“SE EU PUDESSE ESCOLHER, NÃO SERIA...” UM ESTUDO SOBRE DIVERSIDADE SEXUAL, OS DESAFIOS DE ACOLHIMENTO NA ESCOLA E AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DA SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO

Publicado em 13/07/2025 - ISBN: 978-65-272-1588-2

Título do Trabalho
“SE EU PUDESSE ESCOLHER, NÃO SERIA...” UM ESTUDO SOBRE DIVERSIDADE SEXUAL, OS DESAFIOS DE ACOLHIMENTO NA ESCOLA E AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DA SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO
Autores
  • Richelly Cavalcanti
  • Vanderlea Andrade Pereira
Modalidade
Resumo Expandido para Publicação em Anais
Área temática
GT 06 - Relações Raciais, Gênero e Educação na Sociedade Brasileira
Data de Publicação
13/07/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sinjuve-semanaciso-univasf-554279/1175462-se-eu-pudesse-escolher-nao-seria-um-estudo-sobre-diversidade-sexual-os-desafios-de-acolhimento-na-escola-
ISBN
978-65-272-1588-2
Palavras-Chave
Diversidade sexual. Acolhimento. Sociologia. Identidade de gênero.
Resumo
O presente texto trata-se de uma pesquisa de conclusão de mestrado, realizada nos anos de 2018 e 2019. A pesquisa surgiu a partir da necessidade de conhecer as situações de acolhimento dos jovens em sua diversidade sexual e as contribuições que a sociologia pode trazer no aspecto elucidativo de práticas que violentam a juventude em seus direitos. A abordagem metodológica utilizada foi a (auto)biográfica, que permite a compreensão dos fenômenos sociais como textos e a interpretação como construção de sentidos e significados das experiências particulares e coletivas. O objetivo foi entender como se dá o processo de integralização desse sujeito. A análise das narrativas revelou que o gênero nem sempre é retratado pela perspectiva social e cultural, mas sim biológica. Os resultados apontam que a falta de informação leva alunos e educadores a seguir padrões convencionais que direcionam o trato às diferenças de gênero a produzirem estigmas, preconceito, homofobia, lesbofobia e transfobia. As questões que envolvem sexualidade e gênero, em especial a heteronormatividade - e todas as opressões, produções e violências a partir dela, são questões sociais - mesmo nos casos em que se materializam num indivíduo. 1. INTRODUÇÃO Profissional da educação há vinte anos, tendo trabalhado em diversas instituições públicas e particulares, há nove anos integro o quadro de funcionários efetivos da Prefeitura Municipal de Petrolina, cidade onde é vigente uma lei que coíbe as discussões sobre diversidade sexual dentro das escolas. Começo a inquietar-me com os retrocessos apresentados por meio de leis que ferem princípios constitucionais: o direito à representatividade e liberdade de manifestações e escolhas políticas e ideológicas assegurados aos cidadãos. A Constituição Federal, na garantia dos direitos sociais e individuais, afirma que: Educar para os direitos humanos, como parte do direito à educação, significa fomentar processos que contribuam para a construção da cidadania, do conhecimento dos direitos fundamentais, do respeito à pluralidade e à diversidade de nacionalidade, etnia, gênero, classe social, cultura, crença religiosa, orientação sexual e opção política, ou qualquer outra diferença, combatendo e eliminando toda forma de discriminação. (BRASIL, 2013, p.165) Como professora de sociologia, ciente da extrema importância desta disciplina para compreensão dos problemas sociais, senti-me instigada a pesquisar as situações de acolhimento dos jovens em sua diversidade sexual e as contribuições que a sociologia pode trazer no aspecto elucidativo de práticas que violentam a juventude em seus direitos e a impelem ao ostracismo. Dessa forma, mediante o objeto de pesquisa que foi investigar as políticas de acolhimento à diversidade sexual na escola e as contribuições da sociologia nesse âmbito, considerando que esta disciplina deve fomentar discussões a respeito dos direitos e construtos sociais, é que o problema central da investigação foi saber: Que políticas de acolhimento à diversidade sexual acontecem na escola e como a prática pedagógica de sociologia contempla esse debate? No contexto da pesquisa e a necessidade de melhor compreender as relações dos interlocutores com suas diversidades sexuais, a abordagem metodológica utilizada foi a (auto)biográfica, que possibilita compreensão dos fenômenos sociais. Os interlocutores pesquisados foram dois professores, dois gestores, um coordenador e três jovens, aos quais foram atribuídos pseudônimos, em face de a pesquisa oferecer risco de estigmatização ao grupo participante. 2. ANÁLISE E COMENTÁRIO DO CONTEÚDO A escola deveria ser aporte para incorporação de identidades, pois ao descobrir suas habilidades, preferências e características, o jovem passa a confrontar a imagem que constrói de si próprio com as imagens que os outros lhe atribuem. É importante notar que as identidades estão sempre se constituindo, elas são instáveis e, portanto, passíveis de transformação. Deborah Britzman (1996, P. 74) afirma: Nenhuma identidade sexual — mesmo a mais normativa — é automática, autêntica, facilmente assumida; nenhuma identidade sexual existe sem negociação ou construção. Em vez disso, toda identidade sexual é um constructo instável, mutável e volátil, uma relação social contraditória e não finalizada (grifos da autora). A vivência escolar da Escola campo (denominada como Escola Arco Íris), caracteriza-se pelo processo e o resultado das experiências dos sujeitos, dos sentidos construídos e compartilhados e/ou disputados, confrontados pelos atores que fazem a escola. Nota-se que os sujeitos se fazem construtores sociais de uma realidade vista como rede, que os interliga, interliga suas vivências, suas apropriações, suas expectativas, suas memórias e as suas visões e compreensões das experiências vividas no cotidiano do ambiente escolar, que formam sua personalidade e influenciam na sua maneira de pensar o mundo e se colocar no espaço em questão, como afirma Delory- Momberger (2012): Nessa interface do in¬dividual e do social, o espaço da pesquisa biográfica consistiria então em perceber a relação singular que o indivíduo mantém, pela sua atividade biográfica, com o mundo histórico e social e em estudar as formas construídas que ele dá à sua experiência. ( p. 524), 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS Em face da pesquisa realizada, após imersão no campo de estudos, munida das percepções que me aprouveram como resultado das narrativas (auto) biográficas, vem à tona a necessidade extrema de uma postura de se combater preconceitos e promover uma cultura de maior tolerância e respeito à diversidade sexual e identidade de gênero na Escola Arco-Íris. A disciplina de sociologia deve servir como cenário para discussões e aporte para tratar de temas socialmente constituídos a exemplo deste. Com a análise das experiências dos interlocutores, fica claro o quanto é preciso a formação dos educadores contemplar aspectos específicos do campo da sexualidade – no que diz respeito a seus aspectos sociais, biológicos, históricos e culturais - para que seja possível a construção de uma ação pedagógica que promova uma reflexão efetivamente crítica. A partir desse estudo, recomenda-se a continuidade da pesquisa, com uma abordagem voltada aos educadores em sua diversidade sexual e as políticas de acolhimento e visibilidade disponíveis. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRITZMAN, D. O que é essa coisa chamada amor: identidade homossexual, educação e currículo. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 21, n. 1, p. 71-96, jan./jun. 1996. CONSTITUIÇÃO, Brasil (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal. DELORY-MOMBERGER, C. Abordagem metodológica na pesquisa biográfica. Revista Brasileira de Educação, v. 17, n. 51, 523-740, set./dez. 2012.
Título do Evento
II SIMPÓSIO INTERNACIONAL JUVENTUDES E EDUCAÇÃO - SINJUVE & XI SEMANA DE CIÊNCIAS SOCIAIS - UNIVASF
Cidade do Evento
Juazeiro
Título dos Anais do Evento
Dossiê Conjunto de Produções Acadêmicas da 2ª Edição do Simpósio Internacional sobre Juventudes e Educação e 11ª Edição da sSemana de Ciências Sociais/UNIVASF
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CAVALCANTI, Richelly; PEREIRA, Vanderlea Andrade. “SE EU PUDESSE ESCOLHER, NÃO SERIA...” UM ESTUDO SOBRE DIVERSIDADE SEXUAL, OS DESAFIOS DE ACOLHIMENTO NA ESCOLA E AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DA SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO.. In: Dossiê Conjunto de Produções Acadêmicas da 2ª Edição do Simpósio Internacional sobre Juventudes e Educação e 11ª Edição da sSemana de Ciências Sociais/UNIVASF. Anais...Juazeiro(BA) Complexo Multieventos/UNIVASF, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sinjuve-semanaciso-univasf-554279/1175462-SE-EU-PUDESSE-ESCOLHER-NAO-SERIA-UM-ESTUDO-SOBRE-DIVERSIDADE-SEXUAL-OS-DESAFIOS-DE-ACOLHIMENTO-NA-ESCOLA-. Acesso em: 31/08/2025

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