DESENVOLVIMENTO, CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-QUÍMICA, TEOR FENÓLICO E CAPACIDADE ANTIOXIDANTE DE FARINHA DA CASCA DA MANGA TOMMY (MANGIFERA INDICA L.)

Publicado em 19/02/2025 - ISSN: 2675-8563

Título do Trabalho
DESENVOLVIMENTO, CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-QUÍMICA, TEOR FENÓLICO E CAPACIDADE ANTIOXIDANTE DE FARINHA DA CASCA DA MANGA TOMMY (MANGIFERA INDICA L.)
Autores
  • SUZANA FERREIRA DA SILVA MENEZES
  • Rosimara Couto Vasconcelos de NOronha
  • Giovanna de Souza Ferreira
  • Thamires Silva
  • helena volker
  • Lia Igel Sodré
  • Maria Eduarda Pereira Azara
  • Aryane Da Silva Cazumbá
  • Rosana Bizon Vieira Carias
  • CARLOS EDUARDO DE FARIA CARDOSO
  • cíntia Ramos Pereira Azara
Modalidade
PESQUISAS CIENTÍFICAS - aquelas que são fruto de pesquisa empírica dentro dos parâmetros do método científico.
Área temática
TECNOLOGIAS, GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS - Uso inteligente e inovador de conhecimentos e recursos tecnológicos para desenvolver produtos e processos sustentáveis, buscando promover a sustentabilidade ambiental e a preservação da biodiversidade. O reconhecimento e valorização da sabedoria acumulada pelos sistemas biológicos e pelas comunidades tradicionais, aplicado na gestão de projetos, organizações e em políticas públicas, para o benefício da sociedade, desenvolvendo ações, produtos, materiais e sistemas na busca de soluções de problemas socioambientais. Ex: tecnologias sociais, economia circular, tecnologias verdes, biodesign, arquitetura vernacular, biomimética, bioplásticos, biocombustíveis, biofertilizantes, saberes tradicionais aplicados à conservação dos alimentos, etc.
Data de Publicação
19/02/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/scunifasefmp2024/955729-desenvolvimento-caracterizacao-fisico-quimica-teor-fenolico-e-capacidade-antioxidante-de-farinha-da-casca-da-ma
ISSN
2675-8563
Palavras-Chave
Farinha da casca de manga, caracterização físico-química, teor fenólico, capacidade antioxidante
Resumo
Introdução: A manga (Mangifera indica L.), da família Anacardiaceae, é a quinta fruta mais consumida no mundo devido às suas propriedades sensoriais e nutricionais. Em 2022, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou a produção de 1,55 milhões de toneladas, gerando quase R$2,1 bilhões para a economia brasileira. Entre as variedades cultivadas, a manga Tommy Atkins (MTA) é uma das mais relevantes comercialmente no Brasil, com cerca de 270.000 toneladas exportadas em 2023. Embora a polpa de manga seja utilizada em diversos produtos processados, amplamente comercializados, como sucos, polpas congeladas, néctares e geleias, a maior parte da produção é comercializada in natura. Esse movimento, relacionado ao processamento, resulta em um considerável volume de bioresíduos, como cascas e caroços, caracterizando riscos ambientais, como poluição do solo e da água devido à deterioração microbiana, além de resultar em perdas econômicas na cadeia de produção. Em resposta a esses problemas, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu, em seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a promoção da inovação e da industrialização sustentável através da redução de resíduos ambientais. Paralelamente, pesquisas científicas buscam alternativas para promover uma vida saudável. Nesse contexto, estudos indicam que, além da polpa da manga, a casca da manga também apresenta alto potencial de utilização, sendo uma fonte valiosa de compostos bioativos (CB) e nutrientes de relevância dietética, o que lhe confere propriedades funcionais e nutracêuticas. Objetivos: Este estudo teve como objetivo a obtenção da farinha da casca da manga da variedade Tommy Atkins (FCMTA), bem como caracterizá-la quanto à sua composição centesimal, teor de compostos fenólicos totais e atividade antioxidante. Métodos: As mangas tommy atkins foram adquiridas em um comércio varejista local, em Petrópolis, RJ, e selecionadas subjetivamente conforme percepção colorimétrica do estágio de maturação (4 e 5). Após transporte ao Laboratório de Técnica e Dietética da UNIFASE, as mangas foram lavadas em água corrente, desinfectadas com hipoclorito de sódio (1,0% p/p) e descascadas manualmente, para separação da casca e polpa. As cascas foram secas a 50°C por 24 horas, congeladas a -80°C, trituradas e, em seguida, peneiradas para obter a farinha. A composição centesimal foi determinada por duplicata seguindo métodos do Instituto Adolfo Lutz para umidade, resíduo mineral fixo (RMF), lipídios, proteínas e fibras brutas. A capacidade antioxidante foi avaliada pelo método DPPH e o teor de compostos fenólicos totais pelo método Folin-Ciocalteau, ambos em triplicata. As análises seguiram leitura em comprimento de onda de 750 nm e 515 nm, respectivamente, em espectrofotômetro, utilizando-se da metodologia adaptada para microplacas. Resultados e discussão: A FCMTA apresentou um alto teor de umidade (23,42%), superior aos descritos na literatura para o mesmo produto (7,85%). Este valor excede o limite máximo de 15,0% estabelecido pela legislação brasileira para produtos secos derivados de frutas e vegetais, o que pode impactar negativamente o controle microbiológico. O RMF da FCMTA foi de cerca de 2,81g%, e encontra-se dentro da faixa encontrada na literatura (2,78-3,89 g%). A amostra apresentou um alto teor de fibras brutas totais (38,8%), semelhante ao valor descrito na literatura para a variedade de MTA. É válido destacar que as fibras brutas totais referem-se às porções pouco digeríveis da parede celular, e o teor verificado corresponde a mais de 100% do valor recomendado para consumo diário de fibras numa dieta dita como “normal”, contribuindo para prevenção de doenças cardiovasculares com redução dos níveis séricos de glicose e colesterol. Os lipídios totais (6,16 g%) foram superiores aos valores encontrados em outros estudos (2,05 a 2,2 g%). Verifica-se na distribuição fracionada descrita, que a FCMTA contém predominante os ácidos graxos poliinsaturados linolênico (15,9–19,8%) e linoleico (14,2–17,2%), que são benéficos à saúde. O teor de compostos fenólicos totais variou conforme o método de extração: 0,89 ± 0,04 mgEAG/g (extrato aquoso) e 1,87 ± 0,03 mgEAG/g (extrato etanólico), com valores etanólicos superiores, possivelmente devido ao perfil lipofílico dos compostos presentes na FCMTA. Quanto à capacidade antioxidante, a farinha apresentou boa performance, neutralizando o radical DPPH com valores de 3,29 a 6,19 µmolEQT/mL (extrato etanólico) e 8,28 a 8,65 µmolEQT/mL (extrato aquoso). A inibição oxidante da FCMT a 5 mg/mL foi 87,23% e 90,63%, semelhante aos 89,29%, 86,90% e 86,20% relatados na literatura científica da área, para os extratos etanólico e aquoso, respectivamente. De maneira geral, o elevado teor de fibras alimentares brutas e CB, como fenólicos e carotenoides, com capacidades antioxidantes, reforça o potencial de incorporação da FCMTA como ingrediente dietético funcional em alimentos processados, devido aos seus potenciais benefícios. Bem como, o manejo de bioresíduos, como a CMTA, pode ser considerado um fator essencial nas dimensões econômica, ambiental e industrial para a agregação de valor não só para o produto, mas para o mercado consumidor. Contudo, é factível apontar que o produto mostrou-se perecível, devido ao alto teor de umidade, sendo necessário o desenvolvimento de soluções metodológicas que otimizem parâmetros como umidade e atividade de água, favorecendo a preservação da FCMTA contra eventos microbiológicos. Conclusão: As determinações dos constituintes da composição centesimal da FCMTA, compostos fenólicos totais e potencial antioxidante, revelam um produto promissor na perspectiva alimentar. Além de explorar seus recursos nutracêuticos importantes para a saúde, oferece uma solução para a indústria de processamento de frutas e contribui para a redução de impactos ambientais, alinhando-se aos ODS da ONU. Contudo, são necessários mais estudos para obter dados mais robustos.
Título do Evento
XXX Semana Científica UNIFASE/FMP
Cidade do Evento
Petrópolis
Título dos Anais do Evento
Anais da Semana Científica
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MENEZES, SUZANA FERREIRA DA SILVA et al.. DESENVOLVIMENTO, CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-QUÍMICA, TEOR FENÓLICO E CAPACIDADE ANTIOXIDANTE DE FARINHA DA CASCA DA MANGA TOMMY (MANGIFERA INDICA L.).. In: Anais da Semana Científica. Anais...Petrópolis(RJ) UNIFASE/FMP, 2024. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/SCUNIFASEFMP2024/955729-DESENVOLVIMENTO-CARACTERIZACAO-FISICO-QUIMICA-TEOR-FENOLICO-E-CAPACIDADE-ANTIOXIDANTE-DE-FARINHA-DA-CASCA-DA-MA. Acesso em: 11/03/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes