PARA NARRAR A CHAPADA: O STORYTELLING COMO ESTRATÉGIA DE BRANDING NA CAMPANHA DA CHAPADA DO ARARIPE A PATRIMÔNIO DA UNESCO

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
PARA NARRAR A CHAPADA: O STORYTELLING COMO ESTRATÉGIA DE BRANDING NA CAMPANHA DA CHAPADA DO ARARIPE A PATRIMÔNIO DA UNESCO
Autores
  • Isadora Nizeuda de Oliveira
  • Thalles Henrique Rodrigues de Assis
  • Luis Fernando Dias Gomes
  • João Leandro Neto
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Inovação e empreendedorismo- abordagens em empreendedorismo social.
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1386279-para-narrar-a-chapada--o-storytelling-como-estrategia-de-branding-na-campanha-da-chapada-do-araripe-a-patrimonio
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
Identidade Cultural, Comunicação Territorial, Patrimônio Imaterial, Memória Coletiva, Valorização Simbólica.
Resumo
1.INTRODUÇÃO A Chapada do Araripe se ergue como território simbólico e narrativo do Nordeste brasileiro, espaço onde a natureza e a cultura se fundem em uma teia de sentidos e pertencimentos (Limaverde, 2017). É nesse cenário que a comunicação assume papel estruturante, ao articular o patrimônio cultural, a memória coletiva e a identidade de um povo que se reconhece em suas próprias histórias. A candidatura da Chapada do Araripe a Patrimônio da Humanidade, proposta junto à UNESCO, insere-se nesse contexto de valorização de um território que ultrapassa a geografia e alcança o campo da imaginação, da ancestralidade e da experiência sensível. Desde 2019, quando as primeiras ações de mobilização foram organizadas por instituições locais, entre elas a Fundação Casa Grande, o IPHAN e a Universidade Regional do Cariri, iniciou-se um processo de consolidação de narrativas que conferem à Chapada o estatuto de bem cultural misto (IPHAN; Ceará; Urca, 2023). Essa construção resulta de um percurso em que o povo do Cariri transformou a oralidade em herança, convertendo mitos, lendas e práticas cotidianas em memória viva. A comunicação, nesse processo, ultrapassa o instrumento técnico da publicidade e se configura como linguagem de preservação e de resistência cultural. O interesse pelo tema surgiu de vivências acadêmicas e extensionistas ligadas à produção audiovisual e à cultura popular, como o Festival OSGA e ações universitárias que aproximaram comunicação, arte e território. Essas experiências despertaram a necessidade de compreender como as narrativas locais funcionam como instrumentos de valorização simbólica, fortalecendo o pertencimento e a identidade coletiva do povo caririense. Nesse sentido, o trabalho tem por objetivo analisar como o storytelling contribui para a promoção da candidatura da Chapada do Araripe a Patrimônio da Humanidade, considerando sua relação com a cultura, a memória e a identidade territorial, bem como o papel do branding e das narrativas culturais na valorização e preservação do patrimônio local. No campo da comunicação, o storytelling configura-se como estratégia simbólica que aproxima sujeitos e lugares por meio de narrativas emocionais e engajadoras (Carrilho; Markus, 2014). Aplicado ao branding territorial, cria valor simbólico que ultrapassa o produto e se inscreve na experiência humana (Kotler; Keller, 2013). Na Chapada do Araripe, o storytelling atua como instrumento de visibilidade e legitimidade cultural, traduzindo em narrativa as águas, montanhas e expressões artísticas que compõem o patrimônio do território. O problema que orienta esta pesquisa formula-se na seguinte questão: como o uso de narrativas como estratégia de storytelling tem contribuído para fortalecer a identidade territorial e promover a candidatura da Chapada do Araripe a Patrimônio da Humanidade pela UNESCO? A justificativa para o estudo repousa na compreensão de que as narrativas constituem instrumentos de mediação cultural e política, capazes de transformar percepções e consolidar identidades. A Chapada do Araripe, ao ser representada por meio de histórias e símbolos, afirma-se como espaço de resistência e de reconhecimento, em que a cultura se converte em linguagem de pertencimento e de projeção internacional. O estudo pretende, portanto, analisar como o storytelling atua como estratégia de branding e de mobilização social, valorizando a memória, a diversidade e a singularidade do território. A relevância acadêmica deste trabalho situa-se na interseção entre comunicação, cultura e patrimônio, campos que, articulados, permitem compreender o poder das narrativas como prática de valorização simbólica. Ao investigar a construção discursiva da candidatura da Chapada do Araripe, a pesquisa insere-se em um debate contemporâneo sobre o papel da comunicação na formação de identidades coletivas e na gestão da memória social. Nesse sentido, compreender as tramas narrativas que sustentam o processo de candidatura é compreender, igualmente, o modo como um território se reconhece e se narra ao mundo. 2. METODOLOGIA O estudo situa-se na interface entre comunicação, cultura e patrimônio, adotando o método hipotético-dedutivo, conforme as orientações de Gil (2019), uma vez que parte de uma problemática geral sobre o papel do branding narrativo na valorização territorial para interpretar, de forma sistemática, as evidências empíricas observadas. A pesquisa assume abordagem qualitativa e caráter explicativo, fundamentada na concepção de Minayo (2012) sobre a compreensão dos significados culturais que estruturam as práticas sociais. Foram aplicados os métodos histórico e observacional, o primeiro voltado à análise da formação da identidade cultural e da trajetória da candidatura da Chapada do Araripe, e o segundo à observação direta das expressões e manifestações narrativas presentes no território. A pesquisa bibliográfica contemplou publicações entre 2010 e 2024, localizadas nas bases SciELO, CAPES Periódicos e Google Acadêmico, considerando obras em português e inglês que discutem storytelling, branding territorial e patrimônio cultural. Foram incluídos textos disponíveis integralmente e diretamente relacionados à temática, e excluídos os duplicados ou de caráter puramente mercadológico. A seleção resultou em 22 estudos analisados para construção do referencial teórico. A pesquisa documental, desenvolvida entre fevereiro e abril de 2025, abrangeu relatórios e registros oficiais do IPHAN (2008; 2023), da UNESCO (2024) e da Fundação Casa Grande, que orientam as diretrizes de valorização patrimonial da Chapada do Araripe. Já a pesquisa de campo, realizada entre janeiro e julho de 2025, compreendeu observação direta em eventos e espaços culturais, entrevistas semiestruturadas com mestres da cultura e agentes institucionais envolvidos na candidatura, e registro audiovisual das paisagens simbólicas do território. Como produto complementar, desenvolveu-se um vídeo-manifesto, resultado da captação e edição de imagens e depoimentos, com o objetivo de fortalecer a comunicação pública e o reconhecimento simbólico da Chapada do Araripe. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO A análise das estratégias narrativas presentes na candidatura da Chapada do Araripe à UNESCO evidencia que o storytelling se consolidou como eixo condutor da comunicação territorial. O território, estendido pelos estados do Ceará, Pernambuco e Piauí, possui uma densidade cultural que se traduz em oralidades, rituais e símbolos transmitidos de geração em geração (Limaverde, 2017). Esse acervo imaterial sustenta a noção de “Santuário do Nordeste”, expressão utilizada por pesquisadores da região para caracterizar o Cariri-Araripe como espaço sagrado de produção simbólica. A partir dessa herança, o storytelling torna-se linguagem de preservação e de identidade. Conforme Xavier (2015), contar histórias é uma técnica e uma arte simultaneamente, capaz de construir sentido e emoção. Ao aplicar essa concepção à comunicação pública da Chapada, as narrativas locais transformam-se em ferramentas de sensibilização e engajamento, aproximando o público da causa patrimonial. Carrilho e Markus (2014) afirmam que o storytelling, quando associado ao branding, fortalece a percepção de pertencimento e legitima o discurso de identidade coletiva, o que se confirma no caso da Chapada. Nos materiais institucionais e campanhas de divulgação observados, o discurso narrativo destaca a singularidade do território, a ancestralidade dos povos e as práticas culturais que o definem. O processo de candidatura valoriza não apenas o patrimônio natural, mas as expressões humanas que o sustentam, a oralidade dos mestres, a musicalidade, os rituais, as festas e os modos de vida que configuram o Cariri. Essa integração entre natureza e cultura é o que fundamenta a classificação da Chapada como “bem misto”, de natureza e cultura entrelaçadas (IPHAN; Ceará; Urca, 2023). Os resultados da pesquisa de campo e da observação direta apontam que o branding narrativo opera em dois níveis: o simbólico e o político. No plano simbólico, estrutura-se um imaginário coletivo que traduz a Chapada como espaço de memória e resistência. No plano político, o discurso comunicacional promove visibilidade e legitimação, articulando instituições, artistas, gestores e comunidades em torno de um mesmo propósito. Essa convergência confirma a hipótese de que o branding narrativo fortalece a identidade territorial, ao associar emoção, tradição e pertencimento à estratégia de comunicação pública. O vídeo-manifesto, produto complementar do estudo, atua como instrumento de síntese dessa narrativa. A linguagem audiovisual integra depoimentos, paisagens e expressões culturais, transformando a experiência local em mensagem universal. O resultado não é apenas uma peça de comunicação, mas um registro sensível do território narrado por quem o habita. A Chapada, assim, deixa de ser apenas um espaço geográfico e passa a representar uma metáfora de continuidade entre natureza, cultura e memória. O storytelling e o branding territorial, portanto, revelam-se dimensões interdependentes. O primeiro confere emoção e sentido, o segundo estrutura o reconhecimento e a projeção pública. Essa combinação produz o efeito de pertencimento coletivo e legitima a candidatura como ação de afirmação cultural. A comunicação se consolida como mediadora entre o local e o global, transformando narrativas comunitárias em patrimônios compartilhados pela humanidade. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS A candidatura da Chapada do Araripe a Patrimônio da Humanidade reafirma o poder das narrativas culturais como linguagem de preservação e reconhecimento. O estudo demonstrou que o storytelling e o branding territorial atuam como instrumentos de valorização simbólica e de fortalecimento identitário, permitindo compreender a Chapada não apenas como território físico, mas como espaço de memória e continuidade histórica. As histórias, contadas por seus próprios habitantes, transformam-se em expressão de pertencimento e resistência, revelando que a comunicação, quando orientada pela emoção e pela ancestralidade, constitui o caminho para a projeção pública de um território que se narra ao mundo.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

OLIVEIRA, Isadora Nizeuda de et al.. PARA NARRAR A CHAPADA: O STORYTELLING COMO ESTRATÉGIA DE BRANDING NA CAMPANHA DA CHAPADA DO ARARIPE A PATRIMÔNIO DA UNESCO.. In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1386279-PARA-NARRAR-A-CHAPADA--O-STORYTELLING-COMO-ESTRATEGIA-DE-BRANDING-NA-CAMPANHA-DA-CHAPADA-DO-ARARIPE-A-PATRIMONIO. Acesso em: 18/03/2026

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