A VELHICE E O ENVELHECIMENTO EM GOIÁS NO SÉCULO XIX A PARTIR DOS RECORTES DE JORNAIS

Publicado em 19/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2280-4

Título do Trabalho
A VELHICE E O ENVELHECIMENTO EM GOIÁS NO SÉCULO XIX A PARTIR DOS RECORTES DE JORNAIS
Autores
  • Leicy Francisca da Silva
Modalidade
RESUMO SIMPLES
Área temática
GT 16 ARTE, CULTURA E MEMÓRIA MATERIAL E IMATERIAL DOS IDOSOS NO CONTEXTO SOCIAL BRASILEIRO ME. ROBERTA MACHADO SILVA E ME. JANICE DE ALMEIDA MATTEUCCI (PPGACT/UFG)
Data de Publicação
19/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-seminario-internacional-formacao-de-professores/1452235-a-velhice-e-o-envelhecimento-em-goias-no-seculo-xix-a-partir-dos-recortes-de-jornais
ISBN
978-65-272-2280-4
Palavras-Chave
história, envelhecimento, cotidiano, cultura e sociedade em Goiás.
Resumo
O envelhecimento é um fato novo na sociedade ocidental que tem trazido questões novas para a sociedade, para a medicina e para a política de um modo geral (PORTER; JAEGER, 2004). Christophe de Jaeger (2004) explica que biologicamente a velhice normal, ou senescência se define como a baixa progressiva das capacidades funcionais de adaptação de um organismo. Se como explica o autor, biologicamente o envelhecimento é diferencial e relacionado a diferentes fatores (causas genéticas, ausência ou mal-uso de uma função ou atitude na vida adulta, fatores de riscos, enfermidades intercorrentes), no que concerne ao reconhecimento social desta condição também se pode notar diferenças importantes no que compreendemos por envelhecer. Mary Del Priore ao analisar a velhice no século XIX aponta a dificuldade de pontuar a existência ou não de mudanças na forma como essa fase da existência era compreendida, pontuando, porém, que nesse período observou-se sua maior visibilidade social desses sujeitos (2025). Além da idade, o enfraquecimento das forças, da memória e da elasticidade eram características marcantes da identificação da ancianidade, embora essas condições não os impedissem de continuarem no trabalho, e de serem vistos como a imagem do poder, da autoridade, da respeitabilidade e experiência. Ela salienta que “o tesouro dos velhos era o renome, a fama e conceito” (2025, p. 98). Tais observações, nos indicam como imperativo a busca pelo reconhecimento do processo histórico de constituição social e cultural que diferencia esse momento da vida. Mas, é um tema novo na história. Luiz Maria da Silva Pinto em seu Dicionário da Língua Brasileira publicada em 1832, define que o termo velho adjetiva o “que vai declinando na idade, ancião. Que não é moderno, que não é novo”; explicitando que a “a idade de velho” é a velhice (PINTO, 1832, 136). Por sua vez ancião é o “velho venerando”, digno de veneração e de grande respeito (PINTO, 1832, p. 10 e 136), enquanto que senil e senilidade são sinônimos de velho e de velhice (PINTO, 1832, p. 136 e 122). Se de um lado a ancianidade expõem o direito à veneração, de outro era também a veste fria e mortal da velhice, a última idade do homem. Embora os dicionários tenham como função expor o significado de uma palavra, trazendo também sua etimologia, ele pouco diz sobre a constituição histórica e social de um fenômeno tema de nosso interesse. O que significava envelhecer em Goiás, e viver a velhice, no século XIX? Como compreender a definição desse momento na vida cotidiana naquele contexto? E, por fim, podemos observar a experiência dessa condição a partir da trajetória de alguns sujeitos e ampliar essa observação para o coletivo? É a partir destas questões que elegemos como percurso metodológico desta pesquisa a observação das notícias jornalísticas divulgadas em Goiás no século XIX para compreensão do processo de envelhecimento e o cotidiano dos sujeitos envelhecidos na sociedade goiana (Jornais disponíveis na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional). Nos jornais são poucas as menções à uma definição de velhice. Mas é a esse canal de comunicação que apelamos para traçar um quadro mais claro dessa experiência. Em, por exemplo, 1878 o correio Oficial de Goiás trazia um texto comentando sobre as “Idades do homem”, contadas como são quinze as “épocas” de sua vida, desde “1 a 105 anos, ou da meninice até a idade de fenômeno”. O envelhecimento era um acontecimento prodigioso e fenomenal na vida dos sujeitos, pois muito embora “cada idade” tivesse “seu espírito, seus prazeres e seus costumes”, a força e a felicidade não faziam parte do conjunto definidor da ancianidade. Alertava condescendente que “na velhice é mais menino e fraco o homem, do que no berço”; e pontuava que este é um momento da vida em que “ninguém é feliz” (Correio Oficial de Goiás. Idade do homem. Goiás, 27 nov. 1878, p. 4).
Título do Evento
IV SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES I CONGRESSO INTERNACIONAL DE ARTES, CULTURA, EXPRESSÕES E ENSINO
Cidade do Evento
Rio Verde
Título dos Anais do Evento
NARRATIVAS... COMUNICAÇÕES DO IV SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES/ I CONGRESSO INTERNACIONAL DE ARTES, CULTURA, EXPRESSÕES E ENSINO
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, Leicy Francisca da. A VELHICE E O ENVELHECIMENTO EM GOIÁS NO SÉCULO XIX A PARTIR DOS RECORTES DE JORNAIS.. In: NARRATIVAS... COMUNICAÇÕES DO IV SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES/ I CONGRESSO INTERNACIONAL DE ARTES, CULTURA, EXPRESSÕES E ENSINO. Anais...Rio Verde(GO) IF GOIANO, CAMPUS RIO VERDE, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-seminario-internacional-formacao-de-professores/1452235-A-VELHICE-E-O-ENVELHECIMENTO-EM-GOIAS-NO-SECULO-XIX-A-PARTIR-DOS-RECORTES-DE-JORNAIS. Acesso em: 26/07/2026

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