ONDE ESTÁ A DIALÉTICA? NO ATLÂNTICO-MÃE!: PERSPECTIVAS DECOLONIAIS EM OBRAS ARTÍSTICAS VISUAIS SOBRE O OCEANO ATLÂNTICO AFRODIASPÓRICO

Publicado em 13/07/2025 - ISBN: 978-65-272-1588-2

Título do Trabalho
ONDE ESTÁ A DIALÉTICA? NO ATLÂNTICO-MÃE!: PERSPECTIVAS DECOLONIAIS EM OBRAS ARTÍSTICAS VISUAIS SOBRE O OCEANO ATLÂNTICO AFRODIASPÓRICO
Autores
  • PEDRO ALVES DE SOUZA NETO
  • Tatiana Silva de Lima
Modalidade
Resumo Expandido para Publicação em Anais
Área temática
GT 06 - Relações Raciais, Gênero e Educação na Sociedade Brasileira
Data de Publicação
13/07/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sinjuve-semanaciso-univasf-554279/1167351-onde-esta-a-dialetica-no-atlantico-mae--perspectivas-decoloniais-em-obras-artisticas-visuais-sobre-o-oceano-at
ISBN
978-65-272-1588-2
Palavras-Chave
Mundo atlântico, Arte brasileira contemporânea, Pensamento afrodiaspórico, Decolonialidade.
Resumo
O historiador Luiz Felipe de Alencastro defende em sua tese que o território brasileiro se alicerça no Atlântico, ou melhor, nos fluxos e nas rotas comerciais do Atlântico (Alencastro, 2000). Como elucida Beatriz Nascimento (2022, p. 86), é nesse espaço que se deu “os encontros e os desencontros de culturas tão díspares; de genocídios como também de transformações genéticas”. Durante os séculos XVI ao XIX, o Atlântico revelou-se uma das maiores rotas comerciais do mundo, infelizmente a partir de um dos comércios mais rentáveis que a história mundial já presenciou: gente transformada em mercadoria. Estima-se que durante o tráfico cerca de 5 milhões de africanos tiveram como destino o Brasil, fazendo deste o território com a maior presença de negros fora de África. Partindo do pressuposto de que a produção da cultura se alicerça a partir de um “conjunto de saberes atravessados por relações de poder e seus regimes de visibilidade e verdade” (Lima, 2018, p. 247), artistas das mais diversas áreas se voltaram para o Atlântico (o algoz) para encontrar formas de encarar feridas coloniais que continuam abertas, reivindicando a humanidade que a escravidão tanto negou-lhes, transformando esse espaço, o Atlântico-algoz, enquanto um vetor para esperançar no presente. É nesse cenário que se articulam Rosana Paulino e Arjan Martins, dois artistas afro-brasileiros que se espelham e movem-se pelo Atlântico, procurando elementos para compor suas obras e compreender sua própria identidade, além de denunciarem os flagelos da escravidão que ainda insistem em se propagar. Ambos são contemporâneos entre si e encontram nas memórias da diáspora formas que “pervertem as fronteiras disciplinares da arte para entender a produção artística como um modo de vida e uma forma de cura” (González, 2021, s. p). A análise das obras “Só Vou ao Leblon a Negócios” e “A Permanência das Estruturas” se deu a partir do trabalho com imagens proposto por Circe Bittencourt. O primeiro ato foi isolar as imagens, para que não houvesse interferências de legendas e outros adereços semelhantes. Momento este denominado por leitura “impressionista” (interna), que consiste na descrição dos elementos que compõem a imagem e na análise da sua materialidade. O segundo passo foi a fase do processo de leitura das obras artísticas como objeto (leitura externa), que se pensou seus possíveis significados e objetivos dos criadores, o contexto em que foram produzidas e suas intencionalidades. Ocorreu nessa fase uma consolidação de hipóteses. No terceiro e último estágio, houve a decodificação das imagens e meio a um processo teórico-metodológico, em que se estabeleceu relações com a bibliografia, colocando-as em diálogo com as seguintes obras: O Atlântico Negro, de Paul Gilroy; Perder a Mãe, de Saidiya Hartman; Por um Feminismo Afro-Latino-Americano, de Lélia Gonzalez; Poética da Relação Édouard Glissant; e, primordialmente, O Negro Visto Por Ele Mesmo, de Beatriz Nascimento. Dessa forma, a metodologia deste trabalho apropria-se das seguintes noções/conceitos para interpretar as obras de Arjan Martins e Rosana Paulino: rastros-vestígios, extensão e filiação, de Édouard Glissant; Atlântico vetor (mídia) com seu caráter dúbio de algoz-curador, o quilombo como continuum histórico-memorável, Ôrí como ligação entre corpo, cabeça e pensamento existencial, de Beatriz Nascimento. Bem como o de Amefricanidade, de Lélia Gonzalez. Sendo assim, a escrita deste projeto “encruzilha, as artes enquanto os fazeres de um devir poeta-mediadora-de-leituras no meio de uma sociologia que se faz canto e voo nas grafias de um território movente de criação de um em-comum” (Silva, 2022, p. 96). Esse território movente é o Atlântico, que acompanhado de sua historicidade e translocalidade, gera esse em comum entre os artistas negros em diáspora, como apresentado nas obras de Arjan Martins e Rosana Paulino.
Título do Evento
II SIMPÓSIO INTERNACIONAL JUVENTUDES E EDUCAÇÃO - SINJUVE & XI SEMANA DE CIÊNCIAS SOCIAIS - UNIVASF
Cidade do Evento
Juazeiro
Título dos Anais do Evento
Dossiê Conjunto de Produções Acadêmicas da 2ª Edição do Simpósio Internacional sobre Juventudes e Educação e 11ª Edição da sSemana de Ciências Sociais/UNIVASF
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

NETO, PEDRO ALVES DE SOUZA; LIMA, Tatiana Silva de. ONDE ESTÁ A DIALÉTICA? NO ATLÂNTICO-MÃE!: PERSPECTIVAS DECOLONIAIS EM OBRAS ARTÍSTICAS VISUAIS SOBRE O OCEANO ATLÂNTICO AFRODIASPÓRICO.. In: Dossiê Conjunto de Produções Acadêmicas da 2ª Edição do Simpósio Internacional sobre Juventudes e Educação e 11ª Edição da sSemana de Ciências Sociais/UNIVASF. Anais...Juazeiro(BA) Complexo Multieventos/UNIVASF, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sinjuve-semanaciso-univasf-554279/1167351-ONDE-ESTA-A-DIALETICA-NO-ATLANTICO-MAE--PERSPECTIVAS-DECOLONIAIS-EM-OBRAS-ARTISTICAS-VISUAIS-SOBRE-O-OCEANO-AT. Acesso em: 31/08/2025

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