SAÚDE MENTAL NA UNIVERSIDADE: VIVÊNCIAS ACADÊMICAS E OS DESAFIOS ENFRENTADOS PELOS ESTUDANTES DA UFPE

Publicado em 13/07/2025 - ISBN: 978-65-272-1588-2

Título do Trabalho
SAÚDE MENTAL NA UNIVERSIDADE: VIVÊNCIAS ACADÊMICAS E OS DESAFIOS ENFRENTADOS PELOS ESTUDANTES DA UFPE
Autores
  • Vitória Cristina Da Silva Barboza
  • thuanny thysa silva
  • Caio Eiji Sato
Modalidade
Resumo Expandido para Publicação em Anais
Área temática
GT 07 - Juventudes, Educação e Saúde
Data de Publicação
13/07/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sinjuve-semanaciso-univasf-554279/1164014-saude-mental-na-universidade--vivencias-academicas-e-os-desafios-enfrentados-pelos-estudantes-da-ufpe
ISBN
978-65-272-1588-2
Palavras-Chave
saúde mental, universidades, desafios acadêmicos
Resumo
RESUMO A saúde mental dos estudantes universitários tem sido um tema de crescente preocupação, principalmente olhando diante da face dos desafios acadêmicos, socioeconômicos e institucionais enfrentados no ensino superior. Este trabalho qualitativo buscou investigar as vivências acadêmicas e os obstáculos que afetam o bem-estar psicológico dos estudantes da UFPE, com base em entrevistas com estudantes, profissionais do Núcleo de Atenção à Saúde do Estudante (NASE) e uma professora da área de Psicologia Clínica. Palavras-chave: saúde mental, universidades, desafios acadêmicos. 1. INTRODUÇÃO A saúde mental tem se tornado uma preocupação crescente dentro do ambiente acadêmico, especialmente em instituições como a Universidade Federal de Pernambuco. Problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão e estresse, são extremamente comuns entre os estudantes universitários. Estudos como os de Eisenberg et al. (2009) e Hefner & Eisenberg (2009) indicam uma alta prevalência desses transtornos em universidades. Essas condições não afetam apenas o desempenho acadêmico, mas também a qualidade de vida e o desenvolvimento pessoal dos alunos. O estudo buscou entender de que maneira o adoecimento mental se manifesta dentro da universidade e como fatores como a carga horária intensa, as pressões para desempenho acadêmico, as dificuldades econômicas e a falta de suporte podem contribuir para o agravamento do estado psicológico dos estudantes. A pesquisa foi estruturada a partir de uma abordagem qualitativa, buscando compreender a experiência de estudantes universitários em relação à saúde mental no ambiente acadêmico. Os entrevistados contaram com cinco estudantes entre 21 e 24 anos, duas profissionais do Núcleo de Atenção à Saúde do Estudante (NASE) e uma docente doutora em Psicologia Clínica. 2. ANÁLISE E COMENTÁRIOS A entrevista com a professora traz uma visão sobre as políticas públicas, a estrutura acadêmica e alguns desafios sociais enfrentados no decorrer de seus anos em prática profissional. A professora trouxe questões relevantes sobre o processo de individualização na contemporaneidade, destacando como a falta de um senso de comunidade, que antes permitia aos estudantes compartilhar suas dificuldades de forma coletiva, contribui para o aumento do sofrimento psíquico. Ela apontou que, atualmente, os estudantes tendem a vivenciar suas dores de forma isolada, o que agrava a sensação de solidão e sobrecarga emocional. Isso dialoga com Corrigan (2004), ao apontar como o estigma e o isolamento dificultam o acesso ao cuidado em saúde mental e perpetuam o sofrimento. Segundo o NASE, as principais demandas dos alunos se concentram principalmente em ansiedade, dificuldade de convivência no ambiente acadêmico, de estudar e de concluir trabalhos acadêmicos, problemas no entendimento do sistema da universidade e a sobrecarga relacionada a isso. Demandas socioeconômicas também foram bastante apontadas, como dificuldades com a renda, o convívio familiar, moradia, choque de tratamentos e o medo de transitar pela cidade. Além disso, há também demandas de estudantes com ideação suicida, dificuldades relacionadas à pandemia, casos de violência doméstica e assédio moral. Segundo os estudantes, a rotina estressante do ambiente universitário leva muitos a um estado constante de ansiedade e fadiga, o que compromete não apenas a saúde mental, mas também o aproveitamento acadêmico. A relação entre professores e alunos também é citada como um elemento de tensão, especialmente no que diz respeito à avaliação de desempenho. Essa rigidez acadêmica, associada às dificuldades impostas pela desigualdade social, em alguns casos, contribui para o adoecimento mental dos estudantes, que relatam falta de apoio para lidar com o peso emocional do ambiente universitário. O impacto dessa pressão pode se manifestar em sintomas de ansiedade, insônia e crises emocionais, evidenciando a necessidade de suporte psicológico e estratégias pedagógicas que valorizem o aprendizado de forma menos punitiva. Essa percepção é corroborada por Silva (2021), que destaca a relação direta entre a vivência universitária e a intensificação de sintomas ansiosos em estudantes, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade. A limitação financeira surge como um obstáculo para a permanência e o desempenho acadêmico, sendo um dos fatores que mais afetam a experiência universitária. As bolsas oferecidas pela universidade, embora fundamentais, são insuficientes para cobrir todas as despesas, especialmente para aqueles que precisam pagar aluguel ou arcar com altos custos de transporte, estadia na universidade e alimentação. 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS A pesquisa revelou um cenário preocupante, no qual os desafios acadêmicos e institucionais não apenas dificultam o desempenho dos alunos, mas também comprometem sua qualidade de vida. A análise das entrevistas evidenciou que a pressão por produtividade, a sobrecarga acadêmica, as dificuldades financeiras e a precariedade dos serviços de apoio psicológico constituem um conjunto de fatores que, em conjunto, geram um ambiente de adoecimento mental. Os relatos dos estudantes demonstram que a universidade, longe de ser um espaço neutro, é atravessada por relações de poder e por dinâmicas que ampliam ou reduzem as oportunidades de permanência e sucesso acadêmico. Como alertam Corrigan (2004) e Silva (2021), a desconsideração das condições subjetivas e sociais dos estudantes favorece a individualização da dor e dificulta uma resposta institucional mais humanizada. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CORRIGAN, P. W. Como o estigma interfere no cuidado da saúde mental. Psicólogo Americano, v. 59, n. 7, 2004. EISENBERG, D.; GOLLUST, S. E.; GOLBERSTEIN, E.; HEFNER, J. L. Prevalência e correlações de depressão, ansiedade e ideação suicida entre estudantes universitários. Jornal Americano de Ortopedia Psiquiátrica, v. 79, n. 4, 2009. HEFNER, J.; EISENBERG, D. Apoio social e saúde mental entre estudantes universitários. Jornal Americano de Ortopedia Psiquiátrica, v. 79, n. 4, 2009. SILVA, A. C. S. Relação entre vivência acadêmica e ansiedade em estudantes universitários. 2021. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de São João del-Rei.
Título do Evento
II SIMPÓSIO INTERNACIONAL JUVENTUDES E EDUCAÇÃO - SINJUVE & XI SEMANA DE CIÊNCIAS SOCIAIS - UNIVASF
Cidade do Evento
Juazeiro
Título dos Anais do Evento
Dossiê Conjunto de Produções Acadêmicas da 2ª Edição do Simpósio Internacional sobre Juventudes e Educação e 11ª Edição da sSemana de Ciências Sociais/UNIVASF
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BARBOZA, Vitória Cristina Da Silva; SILVA, thuanny thysa; SATO, Caio Eiji. SAÚDE MENTAL NA UNIVERSIDADE: VIVÊNCIAS ACADÊMICAS E OS DESAFIOS ENFRENTADOS PELOS ESTUDANTES DA UFPE.. In: Dossiê Conjunto de Produções Acadêmicas da 2ª Edição do Simpósio Internacional sobre Juventudes e Educação e 11ª Edição da sSemana de Ciências Sociais/UNIVASF. Anais...Juazeiro(BA) Complexo Multieventos/UNIVASF, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sinjuve-semanaciso-univasf-554279/1164014-SAUDE-MENTAL-NA-UNIVERSIDADE--VIVENCIAS-ACADEMICAS-E-OS-DESAFIOS-ENFRENTADOS-PELOS-ESTUDANTES-DA-UFPE. Acesso em: 31/08/2025

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