(DES)INTEGRAÇÃO E ECOLOGIA DAS PRÁTICAS: REPENSANDO CIÊNCIA E TECNOLOGIA NA AMÉRICA LATINA

Publicado em 10/03/2025 - ISBN: 978-65-272-1241-6

Título do Trabalho
(DES)INTEGRAÇÃO E ECOLOGIA DAS PRÁTICAS: REPENSANDO CIÊNCIA E TECNOLOGIA NA AMÉRICA LATINA
Autores
  • Breno Benjamin Nunes Mendoza
  • JOAO JOSE S BORGES
  • Nayara Marcelly Ferreira Da Silva
Modalidade
Seminário de Pesquisa
Área temática
Ciência e Tecnologia na América Latina
Data de Publicação
10/03/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/pensar-e-repensar/880194-(des)integracao-e-ecologia-das-praticas--repensando-ciencia-e-tecnologia-na-america-latina
ISBN
978-65-272-1241-6
Palavras-Chave
Ecologia das Práticas, Tecnologias, Epistemologias, Povos Originários e Tradicionais, América Latina
Resumo
Pensar na América Latina e no seu potencial inventivo desde um cenário sociopolítico e econômico foi por muito tempo um dos eixos que nortearam os projetos malsucedidos de integração regional no continente. Centrados num liberalismo utópico e na possibilidade de desenvolvimento coletivo, esses projetos estiveram alicerçados na mesma ideia que constituiu os estados-modernos latino-americanos, fazendo ecoar sobre o presente os marcos incivilizatórios da colonização. Farret e Pinto (2011) veem na fundação do continente um grave problema ontológico, já que ele foi forjado através da exclusão dos povos originários da região e dos africanos trazidos ao continente. Por isso, falaremos aqui não mais em uma América Latina desde a ideia universalista da sobreposição moderna a esses diversos povos, mas em uma América híbrida, a Améfrica Ladina (González, 2020). Esta concepção reconhece os regimes de produção de epistemologias e tecnologias a partir do modelo ocidental sem, contudo, submeter-se a classificações hierárquicas e a subordinações de ordem econômica e política. É por meio do resgate dessas conexões entre a produção prático-teórica de mulheres e homens indígenas e afrodiaspóricos que propomos uma integração de saberes latino-americanos subalternizados. Com isso, não almejamos criar consensos e uma solução única aos dilemas do nosso continente, mas sim reconhecer que a pluralidade de perspectivas e as polissemias daí decorrentes têm o potencial de desintegrar modelos hegemônicos de tecnologias e de conhecimentos para, assim, criarmos uma verdadeira ecologia das práticas. Partindo do princípio da recusa do Um, como proposto por Clastres (2003), sugerimos a presença da multiplicidade como condição chave para pensarmos a ciência e tecnologia na América Latina. Esta abordagem rejeita a ideia de um único caminho ou verdade universal, reconhecendo, em vez disso, a pluralidade e diversidade de formas de conhecimento e prática. Essas experiências científicas, que incluem a participação de povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e outros, não estão apartadas da ciência, permitindo repensar a América Latina como um espaço de conhecimento plural e intercultural. A "ecologia das práticas" (Stengers, 2018) sugere a necessidade de pensar as práticas como inseparáveis do contexto em que estão inseridas. Ao considerá-las, as ciências estão atentas ao fato de que as práticas não existem de forma isolada, mas são parte de um ecossistema de relações, fluxos e imanências. Isso implica estar atento à complexidade das interações que permeiam o processo de produção do conhecimento. Esta abordagem se justifica pela exigência de disposição para pensar outras formas de relacionamento que não se limitam às práticas ocidentais, compreendendo como outros modos de conceber a ciência e a tecnologia são tecidas no encontro com outras formas de relações, procedimentos técnicos, éticos e metodológicos. Isso envolve pensar numa relação não de complementariedade, mas de equivalência entre diferentes sistemas de conhecimentos. O fato de a ciência ser autocorrigível não implica que ela esteja convergindo para uma verdade final, ou que haja algum "mundo real" lá fora que ela descreve com cada vez mais precisão. Pelo contrário, propõe-se que o caráter epistemológico é sempre limitado, parcial e situado, suscetível às experiências imponderáveis e de colocar em relação e disputa os próprios dualismos ontológicos, como natureza e cultura, real e não real. Acolheremos trabalhos que sinalizam para essas multiplicidades de práticas na pesquisa, especialmente aqueles que se colocam em disposição para tecer encontros "com", e não "sobre" determinados povos e contextos. Nossa intenção é fomentar um espaço que valorize a colaboração e o diálogo, reconhecendo e respeitando as diversas formas de conhecimento e prática que emergem desses encontros e contextos múltiplos.
Título do Evento
IV Simpósio Internacional Pensar e Repensar a América Latina II Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina
Cidade do Evento
São Paulo
Título dos Anais do Evento
Anais do Simpósio Internacional Pensar e Repensar a América Latina e do Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MENDOZA, Breno Benjamin Nunes; BORGES, JOAO JOSE S; SILVA, Nayara Marcelly Ferreira Da. (DES)INTEGRAÇÃO E ECOLOGIA DAS PRÁTICAS: REPENSANDO CIÊNCIA E TECNOLOGIA NA AMÉRICA LATINA.. In: Anais do simpósio internacional pensar e repensar a América Latina e do congresso internacional pensamento e pesquisa sobre a América Latina. Anais...Sao Paulo(SP) Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, 2024. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/pensar-e-repensar/880194-(DES)INTEGRACAO-E-ECOLOGIA-DAS-PRATICAS--REPENSANDO-CIENCIA-E-TECNOLOGIA-NA-AMERICA-LATINA. Acesso em: 31/08/2025

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