O CURTA VEREDAS NA ENTRE BOCA DO CÉU COMO DENÚNCIA POÉTICA E POLÍTICA SOBRE JACOBINA-BA

Publicado em 13/07/2025 - ISBN: 978-65-272-1588-2

Título do Trabalho
O CURTA VEREDAS NA ENTRE BOCA DO CÉU COMO DENÚNCIA POÉTICA E POLÍTICA SOBRE JACOBINA-BA
Autores
  • Antônio Pablo Gomes Santos
Modalidade
Resumo Expandido para Publicação em Anais
Área temática
GT 04 - Expulsões, contenções e controles territoriais no Semiárido brasileiro
Data de Publicação
13/07/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sinjuve-semanaciso-univasf-554279/1173819-o-curta-veredas-na-entre-boca-do-ceu-como-denuncia-poetica-e-politica-sobre-jacobina-ba
ISBN
978-65-272-1588-2
Palavras-Chave
Cinema. Mineração. Racismo ambiental.
Resumo
(Autor (a) Antônio Pablo Gomes Santos1 Mestrando em Política, cultura e ambiente (POCAM) e Licenciado em Ciências Sociais (UNIVASF). RESUMO O presente resumo, parte da ideia de analisar o curta metragem Veredas na Entre Boca do Céu (2024) e contrapor o fascínio do ouro e seu processo de exploração e impactos em Jacobina-BA. O curta metragem reflete e tenciona essa ótica acerca da Mineração (JMC) e anuncia “alerta aos que dorme”. O cineasta e ator Zózimo Bulbul, diz que a “câmera é uma arma”, partindo dessa premissa para utilizar o audiovisual como ferramenta metodológica e de discussão que conecte e desperte o alhar para o descaso ambiental e social operante no município. INTRODUÇÃO “O capital nasce escorrendo sangue e lama por todos os poros da cabeça aos pés. Karl Marx Jacobina-BA, é reconhecida como “cidade do ouro”, e polo turístico devido suas cachoeiras e belezas naturais. Entretanto, oculta uma contradição central: como compatibilizar a extração mineral do ouro e a conservação ambiental? Essa problemática é tema centra do filme, que surge como denúncia ao processo exploratório do ouro nas Jacobinas. A Coroa Portuguesa para controlar, fiscalizar e garantir a arrecadação do quinto (imposto de 20%), cria a Casa de Fundição em Jacobina, em 1726, visando aumentar a arrecadação e controlar a exploração aurífera na região, que já apresentava grande produção de ouro. A questão que nos cabe, qual impacto o processo exploratório deixará para as futuras gerações? São barragens de rejeitos, poluição das águas, cercamentos de nascentes e terras, áreas desapropriadas setor privado, uma sociedade a mercê do capital predatório e seus silenciamentos/ocultamento. É difícil desmitificar a extração do ouro e o discurso da geração de renda/empregos em detrimento da preservação e diversificação da economia da cidade. De acordo com Agência Nacional de Mineração, cerca de R$ 8,2 milhões em royalties de mineração no primeiro quadrimestre de 2021, com uma variação de 37% em relação ao mesmo período de 2020 aos cofres públicos do município, cria um “...silencio ensurdecedor...”“...sangria desatinada...” como pontua a personagem lazaro no filme em análise. É esta imagem extremamente difundida no município. Com isto, provocar reflexões sobre os riscos socioambientais, processos históricos de exploração e silenciamento, se torna extremamente difícil e necessário. O município abriga o complexo Jacobina Mineração e Comércio, atualmente controlado pela Pan American Silver, uma mineradora canadense especializada na extração de ouro e prata. Segundo a revista Brasil Mineral, a mina no ano de 2023: produziu aproximadamente 196.100 onças (cerca de 6,08 toneladas). Com objetivo de alcançar 270.000 onças anuais até 2025, com investimento entre US\$ 20 e 30 milhões e meta de ultrapassar 350.000 onças anuais até 2027. A obra fílmica parte da experiência direta com o território, propondo uma etnografia das ausências (SANTOS, 2007), dando voz a sujeitos frequentemente invisibilizados, e articulando as questões ambientais às dimensões raciais e de classe. Combinando, oralidade, ficção poética e o documental, criando uma narrativa que propõe um olhar crítico sobre os impactos da mineração, e anuncia os riscos e crimes ambientais. “A arte faz parte da vida e não há outro meio de interpretá-la senão dentro do curso da vida no mundo” (GEERTZ, 1997, p. 148), o curta transita entre ficção e realidade, tensionando fronteiras do mundo real, territórios, trabalhos e saberes ancestrais, e propondo novas possibilidades de representação. 1. ANÁLISE E COMENTÁRIO DO CONTEÚDO O curta metragem nos conta a história de Lázaro, que durante anos prestou serviços para uma mineradora, no entanto, vê sua vida ser totalmente destruída em um crime ambiental. Atônito e sem explicação, se revolta e decide sair do emprego e ir em busca de respostas e amparo na sua antiga Vila. Trabalharemos somente a partir do monólogo da personagem Lázaro, que reflete sobre sua condição e o ambiente em que vive: “Sangria desatinada, barulho ensurdecedor. Ai de mim, veredas se abrem bem diante de mim, mas que liberdade eu tenho? É porque permaneço preso, né? Remoendo dores, violências, eu estou tão cansado, desatinado, desembestado! Oh, vossas mãos estão tão sujas de sangue! Não vê!? A vermelhidão entre os dedos da morte.” Essa fala explicita o esgotamento físico e emocional do trabalhador e evidencia a violência cotidiana a que estão submetidos os sujeitos que vivem do trabalho braçal na mineração, diretamente afetados, e pelos riscos de tragédias, como já ocorreram em Mariana (2015) e Brumadinho (2019). A narrativa também evidencia o racismo ambiental, pois, como destaca o filme, sabemos quem são as pessoas que vivem nas áreas de risco, majoritariamente negras e pobres, historicamente vulnerabilizadas pelo sistema socioeconômico e político. Assim, o curta articula a denúncia ambiental, social e racial, apontando como essas esferas se entrelaçam na dinâmica predatória do capitalismo. Outro aspecto central é a abordagem do cotidiano: o filme questiona “qual tempo temos e o que fazemos com ele?”, evidenciando como a lógica produtivista ceifa vidas diariamente. Corpos marginalizados são atravessados por essa urgência e por processos de exploração, alienação e morte, enquanto o discurso hegemônico e ideológico segue celebrando o “progresso” e o “desenvolvimento”. 2. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho pretende analisar o curta metragem e seus atravessamentos sociais/econômicos em diálogos com autores e corrente teóricas das Ciências Sociais, construir metodologias de ensino. O cinema como metodologia pedagógica. A articulação entre cinema, ensino e pesquisa que contribua para a construção de narrativas insurgentes, que rompem com a invisibilização de sujeitos e territórios periféricos. Um convite à resistência e à reflexão, ver e pensar outras jacobinas para além da exploração do ouro e do turismo predatório, mas reconhecendo as complexidades e as contradições de um território marcado pela desigualdade socioambiental e econômica. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BAHIA. Bahia arrecada R$ 43,4 milhões em royalties da mineração no primeiro quadrimestre deste ano | AMIG. Disponível em: https://www.amig.org.br/noticias/bahia-arrecada-r-434-milhoes-em-royalties-da-mineracao-no-primeiro-quadrimestre-deste-ano. GEERTZ, Clifford. O saber local: novos ensaios em antropologia interpretativa. Tradução de Vera Mello Joscelyne. Petrópolis: Vozes, 1997. SANTOS, Boaventura de Sousa. A gramática do tempo: para uma nova cultura política. São Paulo: Cortez, 2006. Jacobina / Pan American | AS MAIORES EMPRESAS DO SETOR MINERAL 2024 | Brasil Mineral. Disponível em: https://www.brasilmineral.com.br/maiores/jacobinamineracao.
Título do Evento
II SIMPÓSIO INTERNACIONAL JUVENTUDES E EDUCAÇÃO - SINJUVE & XI SEMANA DE CIÊNCIAS SOCIAIS - UNIVASF
Cidade do Evento
Juazeiro
Título dos Anais do Evento
Dossiê Conjunto de Produções Acadêmicas da 2ª Edição do Simpósio Internacional sobre Juventudes e Educação e 11ª Edição da sSemana de Ciências Sociais/UNIVASF
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SANTOS, Antônio Pablo Gomes. O CURTA VEREDAS NA ENTRE BOCA DO CÉU COMO DENÚNCIA POÉTICA E POLÍTICA SOBRE JACOBINA-BA.. In: Dossiê Conjunto de Produções Acadêmicas da 2ª Edição do Simpósio Internacional sobre Juventudes e Educação e 11ª Edição da sSemana de Ciências Sociais/UNIVASF. Anais...Juazeiro(BA) Complexo Multieventos/UNIVASF, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sinjuve-semanaciso-univasf-554279/1173819-O-CURTA-VEREDAS-NA-ENTRE-BOCA-DO-CEU-COMO-DENUNCIA-POETICA-E-POLITICA-SOBRE-JACOBINA-BA. Acesso em: 30/08/2025

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