FOTOBORDADO E DESTERRITORIALIZAÇÃO EM AMÉRICA LATINA

Publicado em 10/03/2025 - ISBN: 978-65-272-1241-6

Título do Trabalho
FOTOBORDADO E DESTERRITORIALIZAÇÃO EM AMÉRICA LATINA
Autores
  • David Alarcón
Modalidade
Minicurso
Área temática
Arte e Pensamento na América Latina
Data de Publicação
10/03/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/pensar-e-repensar/879050-fotobordado-e-desterritorializacao-em-america-latina
ISBN
978-65-272-1241-6
Palavras-Chave
fotografia, fotobordado, desterritorialização, arte, América Latina
Resumo
1. Objetivo do curso Explorar a relação entre a arte e as ciências sociais através da técnica do fotobordado, focando nos processos de desterritorialização e reterritorialização em espaços rurais da América Latina dominados pela agroexportação. Este curso não só busca ensinar uma técnica artística, mas também fomentar a reflexão sobre temas sociais e territoriais relevantes na América Latina, utilizando a arte como uma ferramenta de comunicação e expressão. 2. Resumo Este curso explora a interseção entre a arte e as ciências sociais através da técnica do fotobordado, centrando-se na análise dos processos de desterritorialização e reterritorialização na América Latina. O curso busca integrar a teoria e a prática artística para abordar as transformações territoriais em espaços rurais dominados pela agroexportação, tomando como exemplos as paisagens de Ica no Peru, Mendoza na Argentina e o Cerrado no Brasil. Este curso é estruturado em duas sessões que combinam o estudo teórico e o trabalho prático. Inicialmente, são introduzidos os conceitos de desterritorialização e reterritorialização, aprofundando em sua relevância e manifestação nos casos de estudo selecionados. Posteriormente, junto aos participantes, utilizaremos o Google Earth para analisar imagens de satélite e observar as mudanças paisagísticas desde os anos 80 até a atualidade. As imagens selecionadas serão editadas, impressas e servirão como base para a intervenção artística através do bordado. A técnica do fotobordado será ensinada através de exercícios práticos, onde os participantes aprenderão pontos básicos de bordado e aplicarão esses conhecimentos para destacar componentes-chave da desterritorialização nas fotografias. O processo culminará na criação de obras que combinam fotografia e bordado, as quais serão apresentadas, se possível, em uma exposição final. A oficina não busca apenas desenvolver habilidades artísticas, mas também fomentar uma reflexão sobre os impactos sociais e ambientais da agroexportação na América Latina. Ao integrar metodologias das ciências sociais e das artes visuais, espera-se proporcionar aos participantes uma compreensão multidimensional dos fenômenos territoriais na região. Esta iniciativa se insere em uma perspectiva interdisciplinar, destacando a capacidade da arte para comunicar e questionar realidades sociais complexas, sublinhando a importância do pensamento crítico na criação artística. A proposta se alinha com os objetivos do evento acadêmico ao promover um diálogo enriquecedor entre a arte e o pensamento na América Latina. 3. Sobre a estrutura do curso O curso começa com uma introdução conceitual à desterritorialização e reterritorialização, focando na sua relevância para o contexto latino-americano. Define-se a desterritorialização como o processo pelo qual os laços sociais, culturais e econômicos se desligam de sua localização geográfica original, enquanto a reterritorialização implica a reconfiguração desses laços em novos territórios. Em seguida, estudam-se casos específicos de territórios agrários em Ica (Peru), Mendoza (Argentina) e no Cerrado (Brasil) para compreender como a agroexportação transformou essas paisagens, deslocando populações e reconfigurando ecossistemas e economias locais. Esta fase culmina com uma discussão sobre os impactos socioeconômicos e ambientais da agroexportação e as respostas das comunidades locais, vinculando os conceitos teóricos com realidades concretas. Na etapa seguinte, utiliza-se o Google Earth para analisar mudanças paisagísticas desde os anos 80 até a atualidade. Os participantes aprenderão a usar essa ferramenta para obter e comparar imagens de satélite, avaliando mudanças no uso do solo, a expansão de áreas de cultivo e o desmatamento. Esta análise destaca elementos de desterritorialização nas imagens de satélite, como a expansão de monoculturas e a construção de infraestruturas agrárias. Posteriormente, os participantes selecionarão e imprimirão imagens representativas das mudanças territoriais estudadas, discutindo o impacto visual dessas mudanças. A discussão ajudará a conectar a fase analítica do workshop com a fase criativa. Em seguida, será oferecida uma introdução ao bordado, incluindo materiais e técnicas básicas, como ponto cruz, ponto atrás e ponto cheio. Os participantes praticarão essas técnicas em papel antes de aplicá-las às fotografias impressas. Com as técnicas de bordado dominadas, os participantes planejarão e executarão o design de seu bordado sobre as fotografias, assegurando que comuniquem os conceitos de desterritorialização e reterritorialização de maneira eficaz. Esta etapa permitirá experimentar e adaptar ideias, integrando teoria e prática. Finalmente, o workshop culminará com a preparação para a exibição das fotografias bordadas, onde os participantes aprenderão técnicas de montagem e apresentação. Será organizado um espaço de discussão para refletir sobre o processo e os resultados, promovendo a colaboração e o aprendizado mútuo. A discussão final permitirá aos participantes compartilhar experiências e receber feedback, consolidando sua compreensão e habilidades. Os materiais necessários para o workshop incluem fotografias impressas em papel de boa qualidade, linhas de bordar de diversas cores, agulhas de bordar, tesouras, um computador com Google Earth e um projetor para visualização de imagens. 4. A desterritorialização como conceito-chave Em suas primeiras definições, Haesbaert (1995) descreve a desterritorialização como a “exclusão, privação ou precariedade do território como recurso ou apropriação (material e simbólica) indispensável para a nossa participação efetiva como membros de uma sociedade”. Esta perda de controle efectivo sobre a reprodução como grupo social ou como indivíduos é multiescalar e multidimensional, abrangendo tanto o material como o imaterial, e combina apropriação e dominação ao mesmo tempo. Porém, segundo Haesbaert (2011), o termo “desterritorialização” não é descrito em dicionários, embora já fosse encontrado em abordagens teóricas no final do século XIX; como exemplo, ele menciona que Marx e Durkheim abordaram conceitos relacionados. No caso de Marx, tanto em "O Capital" como em "O manifesto comunista", alude-se a uma desterritorialização capitalista, onde as estruturas sociais tradicionais se dissolvem devido à globalização, obrigando os indivíduos a reconsiderarem as próprias condições de existência. Este conceito permite duas perspectivas de desterritorialização: a visão dos grupos hegemônicos através da globalização e a dos subordinados, que estão incluídos nesta dinâmica de forma precária. Por sua vez, Durkheim, embora com uma abordagem diferente da de Marx, também reconheceu o enfraquecimento das divisões territoriais devido à crescente influência das corporações. Segundo Durkheim, os laços territoriais se tornam cada vez mais frágeis à medida que avançamos na história, ultrapassados pelas relações corporativas transnacionais. Nesse sentido, Haesbaert (2016) critica o percurso teórico do conceito de desterritorialização, destacando que, embora fosse um termo popular na década de 90, Deleuze e Guattari o utilizavam desde a década de 70. Esses filósofos franceses influenciaram Haesbaert, especialmente em sua concepção de desterritorialização como uma linha criativa de fuga que não apenas identifica a desconexão do sujeito com o território, mas também permite a construção de novos agenciamentos a partir de práticas e representações espaciais. Por fim, para Haesbaert (2016), a desterritorialização não implica a destruição definitiva do território, mas, sim, uma mudança rápida e diversificada de possibilidades que transformam o território em múltiplas experiências sob processos de reterritorialização. 5. Bordado fotográfico O bordado fotográfico é uma técnica artística que mistura a fotografia digital com o bordado tradicional com fio. Basicamente, a intervenção na foto é feita através de um desenho de bordado, combinando diferentes pontos para destacar um detalhe específico da imagem. O resultado é uma peça que combina a precisão de uma foto com o calor e o toque artesanal do bordado. É uma forma de tornar visíveis aspectos que são importantes e exigem a atenção do público. 6. Palavras-chave: fotografia, fotobordado, desterritorialização, arte 7. Público-alvo: pesquisadores e/ou estudantes interessados em fazer a conexão entre os estudos territoriais, ambientais ou agrários com a arte, promovendo o diálogo interdisciplinar e criativo. 8. Programa do curso A. Introdução conceitual à desterritorialização e reterritorialização a) Conceitos chave: definição e análise de desterritorialização e reterritorialização no contexto latino-americano. b) Estudo de caso: territórios agrários em Ica (Peru), Mendoza (Argentina) e no Cerrado (Brasil). c) Discussão: impactos da agroexportação nestes territórios. B. Análise de paisagens com Google Earth a) Ferramentas: uso do Google Earth para análise de imagens de satélite. b) Método: avaliação de mudanças nas paisagens desde os anos 80 até hoje. c) Identificação de componentes: destaque de elementos de desterritorialização nas imagens de satélite. C. Seleção e impressão de imagens a) Preparação das imagens: impressão das imagens selecionadas para bordado. b) Discussão do impacto visual: análise de como as mudanças observadas se refletem nas imagens selecionadas. D. Técnicas básicas de bordado a) Introdução ao bordado: materiais e ferramentas necessárias. b) Técnicas: pontos básicos de bordado (ponto cruz, ponto atrás, ponto de enchimento). c) Prática: exercícios iniciais em papel para familiarização com as técnicas. E. Intervenção de fotografias com bordado a) Planejamento do design: como planejar o bordado nas fotografias? b) Aplicação prática: execução do bordado nas imagens impressas. c) Integração de conceitos: relação entre os bordados e os conceitos de desterritorialização. F. Apresentação dos trabalhos finais a) Preparação para a exposição: montagem e apresentação das fotografias bordadas. b) Discussão: espaço para reflexão sobre o processo e os resultados alcançados. 9. Descrição do Curso Abaixo está o conteúdo do workshop, que acontecerá em diversas sessões. A. Introdução Conceitual à Desterritorialização e Reterritorialização A primeira fase do workshop será dedicada a uma introdução conceitual aprofundada à desterritorialização e reterritorialização, com foco na sua relevância no contexto latino-americano. Começará com uma definição e análise destes conceitos-chave, fornecendo um quadro teórico robusto. A desterritorialização é entendida como o processo pelo qual os laços sociais, culturais e econômicos são separados da sua localização geográfica original, enquanto a reterritorialização envolve a reconfiguração desses laços em novos territórios. Em seguida, prosseguiremos com um estudo de caso sobre territórios agrários específicos da América Latina: Ica no Peru, Mendoza na Argentina e El Cerrado no Brasil. Estes casos foram seleccionados pela sua representatividade em termos dos impactos da agroexportação e da dinâmica da mudança territorial. A discussão destes casos permitirá aos participantes compreender como a expansão do agronegócio transformou estas paisagens, deslocando populações e reconfigurando ecossistemas e economias locais. Por fim, será aberto um espaço de discussão para analisar os impactos das agroexportações nestes territórios. Serão explorados os efeitos socioeconômicos e ambientais, bem como as respostas das comunidades locais a estes processos. Esta discussão permitirá aos participantes relacionar conceitos teóricos com realidades concretas, promovendo a compreensão crítica e reflexiva. B. Análise de paisagem com Google Earth Nesta etapa, serão utilizadas ferramentas digitais para analisar as mudanças na paisagem. Utilizaremos o Google Earth para analisar imagens de satélite dos territórios estudados. Os participantes aprenderão como utilizar esta ferramenta para obter e comparar imagens ao longo do tempo, especificamente da década de 1980 até o presente. O método envolverá uma avaliação detalhada das mudanças nas paisagens agrícolas. Serão observadas transformações no uso da terra, na expansão das áreas de cultivo, no desmatamento e em outros impactos ambientais. Esta análise permitirá aos participantes visualizar concretamente como os processos de desterritorialização e reterritorialização têm se manifestado nos territórios selecionados. Será dada especial ênfase à identificação de componentes de desterritorialização em imagens de satélite. Os participantes aprenderão a destacar elementos-chave que demonstram esses processos, como a expansão das monoculturas, a construção de infraestruturas agrícolas e as mudanças na configuração da paisagem. Este exercício não será apenas técnico; também incentivará uma visão crítica e analítica. C. Seleção e impressão de imagens Após análise digital, os participantes selecionarão as imagens que consideram mais representativas das mudanças territoriais estudadas. A preparação das imagens incluirá a impressão das imagens selecionadas em papel de alta qualidade, adequado para bordados. Será realizada uma discussão sobre o impacto visual das imagens selecionadas. Os participantes analisarão como as mudanças observadas na paisagem se refletem visualmente nas imagens e como essas mudanças podem ser interpretadas e representadas através da arte do bordado. Esta discussão será fundamental para conectar a fase analítica do workshop com a fase criativa. D. Técnicas básicas de bordado Antes de iniciar a intervenção das fotografias será feita uma introdução ao bordado, incluindo os materiais e ferramentas necessários. Os participantes se familiarizarão com os tipos de linhas, agulhas e outros utensílios necessários para o fotobordado. Serão ensinadas técnicas básicas de bordado, como ponto cruz, ponto atrás e ponto de preenchimento. Estas técnicas serão essenciais para que os participantes possam expressar de forma criativa e precisa os conceitos discutidos anteriormente. Para garantir que todos os participantes estejam confortáveis com as técnicas, serão realizados exercícios iniciais em papel. Estes exercícios permitirão aos participantes praticar e aperfeiçoar as suas habilidades de bordado antes de aplicá-las em fotografias impressas. A prática em papel servirá como etapa de aprendizagem e adaptação, preparando o terreno para a intervenção artística final. E. Intervenção de Fotografias com Bordados Com as técnicas básicas dominadas, os participantes procederão ao planejamento do desenho de seus bordados nas fotografias. Será discutido como planejar de forma eficaz, considerando os elementos visuais e conceituais que você deseja destacar. Esse planejamento é fundamental para garantir que o bordado não seja apenas esteticamente agradável, mas também comunique com clareza os conceitos de desterritorialização e reterritorialização. A próxima fase será a aplicação prática do bordado nas imagens impressas. Os participantes trabalharão individualmente ou em pequenos grupos, aplicando seus desenhos e técnicas de bordado diretamente nas fotografias. Este processo será técnico e criativo, permitindo aos participantes experimentar e adaptar as suas ideias à medida que avançam. Por fim, será enfatizada a integração de conceitos no bordado. Os participantes irão refletir sobre como as suas intervenções artísticas se relacionam com os processos de desterritorialização e reterritorialização discutidos acima. Esta reflexão ajudará a consolidar a ligação entre teoria e prática, garantindo que a arte produzida tem uma base conceptual sólida. F. Apresentação dos Trabalhos Finais A etapa final da oficina será a preparação para a exposição das fotografias bordadas. Os participantes aprenderão técnicas de montagem e apresentação para garantir que seus trabalhos sejam exibidos da melhor forma possível. Serão considerados aspectos como layout, iluminação e contexto da exposição. Será organizado um espaço de discussão onde os participantes poderão refletir sobre o processo e os resultados obtidos. Esta discussão final permitirá a partilha de experiências, aprendizagens e desafios, promovendo um ambiente de colaboração e aprendizagem mútua. Os participantes terão a oportunidade de receber feedbacks dos seus pares e facilitadores, enriquecendo ainda mais a sua compreensão e competências. 10. Materiais necessários • Fotografias impressas em papel de boa qualidade. • Linhas de bordar de várias cores. • Agulhas de bordar. • Tesouras. • Ferramentas: computador com Google Earth (a cargo dos professores) e projetor para visualização de imagens. Apresentação do facilitador: David Alarcón Delgado es graduado em Ciência Política. Mestre em Ordenamento do Território e Gestão Ambiental pela Universidade de Barcelona. Trabalhou como consultor no Ministério da Cultura e no Vice-Ministério de Governança Territorial da Presidência do Conselho de Ministros do Peru. Atualmente é colaborador da Escola para o Desenvolvimento e cursa doutorado em Estudos Territoriais na Universidade Nacional de Quilmes, Argentina (Bolsa de Pós-Graduação no Centro de Estudos da Argentina Rural - CEAR), onde vem explorando como compartilhar seus resultados de pesquisa a partir das linguagens artísticas combinadas.
Título do Evento
IV Simpósio Internacional Pensar e Repensar a América Latina II Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina
Cidade do Evento
São Paulo
Título dos Anais do Evento
Anais do Simpósio Internacional Pensar e Repensar a América Latina e do Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

ALARCÓN, David. FOTOBORDADO E DESTERRITORIALIZAÇÃO EM AMÉRICA LATINA.. In: Anais do simpósio internacional pensar e repensar a América Latina e do congresso internacional pensamento e pesquisa sobre a América Latina. Anais...Sao Paulo(SP) Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, 2024. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/pensar-e-repensar/879050-FOTOBORDADO-E-DESTERRITORIALIZACAO-EM-AMERICA-LATINA. Acesso em: 31/08/2025

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