SÍNDROME ALCOÓLICA FETAL - RELATO DE CASO

Publicado em 19/02/2025 - ISSN: 2675-8563

Título do Trabalho
SÍNDROME ALCOÓLICA FETAL - RELATO DE CASO
Autores
  • Giovana Faitanin dos Santos de Oliveira
  • Vitória Bento dos Santos
  • Flávia Loureiro Esteves
Modalidade
RELATOS DE CASO - casos raros, nunca ou pouco descritos na literatura, assim como situações que incluam formas inovadoras de diagnóstico e/ou tratamento.
Área temática
CUIDADO E HUMANIZAÇÃO EM SAÚDE - Cuidado em saúde transcende a realização de técnicas e aspectos físicos, contempla a compreensão do conceito ampliado de saúde, e envolve uma interação afetiva que respeita, acolhe e considera a diversidade da existência humana. Nesse contexto, a humanização significa dialogar com a singularidade de cada pessoa, reconhecendo suas crenças e valores, compartilhando assim um ambiente de cuidado implicado com a realidade, com as políticas públicas e com a necessidade dos coletivos que vivem nos territórios.
Data de Publicação
19/02/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/scunifasefmp2024/946300-sindrome-alcoolica-fetal---relato-de-caso
ISSN
2675-8563
Palavras-Chave
Síndrome Alcoólica Fetal; Álcool; Gestação; Desenvolvimento; Diagnóstico; Multiprofissional; Puericultura.
Resumo
INTRODUÇÃO A Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) é caracterizada por alteração dos caracteres fetais e infantis devido à exposição ao álcool durante a gestação. É a principal causa de anomalias congênitas não hereditárias e retardo mental, tornando-se uma questão importante de saúde pública. Os efeitos teratogênicos variam, por exemplo, de acordo com o padrão e quantidade de consumo, com a genética, idade e nutrição materna e, dessa forma, existem múltiplas apresentações. Os fatores de risco para a doença incluem: irmão com SAF, multiparidade, abortamentos e natimortos em história materna, situação social de risco e uso prévio de substâncias. A incidência de alcoolismo materno está apontada como 6 a cada 1000 gestantes, com a SAF tendo incidência aproximada de 1 a cada 1000 nascidos vivos no Brasil (Lima, 2013). Mundialmente, a incidência da SAF seria em torno de 0,5 a 2 casos para cada 1000 nascidos vivos (Grinfeld, 2010, p.33). RELATO DE CASO Paciente feminino, 3 anos e 5 meses, negra, brasileira, residente de Petrópolis - Rio de Janeiro (RJ), idade gestacional de 37 semanas e 4 dias, PIG simétrica (peso de nascimento 2.200 g, 40 cm de estatura e perímetro cefálico de 31,5 cm), mãe de 35 anos, G11P9A2. Na consulta inicial, com 1 ano e 1 mês, apresentava como queixa principal “baixo peso e estatura”. Ao exame físico, peso igual a 7,75kg; comprimento de 76,5 cm e perímetro cefálico de 44 cm, todos abaixo do Percentil 3. Restante da ectoscopia, exame cardiovascular, respiratório, abdominal, genitourinário e membros inferiores sem alterações. Além disso, foi relatado pela cuidadora histórico materno de consumo alcoólico durante a gestação. A conduta estabelecida foi a solicitação de exames laboratoriais e retorno em 2 semanas. Na segunda consulta, apresentava exames laboratoriais dentro da normalidade, sendo encaminhada para ambulatórios de Endocrinologia, Nutrição, Neurologia e Genética e solicitada radiografia de mão e punho esquerdos. No mesmo mês, em consulta com geneticista, há descrição de apagamento de filtro nasal, epicanto e lábio superior fino, baixo peso e microcefalia. Foram solicitadas radiografias de crânio, membros superiores e inferiores, colunas dorsal e lombar, tórax, mãos e punhos. A radiografia de mãos e punhos identificou atraso na ossificação do carpo e idade óssea compatível com a cronológica pelo método de Greulich-Pyle. Em segunda consulta, 3 meses depois, foi confirmado o diagnóstico de SAF, associado a déficit global de desenvolvimento e iniciado acompanhamento com a Genética. Na terceira consulta, aos 3 anos, foi diagnosticada com nanismo, mantendo a conduta e acompanhamento. Na última consulta de puericultura, com 3 anos e 5 meses, estava sem queixas, apresentava peso de 10,14Kg, Perímetro Cefálico de 45cm, ambos abaixo do Percentil 3, além de Comprimento de 91,4 cm (percentil 3). Foi orientada a manter acompanhamento ambulatorial multiprofissional, além de orientações como necessidade de adaptações escolares e a possibilidade de utilização medicamentosa para distúrbios comportamentais futuros. Ademais, foi esclarecido de que trata-se de uma doença sem cura, de tratamento limitado, se baseando em acompanhamento ambulatorial, de acordo com as necessidades. DISCUSSÃO O álcool é um agente teratogênico, especialmente pela menor taxa de eliminação e exposição prolongada, com tropismo pelo sistema nervoso central, além de alterar epigeneticamente a metilação do DNA, contribuindo para alterações no crescimento fetal e placentário. A SAF é um dos componentes das Desordens do Espectro Alcoólico Fetal, que correspondem a características comportamentais, físicas e de aprendizado encontradas na criança exposta ao álcool, totalizando uma amplitude de diagnósticos desencadeados pela exposição fetal ao álcool. O diagnóstico da SAF baseia-se em alterações faciais, restrição de crescimento pré-natal ou pós-natal, déficit de crescimento cerebral/neurofisiologia anormal e alterações neurocomportamentais. Caso esses estejam presentes, não é necessária comprovação de consumo de álcool ao longo da gestação. No quesito das alterações faciais, é obrigatório que haja ausência de filtro nasal, pálpebras estreitas e pequenas e lábio superior fino. No que tange à restrição de crescimento, basta um sinal pré ou pós-natal. O crescimento cerebral diminuído pode ser comprovado por perímetro cefálico inferior ao percentil 10, anomalias estruturais e/ou convulsões afebris frequentes. Das alterações comportamentais, elas abrangem QI abaixo da média, dificuldade de autorregulação e atraso no desenvolvimento. Pode acometer outros sistemas, como o cardiovascular, renal e visual. O tratamento é de suporte e multiprofissional, envolvendo pediatras, geneticistas e terapeutas comportamentais. Tendo isso em vista, o diagnóstico precoce viabiliza um cuidado mais adequado e, como consequência, o melhor desenvolvimento possível para esse paciente. Com o tempo, o dismorfismo facial tende a se atenuar independentemente de intervenções médicas, por isso a precocidade em reconhecer esses caracteres segue sendo importante. Contudo, as demais alterações não seguem o mesmo padrão e características como dificuldade motora, cognição diminuída, funções nervosas e musculares comprometidas, além de dificuldade de relacionamento interpessoal, persistem. Sendo assim, é um ser humano com dificuldades de convívio social, emocional e intelectual que devem ser levadas em consideração, já que a convivência harmoniosa é rompida nessas circunstâncias. CONCLUSÃO Tendo em vista sua incurabilidade e magnitude de seus efeitos, somadas ao fato de ser prevenível, o foco do trabalho é destacar os sinais e sintomas, contribuindo para o diagnóstico precoce. Dessa forma, as terapias de suporte podem ser iniciadas a tempo de mudar positivamente o desenvolvimento dessa criança, ajudando a alcançar sua funcionalidade plena por meio de acompanhamento e intervenção dos profissionais necessários.
Título do Evento
XXX Semana Científica UNIFASE/FMP
Cidade do Evento
Petrópolis
Título dos Anais do Evento
Anais da Semana Científica
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

OLIVEIRA, Giovana Faitanin dos Santos de; SANTOS, Vitória Bento dos; ESTEVES, Flávia Loureiro. SÍNDROME ALCOÓLICA FETAL - RELATO DE CASO.. In: Anais da Semana Científica. Anais...Petrópolis(RJ) UNIFASE/FMP, 2024. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/SCUNIFASEFMP2024/946300-SINDROME-ALCOOLICA-FETAL---RELATO-DE-CASO. Acesso em: 26/05/2026

Trabalho

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