ARGENTINA E BRASIL EM PERSPECTIVA LATINO-AMERICANA SÉCULOS XIX E XX. FRONTEIRAS, NOVAS ESPACIALIDADES E INTELECTUAIS PERIFÉRICOS.

Publicado em 10/03/2025 - ISBN: 978-65-272-1241-6

Título do Trabalho
ARGENTINA E BRASIL EM PERSPECTIVA LATINO-AMERICANA SÉCULOS XIX E XX. FRONTEIRAS, NOVAS ESPACIALIDADES E INTELECTUAIS PERIFÉRICOS.
Autores
  • Bruno de Almeida Gambert
  • Leda Agnes Simões de Melo
  • Bruno Aranha
Modalidade
Seminário de Pesquisa
Área temática
Dimensões históricas da América Latina
Data de Publicação
10/03/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/pensar-e-repensar/820457-argentina-e-brasil-em-perspectiva-latino-americana-seculos-xix-e-xx-fronteiras-novas-espacialidades-e-intelectu
ISBN
978-65-272-1241-6
Palavras-Chave
Brasil e Argentina, História Comparada, História Conectada, América Latina
Resumo
Já não é novidade que a historiografia brasileira tem refletido as potencialidades dos estudos e abordagens que relacionam os países da América Latina. Há alguns anos, Maria Lígia Prado (2005) nos convoca a pensar o lugar e o papel dos objetos de estudo nacionais construídos em diálogo com os países de colonização espanhola como uma proposta estimulante. Ademais, Prado (2004) nos provoca a irmos além e interromper certa insistência em privilegiar os estudos que reconhecem na Europa e nos Estados Unidos os modelos de intelectualidade. Neste mesmo caminho, objetivam-se no presente Seminário de Pesquisa atrair para o debate e para a discussão as investigações que se voltam para a análise comparada ou conectada entre Brasil e Argentina no campo do pensamento latino-americano, pois, acredita-se na existência de complementariedade entre a comparação e a conexão e a soma das perspectivas produz um diálogo enriquecedor. Enfatiza-se que, tal como sugerido por Maria Ligia Prado (2004), pessoas, ideias, modelos econômicos e políticos circulavam entre os países da América Latina, com destaque entre a Argentina e o Brasil. Boris Fausto e Fernando J. Devoto (2014) salientam nos anos 2000 algo que Gino Germani havia aclarado nos anos 1960: as possibilidades múltiplas dos estudos comparados entre Argentina e Brasil. A dupla de intelectuais constatou a baixa adesão à proposta de Germani, o que os surpreendeu já que ambas as sociedades estão próximas no espaço e têm processos históricos demarcados em temporalidades sincrônicas. Os historiadores, brasileiro e argentino, sustentam que tais noções não anulam as especificidades e particularidades dos processos históricos vivenciados em cada um dos países, mesmo porque ambas as sociedades se percebiam como diferentes, exemplifica-se que na metade do século XIX o Brasil e a Argentina se confrontavam entre o regime imperial e o republicano. Segundo Ligia Prado, devem-se evitar generalizações quando se trata de abarcar uma análise entre países e o desafio para os pensadores da América Latina consiste em superar as visões eurocêntricas de reflexão, portanto, o SP se integra o tema do encontro: “Pensar e Repensar a América Latina”. Acredita-se que na atualidade tem surgido também uma necessidade pulsante para que haja olhares novos e temáticas inovadoras nas pesquisas que abordam o Brasil e a Argentina. Quando se trata da análise entre os países, compreende-se a importância aferida à Buenos Aires e aos Pampas em comparações que os aproximam ao Rio de Janeiro ou à São Paulo, não descartamos tais perspectivas, pelo contrário, junto a elas intencionamos descentralizar geograficamente e tematicamente os estudos entre os dois países e desejamos conduzir a abordagem para outros caminhos que possam também ir além desse recorte imagético e territorial. Propõem-se pensar e repensar a América Latina em contextos e territórios diferentes dos hegemônicos sejam estudos de fronteiras ou em zonas distintas dos espaços centrais nos quais estão evidentes problemáticas nacionais e, ao mesmo tempo, latino-americanas. Assim como, recuperar a trajetória de intelectuais que pensam os espaços nacionais como periféricos agrários exportadores. Há, nesse sentido, o desafio de pensar e repensar a América Latina, e em nosso caso o Brasil e a Argentina, a partir da possibilidade de descolonizarmos as narrativas. O descolonizar não se trata de um método, mas sim de um olhar distinto, “desobediente”, frente aos desafios impostos a ambas as sociedades, de ontem e de hoje. Como aponta Walter Mignolo (2017), a América foi inventada, apropriada, explorada e mapeada. Se instituiu a partir do padrão colonial de poder de hierarquias raciais, de gênero, de religião e até mesmo estética e segundo Aníbal Quijano (2005) as relações sociais passaram a ser relações de dominação e encontra-se nesse marco as ideias de superioridade e inferioridade que atravessam também as histórias dos países latino-americanos. Quijano sinaliza os binarismos: Oriente/Ocidente, primitivo/civilizado, mágico/mítico, científico/irracional-racional, tradicional/moderno, Europa/não-Europa, que formaram o imaginário da elites da Argentina e do Brasil estruturaram as sociedades. Então, ressalta-se a importância de entendermos os padrões e modelos que se difundem como universais e tocam profundamente as subjetividades dos sul-americanos mencionados e entendemos que a partir desta noção vozes diversas foram silenciadas na história das sociedades. As dicotomias acima assinaladas não abarcam a diversidade e a pluralidade existente entre essas formações nacionais e muito menos colocam em evidência as resistências e lutas perpetradas pelos povos ao longo de contextos dispares. São dimensões extensas e variadas que vão desde a natureza, território, clima, língua, danças, músicas, culinária, até modos de vida e de existência. Atenta-se mais profundamente às narrativas “subalternizadas” como necessárias para que se possibilite, a partir delas, propagar outras maneiras de compreensão do mundo real. Os silenciamentos inerentes ao padrão colonial de poder, e do ser, que nos atravessam provocam, na atualidade, outras possibilidades de pensar e repensar as populações da América Latina. Acredita-se que a História tem um papel estratégico como um caminho possível para propor a elaboração de uma epistemologia gestada e preocupada com a diferença. Por esta razão, sustentamos uma reflexão ampla para o SP que coloque em cena sujeitos, pensamentos, discursos, imagens, linguagens, embates e processos históricos, por vezes, ocultados ao longo principalmente dos séculos XIX e XX. Empenha-se em descontruir estereótipos e narrativas que estão no senso comum quando se pensa a Argentina e o Brasil. Desconstrói-se a velha noção de um “Eu” detentor do saber, da civilidade, da modernidade e do progresso, e um “Outro” a ser civilizado e modernizado, visto como inferior mediante a um ideal de sociedade que elimina a diferença e padroniza as formas de existir. Passam-se a identificar os outros como selvagens, bárbaros, atrasados, incivilizados. Busca-se chegar ao progresso a todo custo, que se move para o horizonte de futuro, e no decorrer do processo culturas e povos são desintegrados, ameaçados por apenas ser, ocasionalmente, impossibilitados de ocupar o seu lugar no mundo. Somos atravessados por questões ligadas ao patriarcado e ao racismo estrutural, temas centrais para pensar outra América Latina e estamos desafiados, a partir de então, a refletir o perigo de uma histórica única, que deixa de lado saberes, corpos, ideias e sentimentos. Reitera-se, a partir das informações anteriores, o embate de forças do campo político que transcendem o econômico, as ideias e as populações que se reinventaram e elaboram estratégias coletivas e se fazem ouvir. Portanto, evita-se que se utilize aqui o termo “subalternizados” de maneira a invisibilizar a análise de relações de disputas, de consentimentos e de resistências. Por outro lado, abordam-se ambas as sociedades tendo por origem os lugares, as complexidades, as convergências e as divergências. Desta forma, invalida-se apontar para uma única realidade que atravessam esses países, pelo contrário, as particularidades são fundamentais para alcançar os caminhos comuns com as quais se constituem as sociedades latino-americanas. Nesse sentido, o eixo temático “Dimensões históricas da América Latina” nos faz pensar na necessidade de refletir criticamente a história do nosso continente com um campo de disputa. O próprio conceito de América Latina, em uma de suas vertentes, nasceu dentro de um contexto do imperialismo francês na época de Napoleão III, depois sofreu apropriações e releituras para chegar ao que se entende hoje como uma parte da América com características culturais, étnicas, políticas, sociais e econômicas que a distinguem dos Estados Unidos e do Canadá. Entretanto, isso não anula as influências hindu, anglófona, francófona e holandesa presentes no Caribe e na própria América do Sul, como são os casos das Guianas e do Suriname. Pensar historicamente a América Latina assume o sentido de abordá-la não como um território pré-definido, mas um espaço que se transformou dentro de um processo histórico onde contatos e fluxos dos mais diversos foram travados. Assim como em toda a América Latina, Brasil e Argentina foram instituídos a partir de um padrão colonial de poder que influenciou, como já mencionado, quase em totalidade, as suas próprias concepções de nação. Foi o padrão seguido por ambos os países em suas respectivas expansões em direção aos seus espaços internos. Nesse sentido, abordam-se no SP as temáticas da ocupação do sertão brasileiro e do “desierto” argentino. Entre os campos, argentinos e brasileiros, há uma vastidão territorial de dimensão continental. A América Latina de insere entre as nações independentes no século XIX, encerra-se um período secular de ocupação e dominação ibérica, em seguida, mesmo com as independências, os bens primários predominam em suas pautas de exportação. A característica mencionada persistiu quando a região se inseriu no sistema comercial contemporâneo em uma posição periférica, ou seja, distanciou-se das atividades econômicas mais lucrativas e dos produtos valorizados. O sistema agroexportador respondeu, predominantemente, pela integração subalterna na divisão internacional do trabalho e para superar esta condição eram necessários remodelações nas estruturas sociais das relações urbano/rurais. No eixo de intelectuais periféricos estão aqueles que formulam reformas entre o tradicional/moderno, para o espaço argentino e brasileiro, e se posicionam por redirecionar características primárias exportadoras. Os pensadores planejam reconverter a posição dos produtos rurais entre o comércio de exportação. Investigam-se os debates sobre um órgão das Nações Unidas, a Comissão Econômica Para a América Latina, CEPAL. Enfatizam-se os temas que se debruçam sobre as condições de vida e as relações de trabalho para formar uma classe média interna capaz de consumir produtos industrializados, estes decorrentes de movimentos endógenos industrializantes a serem realizados em meados do século XX. Almeja-se, sob um olhar descolonizador, atrair para o SP os estudos que identifiquem, entre as dimensões dos intelectuais, aqueles personagens intérpretes do mundo urbano/rural interessados nos processos de subdesenvolvimento/desenvolvimento. As discussões que o SP pretende promover são as dimensões históricas comparadas e conectadas entre Argentina e Brasil, ou seja, abordar temas caros ao estudo comparado entre os dois países em uma perspectiva maior que os observa a partir do espaço Latino-americano. Então, propõem-se a abordagem que versam sobre os temas na seguinte ordem: Primeiramente, os estudos que analisam temas fronteiriços entre as duas nacionalidades entre os séculos XIX e XX. Em seguida, a história ambiental e os deslocamentos e estigmatizações relacionados as questões climáticas e geoespaciais, e, pensar os intelectuais da segunda metade do século XX envolvidos no binômio subdesenvolvimento/desenvolvimento como personagens periféricos de uma ordem internacional. Em resumo, há um tema central: o debate da produção de estudos comparados e conectados entre Brasil e Argentina produzidos contemporaneamente. Este campo amplo se fragmenta em núcleos discursivos como fronteiras, territorialidades e intelectuais periféricos. Assim, o SP receberá trabalhos não só do campo da História, mas acolherá as diversas outras disciplinas do campo das humanidades. Nesse aspecto, um número expressivo de debates em torno desses dois países será alcançado. Assim, somam-se as dimensões para pensar a América Latina, a partir das realidades brasileira e argentina que se desdobram em debates amplos que inserem no campo científico e as perspectivas e promovem a integração dos saberes latino-americanos. O movimento possibilita superar narrativas que ignoram as interações, os trânsitos e as interrelações centrais nos processos formativos dos países, vale dizer, recuperam-se as dimensões de interação e integração entre as sociedades no decorrer do processo histórico. Comparar e conectar histórias propicia a integração temática e acadêmica entre as comunidades de pesquisadores da região. De acordo com as informações anteriores, estão entre as áreas de interesse as pesquisas que reflitam ambas as sociedades entre os séculos XIX e XX relacionadas com: decolonialidades, fronteiras, história econômica, agrária, ambiental, gênero, intelectuais e literatura. Por uma vez mais, reitera-se a construção de um SP amplo que valoriza a diversidade, a pluralidade de temas e as abordagens teórico-metodológicas distintas. Ampliam-se as opções interpretativas a partir da pluralidade, compreende-se a necessidade e a oportunidade de unir, criar e sistematizar as pesquisas entre o Brasil e a Argentina a partir da pluralidade. O cotejamento de temas entre as sociedades se sobrepõe às barreiras do desconhecimento que afastam os objetos de estudo de interesse regional e as comunidades científicas. A iniciativa do seminário contribui para a integração não apenas das duas formações sociais mencionadas, mas também delas para com a região na qual estão inseridas. Forma-se um cenário acadêmico complexo composto por uma teia de interações que incluem, como sujeitos, os pesquisadores argentinos, brasileiros e as temáticas por eles analisadas. Encerra-se a proposta com um convite para que se somem ao SP os pesquisadores interessados em temas brasileiros e argentinos que identifiquem a dinâmica latino-americana nos trabalhos e promovam o diálogo entre as sociedades.
Título do Evento
IV Simpósio Internacional Pensar e Repensar a América Latina II Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina
Cidade do Evento
São Paulo
Título dos Anais do Evento
Anais do Simpósio Internacional Pensar e Repensar a América Latina e do Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

GAMBERT, Bruno de Almeida; MELO, Leda Agnes Simões de; ARANHA, Bruno. ARGENTINA E BRASIL EM PERSPECTIVA LATINO-AMERICANA SÉCULOS XIX E XX. FRONTEIRAS, NOVAS ESPACIALIDADES E INTELECTUAIS PERIFÉRICOS... In: Anais do simpósio internacional pensar e repensar a América Latina e do congresso internacional pensamento e pesquisa sobre a América Latina. Anais...Sao Paulo(SP) Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, 2024. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/pensar-e-repensar/820457-ARGENTINA-E-BRASIL-EM-PERSPECTIVA-LATINO-AMERICANA-SECULOS-XIX-E-XX-FRONTEIRAS-NOVAS-ESPACIALIDADES-E-INTELECTU. Acesso em: 31/08/2025

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