CULTURA ALIMENTAR COMO CONTRANARRATIVA: O FRANGO COM PEQUI E GUARIROBA COMO PATRIMÔNIO E EXPRESSÃO DA GOIANIDADE.

Publicado em 19/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2280-4

Título do Trabalho
CULTURA ALIMENTAR COMO CONTRANARRATIVA: O FRANGO COM PEQUI E GUARIROBA COMO PATRIMÔNIO E EXPRESSÃO DA GOIANIDADE.
Autores
  • Danielle Da Silva Santos
Modalidade
RESUMO SIMPLES
Área temática
GT 18 EXPRESSÕES E PATRIMÔNIO DR. RAUL LANARI– (PROMEP/UEG - PPGHIS/UFG) Arq. LUCIANA RATES – Mestranda (PROMEP/UEG)
Data de Publicação
19/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-seminario-internacional-formacao-de-professores/1455341-cultura-alimentar-como-contranarrativa--o-frango-com-pequi-e-guariroba-como-patrimonio-e-expressao-da-goianidade
ISBN
978-65-272-2280-4
Palavras-Chave
Cultural alimentar;Memória biocultural;Patrimônio Imaterial
Resumo
Esta comunicação propõe uma reflexão sobre a cultura alimentar como forma de resistência simbólica e identitária nos sertões goianos, tomando como referência o prato frango com pequi e guariroba, patrimonializado pela categoria de registro como patrimônio imaterial de Goiânia no ano de 2022. Inserido na perspectiva de valorização das vozes silenciadas pela historiografia tradicional, o estudo problematiza como práticas alimentares locais, geralmente marginalizadas no discurso histórico hegemônico, revelam saberes, trajetórias e cosmologias. A partir do conceito de cultura alimentar, conforme desenvolvido por Jean-Pierre Poulain, compreende-se o alimento não apenas como necessidade biológica, mas como construção social, histórica e afetiva, carregada de sentidos e disputas simbólicas. O frango, trazido pelos colonizadores portugueses, se ressignifica no território goiano ao ser combinado com ingredientes nativos do Cerrado, como o pequi e a guariroba. Essa fusão culinária expressa trânsitos culturais e articula uma memória coletiva cerratense que resiste à homogeneização cultural. O preparo do prato envolve o cozimento do frango com alho, cebola e temperos regionais, ao qual se adiciona o pequi, fruto de aroma e sabor intensos, e a guariroba, palmito amargo que equilibra o conjunto. Além de seus acompanhamentos como o quiabo e o creme de milho. O resultado é uma iguaria que carrega memórias afetivas, práticas tradicionais e significados culturais profundos. Essa combinação de técnicas, transmitidas de geração em geração, revela o sensível e o cotidiano, tornando a comida um lugar de afirmação da goianidade, um marco simbólico de pertencimento territorial e resistência sociocultural. Nesse sentido, o frango com pequi e guariroba pode ser compreendido como expressão da memória biocultural, pois, como afirmam Toledo e Barrera-Bassols (2008), “a memória biocultural constitui o acervo de saberes, práticas e valores que as comunidades desenvolvem em interação com seu ambiente natural”. O prato é resultado da articulação entre biodiversidade e cultura, integrando ingredientes nativos do Cerrado a técnicas culinárias herdadas, constituindo um patrimônio vivo que conecta natureza e sociedade. A memória biocultural manifesta-se tanto nos modos de preparo quanto nas narrativas familiares e comunitárias que acompanham a iguaria, reforçando identidades coletivas e vínculos territoriais. Além disso, Hernandez (2022) destaca que a memória biocultural deve ser entendida como uma política de resistência frente à homogeneização cultural e ambiental do Capitaloceno, reafirmando a importância de práticas alimentares locais como contranarrativas à crise civilizatória contemporânea. Assim, a patrimonialização do frango com pequi e guariroba não apenas reconhece sua relevância cultural, mas também salvaguarda uma memória biocultural que resiste à uniformização alimentar e reafirma a diversidade cultural e ecológica do Cerrado. A metodologia da comunicação baseia-se em pesquisa bibliográfica, análise do processo de patrimonialização e observação participante, com o intuito de identificar os elementos culturais que associam o frango com pequi e guariroba às identidades cerratense e goiana.
Título do Evento
IV SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES I CONGRESSO INTERNACIONAL DE ARTES, CULTURA, EXPRESSÕES E ENSINO
Cidade do Evento
Rio Verde
Título dos Anais do Evento
NARRATIVAS... COMUNICAÇÕES DO IV SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES/ I CONGRESSO INTERNACIONAL DE ARTES, CULTURA, EXPRESSÕES E ENSINO
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SANTOS, Danielle Da Silva. CULTURA ALIMENTAR COMO CONTRANARRATIVA: O FRANGO COM PEQUI E GUARIROBA COMO PATRIMÔNIO E EXPRESSÃO DA GOIANIDADE... In: NARRATIVAS... COMUNICAÇÕES DO IV SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES/ I CONGRESSO INTERNACIONAL DE ARTES, CULTURA, EXPRESSÕES E ENSINO. Anais...Rio Verde(GO) IF GOIANO, CAMPUS RIO VERDE, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-seminario-internacional-formacao-de-professores/1455341-CULTURA-ALIMENTAR-COMO-CONTRANARRATIVA--O-FRANGO-COM-PEQUI-E-GUARIROBA-COMO-PATRIMONIO-E-EXPRESSAO-DA-GOIANIDADE. Acesso em: 26/07/2026

Trabalho

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