PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE AÇÃO EM PSICOLOGIA SOCIAL E SAÚDE: A GRUPOTERAPIA COMO TERRITÓRIO DE ENCONTRO

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE AÇÃO EM PSICOLOGIA SOCIAL E SAÚDE: A GRUPOTERAPIA COMO TERRITÓRIO DE ENCONTRO
Autores
  • FRANCISCA LAUDECI MARTINS SOUZA
  • Aline de Andrade Marques Brandão da Fonseca
  • Roberta Ferreira de Oliveira
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Saúde Mental e Bem-Estar – abordagens interdisciplinares para promoção da saúde mental, prevenção e cuidado integral
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1386306-planejamento-estrategico-de-acao-em-psicologia-social-e-saude--a-grupoterapia-como-territorio-de-encontro
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
Psicologia Social Crítica; Grupoterapia; Planejamento Estratégico em Saúde.
Resumo
Introdução A Psicologia Social brasileira emergiu como campo de resistência à fragmentação da experiência humana e à neutralidade técnica que historicamente marcou o fazer psicológico. Desde as décadas de 1970 e 1980, com a contribuição de Sílvia Lane (1984), Ana Mercês Bahia Bock (1999, 2009) e Maritza Montero (1994), o campo consolidou-se em torno de uma psicologia comprometida com a transformação social. Nesse horizonte, o sofrimento psíquico é compreendido como expressão das contradições históricas e das condições concretas de vida. A inserção da Psicologia no sistema público de saúde, especialmente após a Reforma Sanitária e a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), exige novas metodologias de trabalho. Tais metodologias devem reconhecer o sujeito em sua dimensão coletiva e propor ações que articulem escuta, vínculo e corresponsabilidade. Nesse contexto, o grupo torna-se uma ferramenta privilegiada: um espaço de trocas, de produção de sentido e de fortalecimento comunitário. O presente estudo propõe um planejamento estratégico de ação em Psicologia Social e Saúde, a ser desenvolvido em contexto de atenção psicossocial. Não se trata de relatar uma experiência concluída, mas de projetar um dispositivo grupal crítico, inspirado em fundamentos teóricos que unem ética, política e cuidado. O objetivo é desenhar uma intervenção que, partindo da escuta dos sujeitos e das instituições, possa se transformar em prática de reconstrução coletiva da saúde e da esperança. Objetivos Objetivo geral: Propor um planejamento estratégico de ação em Psicologia Social e Saúde que utilize a grupoterapia como dispositivo ético-político de escuta, diálogo e criação coletiva de sentido. Objetivos específicos: a) Fundamentar teoricamente a proposta de grupoterapia como prática social e transformadora; b) Planejar metodologicamente a intervenção grupal em serviços públicos de saúde; c) Analisar o papel do psicólogo como mediador e participante do processo grupal; d) Refletir sobre os efeitos éticos e institucionais esperados de uma ação psicológica crítica. Fundamentação Teórica A concepção de grupo adotada neste planejamento baseia-se em Pichon-Rivière (1971), que entende o grupo como uma totalidade dinâmica, marcada pela interação entre tarefa, papéis e vínculos. Para o autor, a tarefa explícita (objetivo formal) convive com uma tarefa implícita: aprender a trabalhar coletivamente. O grupo é, portanto, espaço de aprendizagem, criação e análise das relações sociais que estruturam o sujeito. A Psicologia Social Crítica brasileira, desenvolvida por Lane (1984) e Bock (2009), reforça que o sujeito não é entidade isolada, mas construção histórica atravessada pelas condições materiais de existência. A ação psicológica, nesse sentido, deve intervir na realidade social e não apenas sobre o indivíduo. Codo (2000) amplia esse entendimento ao introduzir o conceito de ética da implicação, defendendo que o psicólogo não atua “sobre” o outro, mas “com” o outro, compartilhando responsabilidade e afeto. A perspectiva de Ignacio Martín-Baró (1998) inspira o eixo político da proposta. O autor concebe a psicologia da libertação como prática comprometida com os povos latino-americanos, orientada pela conscientização e pela reconstrução da memória coletiva. O grupo, nessa ótica, é lugar de denúncia e de criação de alternativas ao sofrimento imposto pela injustiça social. A pedagogia de Paulo Freire (1987) dialoga diretamente com essa visão. Ao afirmar que “ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho, os homens se educam em comunhão”, Freire propõe a palavra como ato político e o diálogo como caminho para a liberdade. O grupo, como espaço de fala e escuta, concretiza essa pedagogia do encontro e da horizontalidade. No campo da afetividade, bell hooks (1994) propõe o amor como comportamento político, uma prática ética de presença, cuidado e corresponsabilidade. Essa concepção sustenta que o amor, entendido como força social, é condição para o cuidado e a transformação coletiva. Aplicada à grupoterapia, a ideia reforça o compromisso do psicólogo com a vida e com a dignidade humana. Ansara (2015) enfatiza que a Psicologia Social, ao atuar em políticas públicas, deve reconhecer a pluralidade cultural e afetiva dos sujeitos. Pereira (2023), ao discutir a decolonialidade na avaliação psicológica, amplia o debate e defende que a escuta de saberes comunitários e tradicionais é componente essencial de uma psicologia ética e plural. Essas contribuições sustentam a necessidade de metodologias abertas à diferença e à coautoria. Por fim, a proposta metodológica ancora-se na pesquisa-ação descrita por Thiollent (2008), que concebe a investigação como processo coletivo de análise e transformação. Essa abordagem, de base dialógica e participativa, permite construir o planejamento estratégico de forma horizontal, garantindo que o grupo e a equipe de saúde participem ativamente de todas as etapas. Metodologia Proposta O planejamento estratégico de ação em Psicologia Social e Saúde se estrutura em quatro etapas complementares, que articulam diagnóstico, construção participativa, implementação e avaliação. Diagnóstico situacional e escuta inicial Essa primeira etapa consiste em mapear as demandas institucionais e subjetivas de um serviço público de saúde. Realiza-se por meio de entrevistas, observação participante e reuniões com a equipe multiprofissional. O objetivo é compreender o contexto, os fluxos de atendimento, as tensões e as potencialidades, reconhecendo que o grupo nasce das necessidades reais da comunidade. Planejamento participativo Inspirada em Freire (1987) e Thiollent (2008), essa fase prevê encontros com a equipe e com os futuros participantes para definir objetivos, critérios de composição, periodicidade e metodologia do grupo. Busca-se construir coletivamente o sentido da ação, promovendo o protagonismo dos sujeitos desde o início. O psicólogo atua como facilitador e tradutor de linguagens, garantindo a inclusão de vozes diversas. Implementação da prática grupal A proposta prevê encontros semanais de 60 a 90 minutos, com estrutura flexível: acolhimento, desenvolvimento e fechamento. As atividades podem incluir rodas de conversa, dinâmicas projetivas, leitura de narrativas, dramatizações e construção simbólica (desenhos, colagens, textos). O foco é transformar o grupo em espaço de expressão e escuta, onde o sofrimento se torna linguagem compartilhada. O coordenador sustenta o processo pelo vínculo, diálogo e afeto, e não pelo controle. Avaliação processual e devolutiva coletiva A análise do processo será realizada em coautoria com os participantes e com a equipe, por meio de registros reflexivos, sínteses de grupo e reuniões avaliativas. Essa devolutiva busca compreender os sentidos produzidos, os vínculos criados e as aprendizagens subjetivas, fortalecendo o caráter educativo e político do grupo. Cada etapa do planejamento será documentada em relatórios analíticos e diários de campo. O método adotado é qualitativo, de natureza participativa, e se orienta pela epistemologia crítica latino-americana, que entende o conhecimento como construção situada e relacional. Discussão A grupoterapia, concebida neste planejamento, é entendida como prática de resistência e produção de vida. O grupo, ao favorecer o encontro entre diferentes, opera uma dupla transformação: nos sujeitos, ao promover reconhecimento e pertencimento; e nas instituições, ao introduzir novas formas de relação e de cuidado. A proposta confronta o modelo tradicional de atendimento psicológico centrado na individualidade e propõe um paradigma de cuidado coletivo. Nesse modelo, o psicólogo assume o papel de mediador, alguém que escuta e sustenta o campo, em vez de prescrever condutas. A prática se torna, portanto, um ato ético, político e estético, no sentido dado por Bock (2009): criar espaços em que a experiência humana possa ser ressignificada. A grupoterapia projetada articula três dimensões: (a) a dimensão subjetiva, que trabalha a escuta e a elaboração simbólica do sofrimento; (b) a dimensão social, que reconhece o grupo como reflexo das contradições da sociedade e como espaço de crítica; (c) a dimensão institucional, que propõe práticas interdisciplinares e democratização dos serviços de saúde. A construção coletiva do planejamento reafirma o princípio freireano de que o conhecimento se faz no diálogo e na praxis. O grupo, enquanto processo educativo, contribui para a emancipação dos sujeitos e para a ampliação da consciência crítica. Como lembra Martín-Baró (1998), libertar-se é reconstruir a si e ao mundo, e esse movimento começa pelo reconhecimento mútuo. Do ponto de vista ético, a proposta se ancora no que bell hooks (1994) chama de amor político, um exercício de cuidar com presença, sem hierarquia e sem indiferença. No campo da saúde, esse amor se traduz em compromisso: estar com o outro na construção de um espaço que acolhe a dor e celebra a vida. A metodologia da pesquisa-ação, conforme Thiollent (2008), reforça a inseparabilidade entre planejar e transformar. O planejamento estratégico, converte-se em prática reflexiva, ajustável e viva. Por fim, as contribuições de Pereira (2023) e Ansara (2015) ampliam o alcance político da proposta ao defender que a Psicologia Social e a decolonialidade compartilham um mesmo propósito: devolver às comunidades o direito à palavra, ao cuidado e à autoria de suas próprias narrativas. Considerações Finais O planejamento estratégico de ação em Psicologia Social e Saúde proposto aqui reafirma o compromisso da psicologia com a transformação social e com a promoção da vida. A grupoterapia, concebida como território de encontro, propõe uma prática capaz de ressignificar o sofrimento, fortalecer vínculos e democratizar o cuidado. Ao pensar o grupo como microcosmo social e o psicólogo como mediador implicado, o planejamento delineia um modo de atuação que integra teoria, ética e política. A metodologia possibilita que o grupo se torne espaço de invenção de novas formas de existência. A psicologia, nesse contexto, deixa de ser instrumento de normalização para se tornar força de criação, resistência e esperança.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SOUZA, FRANCISCA LAUDECI MARTINS; FONSECA, Aline de Andrade Marques Brandão da; OLIVEIRA, Roberta Ferreira de. PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE AÇÃO EM PSICOLOGIA SOCIAL E SAÚDE: A GRUPOTERAPIA COMO TERRITÓRIO DE ENCONTRO.. In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1386306-PLANEJAMENTO-ESTRATEGICO-DE-ACAO-EM-PSICOLOGIA-SOCIAL-E-SAUDE--A-GRUPOTERAPIA-COMO-TERRITORIO-DE-ENCONTRO. Acesso em: 16/03/2026

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