CORRENTES PÓS-COLONIAIS EM HISTÓRIA DA ARTE, MUSEOLOGIA E ARQUEOLOGIA LATINO-AMERICANAS

Publicado em 10/03/2025 - ISBN: 978-65-272-1241-6

Título do Trabalho
CORRENTES PÓS-COLONIAIS EM HISTÓRIA DA ARTE, MUSEOLOGIA E ARQUEOLOGIA LATINO-AMERICANAS
Autores
  • Tatiane de Oliveira Elias
  • Fernando Scherer
  • Pedro Luís Machado Sanches
Modalidade
Seminário de Pesquisa
Área temática
Arte e Pensamento na América Latina
Data de Publicação
10/03/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/pensar-e-repensar/820217-correntes-pos-coloniais-em-historia-da-arte-museologia-e-arqueologia-latino-americanas
ISBN
978-65-272-1241-6
Palavras-Chave
Pós-colonialismo, História da Arte, Arqueologia, Exposições
Resumo
1. Introdução: objetivo do seminário O objetivo do seminário é abordar correntes pós-coloniais da história da arte, da museologia e da arqueologia na América Latina, abrangendo questões que podem envolver a produção artística, sua extroversão e, em sentido mais amplo, uma sociologia da imagem. Desde a década de 1970, o pós-colonialismo tem se estabelecido como um novo campo acadêmico que abrange uma série de disciplinas tais como história, filosofia, etnografia, sociologia, literatura, cinema, história da arte, etc. Com as lutas pela conquista da independência, pessoas de países colonizados abandonaram os sistemas de valores impostos pelos colonizadores, voltando para circunstâncias originais da sua própria história e cultura. A teoria pós-colonial surgiu sob a influência de análises e crítica das estruturas hegemônicas de poder estabelecidas através dos processos de colonização (GOLDBERG; QUAYSON 2002, xi), portanto, se preocupa em saber quando as culturas se encontram, quais são os efeitos da colonização, como o processo de colonização mudou o pensamento das pessoas, seu modo de agir, escrever e pintar. Essas são algumas de suas questões de estudos (HATT; KLONK 2006, p. 223). Para Marcel Daniel, “o objetivo primordial dos estudos pós-coloniais tem sido o de analisar e criticar o efeito direto e residual do colonialismo nos povos colonizados e sociedades” (DANIEL 2014). Segundo Michael Hatt e Charlotte Klonk, as teorias pós-colonialistas são melhores pensadas em termos geográficos: “O modelo de centro e periferia é frequentemente invocado. A distinção consiste entre metrópole centro, onde o poder é mantido e decisões são tomadas, e periferia, áreas afastadas que são administradas e exploradas” (HATT; KLONK 2006, p. 223). Eles dão o exemplo do império britânico, com a cidade de Londres no centro, a grande metrópole, e as colônias afastadas ao seu redor, as quais eram exploradas. A teoria pós-colonial se preocupa com a história dessas periferias, desses países colonizados e busca o ponto referencial a partir desses povos. Ao invés do eurocentrismo, procuram saber como seria se a história fosse escrita do ponto de vista da periferia, quais estórias a história iria nos contar, o que seria se o colonizado fosse falar do colonizador e sobre a colonização (HATT; KLONK 2006, p. 223). 2. Pós-Colonialismo e História da Arte O pós-colonialismo, como mencionado nos primeiros parágrafos do texto, é um campo que aborda outras disciplinas, sendo uma delas a história da arte. Com o crescente debate sobre o pós-colonialismo nos anos 80 e as exposições que começaram a focar em artes da periferia antes não exibidas na Europa, aumenta-se o diálogo com a história da arte. Vários teóricos trabalharam nesse diálogo com a história da arte e também ocorreram cursos e simpósios de ambos os campos. A universidade alemã de Trier, na qual a historiadora da arte Schmidt Lisenhoff, uma das pioneiras alemãs do pós-colonialismo, lecionava, institucionalizou um Centro Interdisciplinar de Estudos Pós-coloniais e de Gênero. Para Schmidt-Linsenhoff, entre os séculos 16 e 18, houve uma representação visual de culturas diferentes, como, por exemplo, os relatórios ilustrados de viagem para a América e o norte da África, ou em aquarelas de Maria Sibylla Merian sobre sua viagem para o Suriname. Culturas diferentes estão presentes, mas seu objeto colonial não era, até então, tema das investigações da história da arte. Essas demonstrações mostram exatamente que o que era culturalmente e geograficamente estranho se tornou o campo de investigações de história da arte, no entanto, como elas eram realizadas na arte europeia permaneciam com um ponto de vista europeu. Nesse contexto, estão as percepções teóricas de determinadas explicações que ocorriam na arte europeia desde a segunda metade do século XVIII (FRÜBIS 2011). Para Kerstin Schankweiler, os estudos pós-coloniais na área de aplicação do foco da história da arte se concentram na construção de diferenças culturais e hierarquias na cultura visual dos primeiros tempos modernos até o presente. Schankweiler levanta questões como “como são colocadas as representações visuais do ‘próprio’ e dos ‘outros’? Qual papel desempenha, por exemplo, a pintura para uma semântica da cor de pele?” (SCHANKWEILER 2011). Temos como exemplos Banho Turco, de Ingres, de 1862; A Morte de Sardanapalo, de Delacroix, de 1827; as documentações sobre a terra santa e o Egito, de David Robert, de 1838; O mercado de escravos, de Gérome, de 1860; Olympia, de Eduard Manet, de 1863; e Les Demoiselles d'Avignon, de Pablo Picasso, de 1907. Em 2012 foi organizado na Academia de Artes, em Viena, o simpósio Universalisms in Conflict Post-Colonial Challenges in Art History and Philosophy. Nesse simpósio, foi tematizado a discussão da história da arte sobre o processo de globalização cultural. A História da arte é uma disciplina criada na Europa, que se restringiu por várias décadas ao Estudo da História da Arte Eurocêntrica. Com o surgimento dos estudos pós-colonialistas e o debate de uma arte global, vem se ampliando a abrangência da história da arte a outros continentes e desmantelando o eurocentrismo que marcou o desenvolvimento da própria disciplina. Com essa ampliação, surgiram novos termos como Estudos de arte mundiais e História da arte global. Isso mostra esforços de superar o eurocentrismo da história da arte ocidental, mas para tal, a história da arte necessita de ter uma orientação para as dimensões políticas de críticas anti e pós-coloniais e para estudos do transculturalismo. A história da arte do pós-colonialismo deve abordar os critérios das concepções de centros e periferias em vigor (SONDEREGGER; KRAVAGNA 2012). Para não ficar apenas restrita a um âmbito elitista, mas levar em consideração as atividades sociais e econômicas que afetam diretamente as periferias desses países. De acordo com Fernando Coronil, a América Latina foi excluída do debate do pós-colonialismo, pois os países da América Latina e suas independências são anteriores aos estudos pós-coloniais (CORONIL 2013). Para ele, “esta exclusão da América Latina refletiu-se claramente na primeira antologia geral de textos pós-coloniais, Discurso Colonial e Teoria Pós-colonial (P. WILLIAMS; CHRISMAN 1993), cujos artigos não incluem nenhum autor da Iberoamérica” (CORONIL 2013). Para Fernando Coronil houve uma marginalização da América Latina pelos estudos de pós-colonialismo, ao não ter nenhuma referência nos textos, artigos e autores, sacralizando teóricos do Oriente como Said, Bhabha e Spivak como a trindade fundacional para estudos pós-coloniais. Sendo os debates dos estudos pós-coloniais direcionados sobretudo à Ásia e a países africanos. Robert J. Coronil Young, em seu texto Postcolonialism: An Historical Introduction, foi um dos primeiros a incluir a América Latina no debate dos estudos pós-coloniais. Em dois capítulos, "América Latina I: Mariategui, Transculturação e Dependência Cultural", no qual cita a “antropofagia” de Oswald de Andrade; a formação da identidade latino-americana através da devoração de outras culturas para criar a sua própria, e as "culturas híbridas" de Nestor Garcia Canclini, nas formações culturais latino-americanas. No outro capítulo, “América Latina II: Cuba-Guevara, Castro, e o Tricontinental”, no qual foca em Guevara, aborda o anti-racismo, a mestiçagem e o humanismo radical. Importante também para o debate de estudos pós-coloniais e decoloniais é Walter Mignolo. Walter Mignolo (1993), “por sua vez, defendeu a necessidade de distinguir entre três críticas da modernidade: o pós-modernismo (sua expressão interna), pós-colonialismo (sua modalidade asiática e africana) e pós-ocidentalismo (sua modalidade de manifestação latino-americana)” (CORONIL 2013). Anibal Quijano desenvolveu sua teoria da colonialidade do poder, e Enrique Dussel a crítica ao eurocentrismo. Sendo importantes estes debates para a história da arte latino americana. 3. Abordagens pós-coloniais na museologia e nas exposições Diferentes de Said e de Nochlin, que fazem a divisão das culturas, outros teóricos pós-colonialistas fazem a relação de hibridade. Um deles, Homi Bhabha, considera o modelo do hibridismo ou hibridação como um processo de transformação social, o qual originalmente designa o surgimento de culturas, que se constituem através do encontro entre a cultura colonizada e o poder autoritário do colonizador. Para os pós-colonialistas, a descrição de culturas enfatiza que culturas não são formações puras, mas são misturas de diferenças étnicas ou componentes de diferentes culturas e tradições. Culturas interagem e formam outras através de intercâmbio. Para James Eakin, as novas disciplinas como “os estudos visuais e os estudos pós-coloniais colidem com disciplinas mais antigas, como a história da arte e da teoria da arte”. O primeiro tem como foco de estudo a cultura popular e a mídia. Já os estudos pós-coloniais têm uma abordagem da arte como um efeito de classe, relações de poder, etnia, condições socioeconômicas. Para ele, a “história da arte tem dificuldade com maneiras de entender a arte que são baseadas em economia, política e funções sociais” (EAKIN 2010). O livro Artistas Pós-coloniais e Estéticas Globais (Postcolonial Artists and Global Aesthetics), de Akin Adesokan, tem uma visão diferente das discussões de estudos pós-colonialistas sobre a globalização e as mudanças estéticas. Adesokan transmite uma maneira metódica de pensar sobre as relações estruturais que unem a descolonização e a globalização. Segundo ele, essas relações funcionam como formações sociais históricas mundiais na obra de artistas de países em desenvolvimento. Para ele, entre a modernidade e a colonialidade, há uma tensão, e é justamente essa tensão a sua interação globalizada, que caracteriza a obra de artistas contemporâneos. Artistas pós-coloniais defendem a ideia de que o que é pós-moderno e pós-colonial são modos de produção artísticos complexamente entrelaçados com o capitalismo global (STEPHENS 2013, p. 211-212). Para Chika Okeke Agulu, os historiadores da arte, confrontados com o desafio da globalização pós-colonial, têm, nos últimos tempos, lutado com a ideia e as modalidades de uma história da arte global. 3.1 Enwezor As teorias do nigeriano Okwui Enwezor são cruciais para a compreensão do discurso pós-colonial, de como se pode interpretar e conduzir debates sobre o uso da arte contemporânea do hibridismo, da ambivalência e da indeterminação para examinar questões complexas de etnia, origem e autenticidade (ENWEZOR 1998, p. 32). No seu ensaio "The Postcolonial Constellation: Contemporary Art in a State of Permanent Transition” (2003), ele fala sobre museus e galerias ocidentais, explicando como eles funcionam e as complexidades existentes. Informa a produção, recepção e institucionalização da arte contemporânea no contexto específico e em quadros geopolíticos da globalização e práticas curatoriais. É importante levar em conta como os objetos são tirados de seus países, próximos ou distantes, perdendo o seu contexto, e como são colocados em novos ambientes. Essa prática é muito criticada por ele. No seu texto, ele dá exemplos da Tate Modern, Centre Georges Pompidou, Metropolitan Museum. Para ele, o público da TATE Modern ao olhar para uma paisagem de Monet iria entendê-la como um ancestral imediato para as esculturas e pinturas de Richard Long. Enzwezor faz referência às obras de Picasso em relação à influência das máscaras africanas, que criam uma nova era nas artes modernas. Para Enwezor, a constelação pós-colonial, título usado em seu ensaio, é uma compreensão de determinada ordem histórica, que configura a relação entre as realidades políticas, sociais e culturais, espaços artísticos e históricos que não estão em competição, mas sempre em redefinições contínuas. Esse diálogo entre o discurso pós-colonial e a arte contemporânea foi discutido na Documenta 11. Enwezor, primeiro diretor não-europeu da Documenta, levou suas teorias pós-colonialistas para a exposição. Ele foi curador da Documenta 11, na qual ele com sua equipe de 6 co-curadores trouxeram uma variedade de artistas não-ocidentais para expor na Documenta ao lado de artistas ocidentais. Pela primeira vez, a Documenta expos massivamente artistas de países não-ocidentais, artistas da América Latina e da África. A importância de Enwezor para o diálogo com a história da arte e as práticas da curadoria culminaram na Documenta 11. Nunca antes na história da Documenta havia se debatido as questões pós-coloniais em seus termos sociais, políticos e regionais, e levado para o público artistas desconhecidos do público europeu. Artistas estes que tiveram a chance de exibir os seus trabalhos na Documenta, que antes era mais ocidental, e ao mesmo tempo levantaram questões de identidade nacional. Com uma mega exposição, a Documenta 11 pôde fazer abordagens diferentes e inovadoras a partir das teorias pós-colonialistas, mostrando a diversidade das culturas. O pós-colonialismo foi discutido no âmbito das práticas de museologia e curadorias como em exposições como Les Magiciens de la terre, de 1989, Documenta 11, bienais que envolveram artistas não-ocidentais, artistas da América Latina, artistas da África, artistas aborígenes, ampliando as periferias ao invés do centro e abrindo o debate para a arte global. Para historiadores de arte, esse é um contributo muito importante para repensar a complexidade das periferias, destacando tanto a distinção da arte a partir de outra produção cultural, e sua particularidade em relação entre o centro e as periferias no velho continente. Os estudos pós-colonialistas proporcionaram o aumento do interesse pela arte não-ocidental e criaram novas oportunidades para os artistas desses países, antes desconhecidos do mundo eurocêntrico, de expressarem os valores de sua cultura para o resto do mundo. Com o pós-colonialismo, vemos um amplo debate de arte antes esquecido ou não visto pelo ocidente, que agora tem que ser visto, e um diálogo dos artistas pós-colonialistas que trabalham com essa tensão de um capitalismo global mostrando sua identidade artística. Artistas latino-americanos desafiaram as narrativas históricas do cânone da arte e usaram práticas inovadoras de resistência. À medida que a América Latina procurava a sua própria identidade, os seus artistas olhavam para o seu passado, para a sua cultura popular, tradições, para a sua religião, para o regionalismo e o indigenismo, para o seu ambiente político e social, e para a sua imaginação pessoal ao criarem uma tradição distinta de arte, atual e legitimamente latino-americana. 4. Correntes pós-coloniais na arqueologia latino-americana e o estudo das imagens Também é importante considerar que, na América Latina, vivemos sob a égide do colonialismo interno (GONZÁLEZ CASANOVA 2007, p. 437). Condição na qual as palavras (o discurso oficial) deixam de designar, passam a encobrir. Segundo a socióloga e ativista aimará Silvia Rivera Cusicanqui, em tais circunstâncias as imagens revelam e reatualizam “muitos aspectos não conscientes do mundo social”. Com os discursos públicos convertidos em modos de não dizer, são as imagens que “iluminam, desde os séculos pré-coloniais, o pano de fundo social e nos oferecem perspectivas de compreensão crítica da realidade” (RIVERA CUSICANQUI 2010, p. 19-20). Imagens são, de fato, produções humanas que se equiparam ao discurso oral ou escrito em seu aspecto fundamental: a vinculação com convenções, a abertura para o imaginário necessariamente compartilhado, o que equivale a dizer que imagens são implicadas em relações simbólicas (BRUNEAU; BALUT 1997, p. 113), com uma vantagem em relação às palavras: “(...) a imagem possui uma liberdade dimensional que a escrita nunca terá: pode desencadear um processo verbal que terminará na recitação de um mito, a que a imagem não está diretamente ligada, e cujo contexto desaparece com o recitador” (LEROI-GOURHAN 1990, p. 195). Na ausência incontornável de incontáveis gerações de “recitadores”, ou diante de seu silenciamento contemporâneo, a compreensão crítica da realidade a partir de imagens assume contornos propriamente arqueológicos, e precisa se voltar para o que Philippe Bruneau chamava de “tecnificação da representação” (technicisation de la représentation), ponto de partida para a Arqueologia da Imagem, especialização de estudos segundo a qual “a imagem serve tanto para fazer a arqueologia de uma coisa qualquer, quanto se faz arqueologia da imagem como se fosse qualquer outra coisa” (BRUNEAU 1986, p. 284). Na esteira de correntes pós-estruturais, desconstrutivistas e pós-modernas, os estudos pós-coloniais foram introduzidos a partir da “diferença colonial”, por autores pioneiros como Memmi, Said, Spivak e Bhabha (BALLESTRIN 2013, p. 91), quase ao mesmo tempo em que emergia em diferentes partes da América Latina, um movimento inovador, então reconhecido pela sigla ASL, a Arqueología Social Latinoamericana. Lançado em 1961, o livro Os condenados da Terra, do martinicano Frantz Fanon, se tornou uma das obras seminais do chamado giro decolonial (BALLESTRIN 2013, p. 92). Apenas cinco anos mais tarde, Ernesto Tabío publicava em Cuba a síntese de sua tese sobre a pré-história da ilha, também considerada uma publicação pioneira e influente para gerações de arqueólogos sociais latinoamericanos. Se Fanon definiu pela primeira vez a realidade social a partir de relações identitárias antagônicas (BALLESTRIN 2013, p. 91), a Tabío coube introduzir na arqueologia latinoamericana análises baseadas no materialismo histórico (TANTALÉAN 2004, p. 4) segundo as quais “os processos de organização da sociedade se constroem a partir das relações sociais nela estabelecidos”, e as pessoas não são reduzidas a um “traço cultural” ou a um “estilo cerâmico” (LUMBRERAS 2019, p. 492). A Arqueologia Social Latino-Americana se apresenta, então, como uma alternativa ao paradigma anglo-americano, recusando seus predicados positivistas, e favorecendo a consciência histórica ao se propor reconstruir a “história da vida cotidiana, doméstica e pública de gente comum” (VARGAS 2008, p. 77), quiçá abordando também as expressões artísticas e visuais, sem perder de vista o que a arqueóloga venezuelana Iraida Vargas definiu como o compromisso com “a construção de uma sociedade justa”. 5. Considerações derradeiras: a abrangência do seminário Este seminário examinará momentos-chave da história da arte, exposições e arqueologia na América Latina e as teorias pós-coloniais, ao mesmo tempo que abordará a capacidade da arte de articular e contestar o poder. Ao fazê-lo, os temas dos seminários incluirão: artes indígenas, minorias, igualdade de gênero, direitos de imigração, justiça ambiental, artefatos indígenas, arqueologia, entre outros. O seminário discutirá temas cruciais como identidade social e cultural, identidades minoritárias, ancestralidade, religiosidade e tradição. Também destacará iniciativas de artistas que demonstraram como a arte pode quebrar barreiras e ser mais inclusiva em termos de reenquadramento das minorias. Convidamos contribuições sobre os seguintes temas: Arte e ativismo, arte indígena, arte feminista, arqueologia e comunidade negra. Nosso objetivo é socializar temas emergentes no campo da história da arte e arqueologia em diálogo com as correntes pós-coloniais e destacar a sua rica diversidade e fomentar o diálogo intercultural. Neste painel discutiremos a importância de manter a memória histórica latino-americana e levantaremos questões sobre a preservação da história da identidade latina. Ao examinar esses tópicos, prestaremos atenção especial às maneiras pelas quais as histórias da arte e da resistência na América Latina continuam a influenciar a produção artística contemporânea em todo o mundo. Este seminário é importante para discutir teóricos como Juan Acha, Marta Traba, Mário Pedrosa, Fernando Ortiz, José Carlos Mariátegui, Enrique Dussel, Pablo González Casanova, Anibal Quijano, Walter Mignolo, Carlos Monsiváis, Emilio Choy, Ernesto Tabío, Luís Felipe Bate, Luis Guillermo Lumbreras, Iraida Vargas e tantos outros que contribuíram para pensarmos as artes e a arqueologia pós-coloniais na América Latina. As teorias do pós-colonialismo são tão importantes para a história da arte quanto para a arqueologia, principalmente nas discussões envolvendo tradições gráficas e produções artísticas antes depreciadas por essas disciplinas, museus e exposições latino-americanas. O pós-colonialismo abriu o debate sobre a valorização e a pesquisa da arte em países que foram colonizados, a partir de uma visão própria, sem a visão distorcida eurocêntrica repleta de tachismos e clichês, antes imposta. Como a história da arte, a arqueologia social latino-americana também enfatiza mudanças econômicas e sociais, ao inserir suas críticas e interpretações dentro de uma abordagem pós-colonialista. Ambas reconhecem que a relação entre artes e culturas ocidentais e não-ocidentais é assimétrica e enreda apropriações desautorizadas e violentas. Há muito tempo que os artistas ocidentais usam formas e ideias visuais das culturas coloniais sem maiores reservas, como o exemplo de Picasso, que usou as máscaras africanas em suas pinturas. Referências: ADESOKAN, Akin. Postcolonial Artists and Global Aesthetics. Indiana University Press, 2011. BALLESTRIN, Luciana. América Latina e o giro decolonial. Revista Brasileira de Ciência Política, nº11. Brasília, maio - agosto de 2013, p. 89-117. BRUNEAU, Philippe. De l' Image. Ramage. Revue d'Archéologie Moderne et d'Archéologie générale, fascicule 4. Paris: Centre d'archéologie moderne et contemporaine de l'Université de Paris-Sorbonne, p. 249-295, 1986. BRUNEAU, Philippe; BALUT, Pierre-Yves. Artistique et Archéologique. Paris: Presses de l’Université Paris-Sorbonne, 1997. CORONIL, Fernando. Latin American postcolonial studies and global Decolonization, worlds & Knowledges Otherwise. Spring 2013. DANIEL, Marcel. 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Título do Evento
IV Simpósio Internacional Pensar e Repensar a América Latina II Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina
Cidade do Evento
São Paulo
Título dos Anais do Evento
Anais do Simpósio Internacional Pensar e Repensar a América Latina e do Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

ELIAS, Tatiane de Oliveira; SCHERER, Fernando; SANCHES, Pedro Luís Machado. CORRENTES PÓS-COLONIAIS EM HISTÓRIA DA ARTE, MUSEOLOGIA E ARQUEOLOGIA LATINO-AMERICANAS.. In: Anais do simpósio internacional pensar e repensar a América Latina e do congresso internacional pensamento e pesquisa sobre a América Latina. Anais...Sao Paulo(SP) Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, 2024. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/pensar-e-repensar/820217-CORRENTES-POS-COLONIAIS-EM-HISTORIA-DA-ARTE-MUSEOLOGIA-E-ARQUEOLOGIA-LATINO-AMERICANAS. Acesso em: 31/08/2025

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