O USO DO LASER DE BAIXA POTÊNCIA EM PACIENTES HOSPITALIZADOS: RELATO DE CASO

Publicado em 19/02/2025 - ISSN: 2675-8563

Título do Trabalho
O USO DO LASER DE BAIXA POTÊNCIA EM PACIENTES HOSPITALIZADOS: RELATO DE CASO
Autores
  • Leonardo Gamarano De Carvalho
  • Maria Julia Machado De Araujo Pinto Chaves
  • Jonas Noel
  • Jessie Capobiango Soares de Moura
  • Cláudia de S Thiago Ragon
  • Suzana Kind Leal de Oliveira de S THiago
Modalidade
RELATOS DE CASO - casos raros, nunca ou pouco descritos na literatura, assim como situações que incluam formas inovadoras de diagnóstico e/ou tratamento.
Área temática
CUIDADO E HUMANIZAÇÃO EM SAÚDE - Cuidado em saúde transcende a realização de técnicas e aspectos físicos, contempla a compreensão do conceito ampliado de saúde, e envolve uma interação afetiva que respeita, acolhe e considera a diversidade da existência humana. Nesse contexto, a humanização significa dialogar com a singularidade de cada pessoa, reconhecendo suas crenças e valores, compartilhando assim um ambiente de cuidado implicado com a realidade, com as políticas públicas e com a necessidade dos coletivos que vivem nos territórios.
Data de Publicação
19/02/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/scunifasefmp2024/929283-o-uso-do-laser-de-baixa-potencia-em-pacientes-hospitalizados--relato-de-caso
ISSN
2675-8563
Palavras-Chave
Laser de baixa potência, aPDT, unidade de tratamento intensiva, herpes labial
Resumo
O papel do cirurgião-dentista (CD) na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) tem se tornado cada vez mais importante dentro da equipe multidisciplinar, especialmente para o diagnóstico precoce e tratamento de lesões bucais que podem ser traumáticas, neoplásicas ou infecciosas, muitas vezes originadas por condições sistêmicas, medicações ou traumas associados à ventilação mecânica. Nesse contexto, os lasers de baixa potência (LBP) têm ganhado destaque como uma ferramenta terapêutica e preventiva, devido aos seus efeitos benéficos, como modulação da inflamação, analgesia e aceleração do reparo tecidual. A aplicação de LBP em casos de herpes simples tem-se mostrado eficaz, proporcionando alívio rápido dos sintomas e acelerando a cicatrização. O herpes labial (HL), causado pelo vírus Herpes Simplex tipo 1 (HSV-1), é uma infecção viral que atinge uma vasta parte da população mundial. Uma vez infectado, o vírus permanece latente no organismo e pode ser reativado periodicamente. As lesões recorrentes causadas pelo HSV-1 evoluem através de vários estágios: o pródromo, caracterizado por coceira e dor sem evidência visível; a formação de máculas, pápulas e vesículas; e, finalmente, a cicatrização, onde ocorre a formação de crostas e a recuperação da pele ao estado normal. O tratamento tradicional do HSV-1 inclui o uso de medicamentos como aciclovir e penciclovir. Terapias adjuvantes, como o uso de laser de alta potência (LAP) na fase vesicular, também têm mostrado eficácia. Já o LBP é utilizado principalmente para diminuir o tempo de infecção, acelerar a cicatrização e reduzir a recorrência da infecção. A terapia fotodinâmica antimicrobiana (aPDT) é uma técnica que envolve a interação de um fotossensibilizador, como o azul de metileno (AM), e uma fonte de luz, na presença de oxigênio tecidual. O AM absorve a energia do laser, gerando espécies reativas de oxigênio (EROs) altamente tóxicas para microrganismos e células virais. Nesse estudo, relatamos o caso de um paciente masculino, 69 anos, com histórico de anemia, radioterapia para câncer de bexiga e cistectomia radical com urostomia à esquerda e função renal comprometida. Foi internado na UTI de um hospital público por dor abdominal, náusea e vômito, e evoluiu para sepse urinária. Testou positivo para COVID-19 no ato da internação. A equipe de odontologia hospitalar foi acionada devido à dificuldade do paciente em ingerir alimentos, além de dor intensa em língua e lábios, com risco de necessidade de sonda nasogástrica. Ao exame físico, edêntulo total superior e dentado parcial inferior, usuário de próteses removíveis, foram observadas lesões ulceradas e vesico-bolhosas exacerbadas na região perioral, lábios e ápice de língua, tendo um diagnóstico clínico de HSV-1. A equipe de odontologia hospitalarpropôs o tratamento com a aPDT principalmente devido à contraindicação de antivirais pela função renal comprometida do paciente. As próteses dentárias superior e inferior foram removidas e higienizadas com solução de clorexidina 0,12%, e foi realizada a descontaminação dos tecidos bucais. A região perioral, lábios e ápice de língua foram corados com AM a 0,01% (Chimiolux®, DMC, São Carlos, SP. Brasil) e, após o tempo de pré-irradiação de 5min, irradiadas com o LBP no comprimento de onda vermelho 660nm (DMC, São Carlos®, SP, Brasil), com os parâmetros: 100mW, 4J/ponto. Após a primeira sessão de aPDT, o paciente relatou alívio imediato da dor e conseguiu ingerir alimentos pastosos no mesmo dia. 72h após a primeira sessão, o paciente apresentava redução significativa das áreas acometidas pelo HSV-1. Procedeu-se então com a segunda sessão de aPDT, nos mesmos parâmetros da primeira. Na visita hospitalar de acompanhamento, 48h após a segunda sessão, notou-se a remissão completa das lesões. O tratamento padrão para o HL geralmente envolve o uso de aciclovir, tanto tópico quanto sistêmico, e efeitos colaterais como náuseas e dores de cabeça podem ser observados. No caso relatado, o uso de antiviral estava contraindicado devido ao comprometimento renal do paciente, o que torna a aPDT uma alternativa ao tratamento convencional. A terapia fotodinâmica assistida por luz (aPDT) tem se mostrado uma alternativa eficaz, uma vez que o HSV-1 pode ser inativado pela fotodinâmica. No entanto, a definição de protocolos para a aPDT é complexa, pois envolve a consideração de diversos parâmetros dosimétricos, como comprimento de onda, potência de saída, tempo de exposição, taxa de fluência, número de sessões e intervalos entre elas. Relatos na literatura têm mostrado que o tempo de cicatrização das lesões pelo HSV-1 tratadas com laser pode ser reduzido a quase metade do tempo em comparação ao tratamento com antivirais. Em contrapartida, devido à escassez de estudos, ainda há limitações na comprovação da eficácia específica da aPDT. Em resumo, a aPDT surge como uma abordagem promissora e eficaz no tratamento do HL, com o potencial de reduzir significativamente o tempo de infecção viral em comparação aos métodos tradicionais. A eficácia da terapia também parece ser maior quando aplicada nos estágios iniciais da infecção. Como evidenciado no relato de caso, a aPDT proporcionou importantes benefícios ao paciente, aliviando a dor e levando à remissão completa das lesões de HSV-1 num curto espaço de tempo, permitindo a ingestão de alimentos sem sonda nasogástrica. A terapia acelerou a recuperação tecidual, modulou a inflamação, evitou complicações e melhorou a qualidade de vida do paciente na UTI, sendo uma terapia custo-eficiente e promissora , em especial para pacientes com comprometimentos sistêmicos.Sugere-se um aprimoramento por meio de pesquisas e estudos do CD para a correta indicação do LBP.
Título do Evento
XXX Semana Científica UNIFASE/FMP
Cidade do Evento
Petrópolis
Título dos Anais do Evento
Anais da Semana Científica
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CARVALHO, Leonardo Gamarano De et al.. O USO DO LASER DE BAIXA POTÊNCIA EM PACIENTES HOSPITALIZADOS: RELATO DE CASO.. In: Anais da Semana Científica. Anais...Petrópolis(RJ) UNIFASE/FMP, 2024. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/SCUNIFASEFMP2024/929283-O-USO-DO-LASER-DE-BAIXA-POTENCIA-EM-PACIENTES-HOSPITALIZADOS--RELATO-DE-CASO. Acesso em: 06/12/2025

Trabalho

Even3 Publicacoes