DEBATENDO “BRANQUITUDE E NEGRITUDE” NA ESTAÇÃO DO SABER VIII EM UMA ESCOLA DE ENSINO MÉDIO

Publicado em 13/07/2025 - ISBN: 978-65-272-1588-2

Título do Trabalho
DEBATENDO “BRANQUITUDE E NEGRITUDE” NA ESTAÇÃO DO SABER VIII EM UMA ESCOLA DE ENSINO MÉDIO
Autores
  • Cristina Souza Silva
  • Cláudio Roberto dos Santos de Almeida
Modalidade
Resumo Expandido para Publicação em Anais
Área temática
GT 06 - Relações Raciais, Gênero e Educação na Sociedade Brasileira
Data de Publicação
13/07/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sinjuve-semanaciso-univasf-554279/1178287-debatendo-branquitude-e-negritude-na-estacao-do-saber-viii-em-uma-escola-de-ensino-medio
ISBN
978-65-272-1588-2
Palavras-Chave
Ensino de Sociologia; intervenção pedagógica; branquitude, negritude
Resumo
RESUMO O Colégio Estadual de Tempo Integral Florentina Alves dos Santos/CODEFAS em Juazeiro – Ba, o qual leciono, possui uma educação antirracista que despertou meu olhar sobre as questões raciais, outrora despercebias. Ao entrar no mestrado profissional em Sociologia PROFSOCIO/UNIVASF, foi feita uma sequência didática com cinco temas sobre questões raciais e testada através de uma intervenção pedagógica na escola. A pergunta central do trabalho foi “como o ensino de Sociologia pode potencializar a educação antirracista no âmbito da educação básica? ”, o objetivo foi analisar as contribuições do ensino de Sociologia para a potencialização da educação antirracista do Codefas. Como resultado geral foi possível perceber que a educação antirracista da escola, as aulas de Sociologia e os itinerários formativos da área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, representam uma combinação de ações tecidas por saberes sociológicos que fundamentam um currículo comprometido com a educação antirracista no Codefas efetivando as Leis 10.639/2003 e 11.645/2008. 1-INTRODUÇÃO A colonização europeia, para usurpar as riquezas dos povos em diferentes partes do mundo, criou o racismo. Foi inferiorizando e destruindo povos indígenas e africanos que a mesma alicerçou-se (MEMMI, 2007). Desta forma, faz-se mister, uma outra forma de “ler” o mundo, diferente da eurocêntrica. A Lei n. 10.639/2003 alterada pela Lei 11.645/2008, torna obrigatório nas escolas de ensino fundamental e médio, públicas e privadas, o ensino sobre a cultura afro-brasileira, africana e indígena. Essas Leis são reflexos de lutas do movimento dessas categorias, que em virtude do racimo estabelecido no processo de colonização, tiveram suas culturas “apagadas” e inferiorizadas. Como produto do mestrado profissional em Sociologia foi elaborada uma sequência didática que teve como pergunta central saber como o ensino de Sociologia pode potencializar a educação antirracista? E como objetivo geral analisar as contribuições do ensino de Sociologia para a potencialização da educação antirracista do Codefas. A sequência didática foi testada no período de 06 /11/2024 à 12/12/2024, através de uma intervenção pedagógica, no Colégio Estadual de Tempo Integral Florentina Alves Dos Santos (CODEFAS) em Juazeiro-Ba. A análise do material foi feita pelo questionário no google formes e pelas atividades avaliativas propostas. A sequência didática possui cinco objetos do conhecimento que foram distribuídos em 15 aulas de 50 minutos, e testada por mim e por outros professores da área de humanas. A mesma é composta por cinco objetos do conhecimento sendo eles: O que é África? (3 aulas); Tecnologias africanas; (2 aulas); Capitalismo e escravidão; (2 aulas); Raça, racismo, discriminação e ações afirmativas; (3 aulas); Negritude e Branquitude (2 aulas). Partindo do pressuposto que os alunos tinham conhecimento sobre as temáticas propostas, foram planejadas algumas dinâmicas iniciais ou perguntas disparadoras para que esses saberes pudessem emergir. Para cada objeto do conhecimento foi criado um plano de aula, textos e sugestão de dinâmica e avaliação. Aqui serão destacados os resultados da temática branquitude e negritude que alcançou o maior número de alunos. De acordo com Bento (2022) a branquitude é um Pacto Narcísico que confere as pessoas brancas, o compartilhamento de características e símbolos que lhes proporciona vantagens e privilégios sobre as demais. Negritude é a recusa do embranquecimento; é o momento em que o negro percebe que mesmo imitando o branco, isso não o torna igual, nem rompe as barreiras oriundas do racismo (MUNANGA, 1988). 2-ANÁLISE E COMENTÁRIO DO CONTEÚDO A aula iniciou com o jogo de privilégios, reflexão sobre o mesmo, leitura de textos sobre branquitude e negritude; socialização das leituras e desenvolvimentos da atividade avaliativa propostas. Os dados aqui representados são oriundos de um questionário do google formulário aplicado no final da aula e da análise da atividade avaliativa. Todos os participantes afirmaram reestruturação do saber sobre a temática, mostrando que a sequência desnaturalizou algo presente em seu dia a dia, mas que passava despercebido, o privilégio da Branquitude e as vivencias da negritude. As falas dos alunos destacaram a leveza como o tema foi apresentado e como a desigualdade racial e socioeconômica entre negros e brancos se conectam com o pacto da Branquitude. Os participantes ressaltaram também a relevância do material produzido e sugeriram a distribuição do mesmo para outros espaços e para todo o ensino básico. Em um álbum sobre a negritude desenvolvido pelos alunos como proposta avaliativa, eles abarcaram a negritude no ambiente escolar e em outros contextos e escalas, demonstrando o desenvolvimento da imaginação sociológica. 3-CONSIDERAÇÕES FINAIS No Codefas, a educação antirracista é, sem dúvida, potencializada pela Sociologia. Essa disciplina oferece temáticas e uma perspectiva analítica que permitem compreender as dinâmicas históricas, políticas e culturais das questões raciais, fundamentais ao desenvolvimento da imaginação sociológica dos estudantes. Assim, umas combinações de ações tecidas por estes saberes embasam a educação antirracista da escola que, de fato, efetiva as leis 10.639/2003 e 11.645/2008. Muitos alunos relataram seu primeiro contato com o tema branquitude e negritude na intervenção pedagógica. Embora a escola seja destaque na educação antirracista, ações como esta reforçam a necessidade da combinação de atividades diárias para o fortalecimento e potencialização da educação antirracista. 4-REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Lei n° 10.639, de 09 de janeiro de 2003. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências. Diário oficial da união, Brasília, 2003. CIDA, Bento. Pacto da branquitude. 1 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. MEMMI, Albert. Retrato do colonizado precedido pelo retrato do colonizador. Tradução: Marcelo Jacques de Moraes. Rio de Janeiro: editora Civilização Brasileira, 2007. 190 p. MUNANGA, Kabengele. Negritude – usos e sentidos. 2ª ed. São Paulo: Ática, 1988.
Título do Evento
II SIMPÓSIO INTERNACIONAL JUVENTUDES E EDUCAÇÃO - SINJUVE & XI SEMANA DE CIÊNCIAS SOCIAIS - UNIVASF
Cidade do Evento
Juazeiro
Título dos Anais do Evento
Dossiê Conjunto de Produções Acadêmicas da 2ª Edição do Simpósio Internacional sobre Juventudes e Educação e 11ª Edição da sSemana de Ciências Sociais/UNIVASF
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, Cristina Souza; ALMEIDA, Cláudio Roberto dos Santos de. DEBATENDO “BRANQUITUDE E NEGRITUDE” NA ESTAÇÃO DO SABER VIII EM UMA ESCOLA DE ENSINO MÉDIO.. In: Dossiê Conjunto de Produções Acadêmicas da 2ª Edição do Simpósio Internacional sobre Juventudes e Educação e 11ª Edição da sSemana de Ciências Sociais/UNIVASF. Anais...Juazeiro(BA) Complexo Multieventos/UNIVASF, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sinjuve-semanaciso-univasf-554279/1178287-DEBATENDO-BRANQUITUDE-E-NEGRITUDE-NA-ESTACAO-DO-SABER-VIII-EM-UMA-ESCOLA-DE-ENSINO-MEDIO. Acesso em: 31/08/2025

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