCUTINDO O RACISMO ESTRUTURAL: UMA ABORDAGEM SOCIOLÓGICA NO CONTEXTO DO PIBID EM UMA ESCOLA PÚBLICA DE PETROLINA-PE.. In: Dossiê Conjunto de Produções Acadêmicas da 2ª Edição do Simpósio Internacional sobre Juventudes e Educação e 11ª Edição da sSemana de Ciências Sociais/UNIVASF. Anais...Juazeiro(BA) Complexo Multieventos/UNIVASF, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sinjuve-semanaciso-univasf-554279/1178632-DISCUTINDO-O-RACISMO-ESTRUTURAL--UMA-ABORDAGEM-SOCIOLOGICA-NO-CONTEXTO-DO-PIBID-EM-UMA-ESCOLA-PUBLICA-DE-PETROLI. Acesso em: 31/08/2025

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